O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), sustentou a análise na Primeira Turma da Corte da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na semana passada no âmbito da tentativa de golpe de Estado. A peça da procuradoria denunciou 34 pessoas, dentre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).Questionado se o julgamento na turma teria tanta credibilidade quanto no plenário, o ministro disse: “Não mudaria nada”.“Talvez se discutíssemos isso no pleno, muito provavelmente aquelas pessoas que quisessem acreditar em votos absolutórios de outros, elas diriam que está correto o voto absolutório”, continuou. Leia Mais: Bolsonaro pede que Dino e Zanin sejam impedidos de julgar denúncia da PGR "Forçação de barra", diz Tarcísio sobre denúncia contra Bolsonaro Defesa alega que general Mario Fernandes não defendia golpe “Não vejo que isso se resolva com uma maior ou menor participação. No caso do julgamento da suspeição do [Sergio] Moro, julgamos na turma e por um tipo de expediente do ministro Fachin, levou-se para o pleno e foi confirmado”, exemplificou.A Primeira Turma é composta pelos ministros: Alexandre de Moraes, relator do caso; Cristiano Zanin, presidente da turma; Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino.Cabe ao relator, Moraes, analisar a denúncia e ouvir a defesa dos denunciados. Nesta terça-feira (25), diversos advogados, incluindo o de Bolsonaro e do ex-ministro Walter Braga Netto, pediram extensão do prazo de 15 dias para a resposta dos denunciados.Se decidir que o caso está apto para julgamento, ele deverá agendar a discussão na Primeira Turma, que decidirá se torna os acusados em réus e se eles responderão processo judicial.Julgamento de Bolsonaro vai colocar o país em guerra, diz cientista político | CNN ELEIÇÕES“Mais grave”O decano avaliou que o relatório da Polícia Federal (PF), no qual a PGR se embasou para ofertar a denúncia, foi realizado com “maestria” e é “robusto”.Após elogiar o relatório da PF e a denúncia “concatenada” da procuradoria, Gilmar avaliou que o caso da tentativa golpista tem conteúdo “mais grave” do que outros julgamentos notórios que viveu, como o Mensalão e o “Petrolão”.“Tivemos denúncias sobre Mensalão, Petrolão e tinham suas especificidades. O que eu vejo é, nesse momento, onde a vista alcança é que o relatório da PF é muito sólido”, citou.“O fato em si também é muito diferente dos demais. No Mensalão se falava que se estava corrompendo a democracia, compra de votos, aqui é uma coisa muito mais grave”, afirmou.“Se fala de matar o presidente da República, o vice-presidente, ministro de Supremo, prender outros, fazer uma intervenção. É algo que, se formos buscar em comparação com o Mensalão, vou dizer que é algo totalmente diverso, a gravidade dos fatos narrados é especial e que se tenha avançado tanto nesse tipo de cogitação, elaboração, me parece algo bastante singular e difícil de comparar com outros casos”, completou.Este conteúdo foi originalmente publicado em Para Gilmar, julgar golpe no plenário ou na turma “não mudaria nada” no site CNN Brasil.