Sente vontade de comer mesmo estando satisfeito? Entenda porque isso acontece!

Wait 5 sec.

O desejo de consumir alimentos mesmo após uma refeição completa é um fenômeno que intriga muitas pessoas. Estudos recentes indicam que esse comportamento pode estar relacionado à atividade de um grupo específico de neurônios no tronco encefálico. Liderada pelo neurocientista brasileiro Avishek Adhikari, uma equipe da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) investigou a função dos neurônios VGAT na substância cinzenta periaquedutal (PAG), publicando suas descobertas na revista Nature Communications.Esses neurônios, ao liberar o neurotransmissor ácido gama-aminobutírico, são responsáveis por desencadear a vontade de comer, especialmente alimentos ricos em calorias. A ativação dos neurônios VGAT está associada à fome hedônica, que é o desejo de consumir alimentos por prazer, mesmo quando não há necessidade fisiológica de se alimentar.Como os neurônios VGAT influenciam o comportamento alimentar?Para entender melhor a função dos neurônios VGAT, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada optogenética. Essa abordagem envolve a injeção de um vírus contendo um gene para uma proteína sensível à luz nos neurônios da PAG. Com o uso de lasers, os cientistas conseguiram estimular ou inibir a atividade desses neurônios em roedores, observando como isso afetava seu comportamento alimentar.Os resultados mostraram que os neurônios VGAT se tornavam mais ativos quando os camundongos procuravam alimentos, sugerindo seu papel na vontade de comer. Quando estimulados, os roedores mostravam maior interesse por alimentos calóricos, como nozes, mesmo quando já estavam saciados. Isso reforça a ideia de que esses neurônios estão ligados ao prazer de comer, em vez de à fome fisiológica.Quais fatores podem ativar os neurônios VGAT?Ainda não está completamente claro quais são os gatilhos naturais para a ativação dos neurônios VGAT. No entanto, fatores como estresse, emoções intensas e estímulos ambientais relacionados à comida podem influenciar sua atividade. Esses elementos podem contribuir para comportamentos alimentares compulsivos, onde a pessoa come por motivos emocionais, em vez de fome física.A fome emocional, por exemplo, surge de forma repentina e urgente, direcionando o desejo para alimentos específicos, geralmente ricos em açúcar ou gordura. Diferente da fome fisiológica, que se desenvolve gradualmente e pode ser saciada com qualquer alimento, a fome emocional persiste mesmo após a saciedade física e pode gerar sentimentos de culpa.Imagem de neurônios – Créditos: depositphotos.com / MattLphotographyEstratégias para gerenciar a compulsão alimentarEmbora ainda não existam métodos clínicos para controlar diretamente a atividade dos neurônios VGAT em humanos, estratégias comportamentais podem ajudar a gerenciar a compulsão alimentar. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma abordagem eficaz para identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento relacionados à alimentação.Além disso, a prática de alimentação consciente, conhecida como mindful eating, pode auxiliar no desenvolvimento de autoconsciência e autocontrole. Técnicas de meditação, exercícios físicos e relaxamento também são recomendadas para reduzir a necessidade de usar a comida como mecanismo de enfrentamento emocional.O futuro das pesquisas sobre comportamento alimentarDescobertas como as realizadas pela equipe da UCLA abrem novas possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos para transtornos alimentares, como anorexia e compulsão alimentar. Compreender os mecanismos cerebrais envolvidos na alimentação pode levar a intervenções mais eficazes e personalizadas, melhorando a qualidade de vida de muitas pessoas.O post Sente vontade de comer mesmo estando satisfeito? Entenda porque isso acontece! apareceu primeiro em Terra Brasil Notícias.