O grande problema que o mundo vai enfrentar não é a inflação, tampouco a guerra ou uma crise, mas sim o elevado endividamento dos governos, com uma pressão fiscal que eleva os prêmios de juros longos, avaliou nesta terça-feira (2), Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset e gestor do Fundo Verde. Ao participar de live promovida pela Avenue sobre o cenário global, Stuhlberger destacou que o expansionismo nos gastos dificulta uma reversão das taxas longas, algo que, em sua visão, pode ser agravado no Brasil caso o presidente Lula consiga se reeleger em 2027.SAIBA MAIS: Onde investir para buscar maximizar o seu patrimônio?Use o simulador gratuito do Money Times e receba recomendações de investimento com estratégia e segurançaEmbora o evento tenha sido voltado a discutir a conjuntura externa e seu efeito sobre os portfólios de investidores, Stuhlberger criticou o governo atual e usou o exemplo brasileiro na postura fiscal diversas vezes como algo que não deve ser seguido, ainda que quase todos os países, no momento, estejam elevando os gastos públicos.“Temos um problema fiscal gravíssimo e uma dívida que cresce muito no Brasil”, avaliou o gestor. Ele observou que, com um governo que gasta 38% do PIB sem considerar juros e arrecada o mesmo nível em impostos, a dívida cresce 3% em relação ao PIB por ano. Além disso, é preciso aumentar tributos em R$ 40 bilhões ao ano. “É isso que vai acontecer se Lula ganhar”, alertou.Para Stuhlberger, o expansionismo fiscal implementado pelo governo petista hoje seria irresponsável. “O que o Lula está fazendo agora é uma barbaridade inacreditável com nosso dinheiro”, disse, enquanto comentava a conjuntura global de menor austeridade fiscal. Segundo o profissional, o modelo petista de governar explica, ainda, o patamar de juros extremamente elevado no País.Ao responder pergunta sobre como o Fundo Verde aloca seu patrimônio, ele apontou que a maior parte está atrelada ao CDI, embora seu patrimônio pessoal esteja 70% no exterior e 30% em ativos locais. “O que não fazemos no Verde é ‘play alavancado’ em juro e câmbio”, comentou.Sem guerra até a copa (e além) Em sua apresentação, Luis Stuhlbergerafirmou que conta com uma trégua na guerra no Oriente Médio até o início da Copa do Mundo de 2026. A partida de abertura do evento esportivo, sediado nos Estados Unidos, México e Canadá, acontecerá no próximo dia 11.Stuhlberger avalia que a pausa no confronto se estenderia, ao menos, até as eleições de meio de mandato nos EUA, que ocorrem em 3 de novembro. Isso porque, ao contrário de outros conflitos, que aumentaram a popularidade dos presidentes em exercício, o atual é a que trouxe menor aprovação para a administração Trump, observou o gestor.“Se algo não for feito, o Partido Republicano corre o risco de perder a House Câmara dos Deputados e o Senado”, alertou. Ele ainda cogitou, em um cenário hipotético, a seleção iraniana em campo nos EUA e ovacionada por opositores do governo Trump, como os democratas.Sobre os impactos econômicos da guerra, além da pressão fiscal em diversos países, que elevaram gastos com defesa, Stuhlberger avaliou que o efeito maior se deu sobre a inflação, mais do que na atividade, embora o mundo não esteja “inflacionista”.“Há inflação de petróleo e bens industriais, mas salários e aluguéis estão sob controle e vivemos em mundo onde a Ásia é grande exportador de deflação”, observou.