Votação sobre GCM na Câmara tem briga de vereadores e derrota de Nunes

Wait 5 sec.

São Paulo — A discussão na Câmara Municipal de São Paulo sobre a mudança de nome da Guarda Civil Metropolitana (GCM) gerou briga entre vereadores nos bastidores e representou a primeira derrota do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na Casa.A base do governo tentou votar nessa quarta-feira (26/2) o Projeto de Emenda à Lei Orgânica que altera a nomenclatura da GCM para Polícia Municipal. O texto de autoria da vereadora Edir Sales (PSD) foi apresentado em 2017 e já foi aprovado em primeira votação em 2019.Com a decisão do STF que deu às Guardas Municipais o poder de agir como polícia fez com que a base de Nunes resgatasse o projeto para a votação. Como o texto já foi votado anteriormente, ele não precisaria passar pelas comissões permanentes, que ainda nem foram formadas na atual legislatura. Leia também São Paulo PT apresenta substitutivo e votação para novo nome da GCM é adiada São Paulo SP: Nunes anuncia troca do nome da GCM para Polícia Metropolitana São Paulo Nunes lança “prisômetro” com dados de prisões facilitadas por câmeras São Paulo De olho em 2026, Nunes bolsonariza discurso com foco na segurança O próprio Nunes afirmou durante a semana que conversou com o presidente da Câmara, Ricardo Teixeira (União), para que o projeto fosse votado nessa quarta. O texto foi incluído na pauta.O líder do governo, Fábio Riva (MDB), também chegou a afirmar no Colégio de Líderes realizado na terça-feira (25/2), que o projeto deveria ser votado nesta semana e que ele representava um protagonismo da Câmara e não da gestão Nunes.A decisão do STF ocorreu no âmbito de um recurso apresentado pela Câmara Municipal em 2009. À época, um projeto na Casa que garantia à Guarda o poder de polícia foi contestado pelo Ministério Público.Alguns vereadores da oposição protestaram e pediram que fosse feito um debate mais aprofundado sobre o tema.No entanto, a bancada do PT e o vereador Rubinho Nunes (União), que é desafeto do prefeito, apresentaram substitutivos para o projeto, o que impediu a votação devido à ausência de comissões. Com isso, Teixeira teve de encerrar a sessão sem votação. Ele ainda desconvocou as outras sessões extraordinárias marcadas para esta semana, deixando a discussão para depois do Carnaval.Nos bastidores, o clima foi quente. O vereador Lucas Pavanato (PL), que tem se posicionado de forma crítica ao governo e incomodado o entorno de Nunes, cobrou mais diálogo ao líder do governo na Câmara, Fábio Riva (MDB). Os ânimos se exaltaram e Teixeira teve de intervir para evitar que a briga escalasse.Além disso, o substitutivo apresentado por Rubinho Nunes teve assinatura de vereadores considerados da base, como Isac Félix (PL), André Santos (Republicanos), Carlos Bezerra (PSD), Major Palumbo (PP), Murilo Lima (PP) e Silvão (União), o que foi lido como um sinal de que o prefeito não tem maioria consolidada para votações importantes.Por se tratar de uma alteração na Lei Orgânica, o projeto que muda o nome da GCM precisa da aprovação de dois terços dos vereadores.