As duplicatas são ativos antigos, que datam do final da década de 1960, e são recebíveis de vendas a prazo, utilizados no financiamento de empresas. Apesar de não serem uma novidade, na B3 elas estão inseridas em metas estratégicas de longo prazo e tem potencial para ser o maior produto no segmento de renda fixa em um futuro próximo.Em novembro do ano passado, o Banco Central aprovou regras para negociação de duplicatas, com registro em sistema eletrônico. As normas vêm no sentido de remediar a falta de um registro centralizado desses títulos, que podem lastrear, inclusive, operações de crédito. Mas os riscos de fraude vinham inibindo o uso desse instrumento pelos bancos. Num universo de mais de R$ 10 trilhões que as duplicatas movimentam por ano no Brasil, apenas 10% viram lastro para empréstimos.“Com esse registro, a gente passa a ter processos de validação desses ativos com maior segurança, evitando duplicidades, riscos administrativos e fraudes”, disse Viviane Basso, vice-presidente de operações com emissores da B3, em um evento para empresas sobre o assunto.O encontro teve, justamente, o intuito de mostrar a potenciais emissores o que muda com a nova norma das duplicatas e o potencial de ampliação da oferta de crédito para pequenas e médias empresas.A administradora da Bolsa é uma das entidades que buscam habilitação junto ao BC para fazer o registro das chamadas duplicatas estruturais e quer aproveitar os avanços regulatórios, em meio a um cenário de juros altos, para turbinar sua participação nesse segmento. Leia tambémPMEs enfrentam inadimplência e dificuldade de crédito: cenário para 2025 preocupaAperto monetário deixa crédito mais caro e inacessível e compromete empresas já endividadasSuporteAliás, não apenas como registradora de duplicatas, mas também ofertando produtos e serviços relacionados ao instrumento, aproveitando a tecnologia de dados da qual dispõe.“O crédito ainda vai ser uma via super importante a ser explorada e as empresas têm a opção de se financiar com base nos recebíveis que ele tem para o fluxo de caixa de mais curto prazo”, disse Humberto Costa, diretor de produtos da B3. “A duplicata é um mecanismo de suporte ao crédito muito importante para o mercado como um todo e a gente acha que a norma vai destravar oportunidades”. Costa acredita que, com as mudanças, vai ser mais fácil inserir as duplicatas no ecossistema do mercado de capitais. “Quem sabe daqui a um tempo não conseguiremos empacotar essas duplicatas em uma debênture, por exemplo, e colocá-las para negociação no mercado secundário, atingindo pessoas físicas e outros públicos que não conseguem acessá-las”, afirmou. Após a publicação das normas pelo Banco Central, as empresas interessadas em fazer o registro das duplicatas escriturais precisam elaborar e entregar manuais técnicos. Assim que o BC homologar a operação plena de ao menos duas registradoras, as empresas vão ter se adequar às novas regras. Empresas com faturamento superior a R$ 300 milhões serão as primeiras a aderir à nova regra. The post Duplicata é prioridade e pode ser principal produto de renda fixa da B3, diz diretor appeared first on InfoMoney.