Há anos a B3 (B3SA3) trabalha para diversificar suas receitas e se consolidar como um centro de dados e um operador que está em todas as frentes na negociação de ativos. É uma maneira de se tornar menos dependente do vai e vem da renda variável, que vive um momento complicado (a bolsa, por exemplo, irá para o quarto ano sem nenhum IPO, que, ao que todo indica, continuará).Além dos tradicionais títulos de renda fixa, como CDBs e LCAs, a B3 se prepara para entrar no mercado de duplicatas, que nada mais são que o pagamento feito pelo comprador ao vendedor de um produto ou serviço.VEJA TAMBÉM: 35 empresas divulgam resultados do 4T24 esta semana, e BTG Pactual revela suas projeções para as principaisFunciona assim: um comprovante da venda é emitido. Em troca, o vendedor recebe o dinheiro. Se o comprador não pagar, o vendedor pode protestar a duplicata e cobrar a dívida judicialmente.A operação é utilizado por empresas que têm mais necessidade e intensidade de caixa e uma forma de antecipar pagamentos para uma cadeia produtiva descasada com o tempo de recebimento. Desde 2024, o Banco Central aprovou normas para dar mais transparência e celeridade à emissão desses títulos, diante da alta taxa de fraudes. E nessa mudança, entra a B3.“Estamos com um foco muito grande, um time grande, porque o mercado de crédito é um mercado que precisa de atenção, de modelo operacional no bolso. Quando se olha para o mundo de dívida, o mundo financeiro, é um ambiente muito mais controlado, uma ambiência limitada, com muito espaço de pagamento, seus eventos, sua liquidação, e a default é baixa”, diz Humberto Costa, diretor de produtos da B3, conversa com jornalistas nesta quarta-feira em São Paulo.De acordo com o executivo, é um mercado com potencial de R$ 10 trilhões com a possibilidade de se tornar o maior produto em renda fixa da B3.“Ainda não estão sendo feitas estimativas precisas, o que foi feito é direcionar investimentos para ocupar todas essas etapas e ver o que o mercado vai aceitar melhor, onde tem a melhor oportunidade para prover serviços para essa esteira de crédito funcional”.B3: Mercado competitivoApesar do potencial, é provável que a B3 não opere nesse mercado sozinha. Segundo Costa, são pelo menos sete signatárias postuladas a passar pelo processo do Banco Central. Apesar disso, a própria instituição já mencionou algumas vezes que não vê espaço para tantos agentes nesse mercado.“Particularmente, também não acredito, pois se trata de um sistema complexo, com uma jornada longa e desafiadora. Muitos entraram para observar seu funcionamento, mas acredito que haverá alguma consolidação. Ainda assim, é um mercado extremamente competitivo, diferente de outros mercados em que começamos sem competição e a competição veio depois”, completa.