Nascida da centenária construtora Azevedo & Travassos, a divisão Azevedo & Travassos Energia (AZTE3) estreou na B3 no dia 14 de fevereiro, mirando a expansão da companhia no setor de óleo & gás.Ao Money Times, o CEO Ivan Carvalho afirmou que o plano estratégico da empresa engloba um crescimento orgânico por meio de ativos que já existem, com investimento para o aumento da produção, e de forma inorgânica, com a aquisição de campos e realização de parcerias ou consórcios que já atuam no mercado.Carvalho recorda a história da construtora, que abriu seu capital em 1984, mirando já naquela época a criação da Azevedo & Travassos Petróleo e contratos de exploração de produção com a Petrobras — o que se concretizou.LEIA TAMBÉM: Fernando Haddad confirmado na CEO Conference 2025 – o que esperar do evento organizado pelo BTG Pactual?“Tivemos um sucesso econômico e técnico muito importante na época. Descobrimos quatro campos no Rio Grande do Norte, na Bacia de Potiguar, e houve um trabalho de produção de óleo, investimento em instalações, de armazenamento e transporte de gás e óleo”.Com isso, a construtora adquiriu experiência em prestação de serviços para o setor por meio da divisão Azevedo & Travassos Petróleo. A empresa vendeu esses ativos para uma empresa canadense e a produção de óleo e gás ficou de lado, pelo menos até chegar 2023.O atual CEO conta que a nova administração da construtora optou por utilizar o conhecimento e histórico no setor do petróleo para recriar a Azevedo & Travassos Petróleo, de olho em mudanças de cenário e potencial estratégia.No radar da companhia, entraram nomes pequenos que produzem óleo e possuem concessões, mas que precisam de capital e tecnologia. “É uma oportunidade para criar a empresar e negociar a compra desses ativos ou de empresas, via parcerias ou joint ventures”, coloca.Além disso, as chamadas junior oils passaram a se concentrar nos ativos que são mais significativos para seus negócios, o que abriu oportunidades de aquisições. Foi aí que o retorno da Azevedo & Travassos Energia e Azevedo & Travassos Petróleo encontraram seus espaços.Atuação da Azevedo & Travassos Energia e PetróleoIvan Carvalho coloca que a Azevedo & Travassos S.A (holding controladora da Azevedo & Travassos Petróleo) está investindo mais em concessões e contratos de serviços, enquanto a Energia se concentra justamente na área energética de exploração e produção de petróleo.“Nós pretendemos, dentro do orçamento dos próximos 24 meses, direcionar cerca de dois terços do capital para novas aquisições e um terço para investir nos ativos que já são da empresa, para retomar uma produção compatível com o tamanho do que já temos”.Segundo eles, muitos desses ativos estão parados. A companhia vê uma porta aberta diante de si neste cenário. “É uma oportunidade de colocarmos o capital certo para alavancar essa produção e atingir um patamar estável”, diz.Hoje, a companhia está focada na produção onshore (ou seja, em terra firme) e o CEO afirma que o foco é se consolidar, antes de uma eventual expansão, nesse ambiente de negócios.Negócios com a Brava EnergiaNeste mês, a Brava Energia (BRAV3) anunciou a assinatura de contrato para a venda de 11 concessões de óleo e gás onshore localizadas na Bacia Potiguar para o consórcio formado pela Azevedo e Travassos Petróleo e Petro-Victory Energy.O valor total da transação é de US$ 15 milhões (cerca de R$ 87,1 milhões na cotação atual), sendo US$ 600 mil desembolsados na assinatura do contrato, US$ 2,9 milhões a serem pagos no fechamento da transação e US$ 8 milhões a serem pagos em duas parcelas que vencem 12 e 24 meses após o fechamento da transação.As concessões envolvidas na transação registram uma produção média diária de aproximadamente 250 barris de óleo equivalente em 2024.Na visão do CEO da Azevedo & Travassos Energia, os ativos adquiridos contam com um grande potencial de crescimento. Na avaliação da empresa, estas concessões não recebem o investimento adequado desde quando foram vendidos pela Petrobras em 2015.Ao serem adquiridos pela Brava, o executivo reconhece que houve uma organização e investimentos na manutenção, mas não em crescimento.“Esses ativos que foram vendidos estão produzindo, mas nós acreditamos que bem aquém da capacidade. Existe uma reserva de óleo bastante significativa”, coloca.A estimativa da companhia é que a produção chegue a 1.000 barris de óleo por dia até meados de 2026. O CEO considera que os ativos estão em período de transição e que o início de fato da operação ocorrerá quando todas as condições estiverem cumpridas.