Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do PovoViolênciaPor Gustavo Maultasch03/06/2026 às 14:40Prefira a Gazeta no GoogleEm nenhum momento a polícia quis ouvir a versão de Henry Nowak, que estava estirado ao chão, com óbvios sinais de dor e sofrimento. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)Ouça este conteúdoHenry Nowak, estudante britânico (e branco) de 18 anos, foi assassinado em dezembro de 2025. Ele voltava para casa à noite, por volta das 23:30, quando teve uma altercação verbal com um homem de origem indiana e, em seguida, foi esfaqueado cinco vezes.Até aqui, seria uma tragédia de violência urbana como muitas outras que, infelizmente, somos instados a testemunhar; mas o caso tornou-se paradigmático por conta da reação da polícia durante a ocorrência.Após receber a ligação de emergência e chegar ao local, a polícia ouviu apenas a versão do assassino, segundo a qual Henry seria o agressor e estaria promovendo ofensas racistas contra ele. Em nenhum momento a polícia quis ouvir a versão de Henry, que estava estirado ao chão, com óbvios sinais de dor e sofrimento. Henry dizia que havia sido esfaqueado e que não conseguia respirar, mas os policiais apenas o ignoravam e, por vezes, menosprezavam suas súplicas. E ainda por cima, como o assassino havia dito que Henry seria o agressor, a polícia ainda o algemou ao chão: ele faleceu assim, algemado, sob o deboche da polícia que o deveria proteger.Agora em junho o seu assassino foi sentenciado e, em seguida, a família Nowak veio a público pedir uma investigação sobre a atuação da polícia no caso. Com isso, houve grande mobilização nas redes sociais, o que gerou pressão sobre a polícia para que liberasse a gravação da câmera corporal. Todos esses fatos que narrei acima, em especial a reação vexaminosa da polícia durante ocorrência, acabaram por se disseminar agora, com a divulgação das imagens.Na moral neocomunista, quando A e B brigam, devem-se analisar quem são A e B; a que grupo pertencem; e quem tem o jeitão de ser mais 'oprimido' que o outro. É por isso que, num assalto, o progressista com frequência fica do lado do bandidoUma das principais características do comunismo é a destruição da moral tradicional, e sua substituição por uma moral baseada nos objetivos revolucionários. Na moral tradicional – que costumamos associar à herança judaico-cristã, mas que também se assemelha à ética aristotélica –, a avaliação ética de uma situação deve ser feita analisando-se os comportamentos encontrados naquela ação. Numa briga entre A e B, por exemplo, devem-se analisar os antecedentes, quem deu início a briga, as predisposições anteriores ao caso, as motivações envolvidas, e assim por diante, para que se possa adjudicar quem está certo ou errado.Esse tipo de ética está – ou pelo menos estava – bem assentada nas fundações do Ocidente, em especial na ideia do monoteísmo ético, segundo o qual Deus não busca sacrifícios ou agraciamentos, mas sim o comportamento ético de seus devotos. Ao longo do tempo, o monoteísmo ético demonstrou-se capaz de integrar e fortalecer sociedades, ao conferir previsibilidade aos comportamentos, permitir a correção de erros, e reconhecer a igualdade de todos perante um Deus que se interessa não pelo que você é, mas pelo que você faz no dia a dia. E a redenção está sempre aberta; pecou hoje? Não se desespere, não se entregue ao Mal, porque amanhã você pode-se corrigir.Vê-se que, ao manter abertas as portas da graça, essa moral é pacificadora, o que obviamente não interessa ao comunismo. Não à toa, se quiser ser bem-sucedido em destruir a ordem atual, o comunismo precisa, primeiramente, destruir essa moral.O comunismo substitui assim essa moral por uma moral baseada na identidade dos envolvidos; estará certo aquele que pertencer a uma categoria que seja de interesse revolucionário. No passado, eram os proletários; mas depois que a vanguarda comunista percebeu que os proletários não queriam a revolução, ela escanteou-os e passou a incensar grupos como mulheres, gays, negros, trans, e assim por diante. (Por conta dessa e outras diferenças é que me refiro ao comunismo atual como neocomunismo).Na moral neocomunista, quando A e B brigam, devem-se analisar quem são A e B; a que grupo pertencem; e quem tem o jeitão de ser mais “oprimido” que o outro. É por isso que, num assalto, o progressista com frequência fica do lado do bandido; até porque “bandido” também é outra “minoria” que eles consideram protegida.VEJA TAMBÉM:Neymarfobia e progressismoA atualidade do neocomunismo de DirceuDisso resulta, evidentemente, a total incapacidade de se estabelecer a justiça; a destruição da confiança na sociedade; o fim da previsibilidade dos comportamentos; e, mais grave ainda, a criação de uma vasta rede de incentivos em que agentes maldosos abusam dessa moral para fazer avançar o seu próprio projeto (por vezes violento) de poder. Se a sentença já está dada sem importar o que eu fizer, por que farei o que teria de fazer?Conferiu-se assim passe livre, liberdade total aos grupos intocáveis da esquerda; e restringiu-se a liberdade de qualquer um fora desses grupos, ou qualquer um que ousasse questionar essa moralidade torta do neocomunismo. O padrão duplo é evidente, mas ele não é um acidente; ele é parte intencional do projeto mesmo.E mais: quem quiser corrigir esse sistema, não basta simplesmente tomar cuidado e evitar ser racista. Como o racismo é parte formativa e intrínseca da sociedade, não basta não ser racista; é preciso ser antirracista, dizem eles. Isso ensina aos demais que, em qualquer situação, é proibido ser imparcial; deve-se, na realidade, agir ativamente em benefício daquele que represente o “oprimido” na ocasião.Franqueou-se, assim, o vale-tudo contra o branco, por mais virtuoso que seja. Com a valorização axiomática de todo e qualquer grupo identificado como “oprimido”, a vida do branco cis hetero simplesmente não vale mais nada. Ao chegar na cena do crime, a polícia já havia emitido a sua sentença: na briga entre um branco e um indiano, o branco estará errado.Está errado, portanto, dizer que a polícia “errou”; na realidade, eles agiram perfeitamente de acordo com a cartilha neocomunista, segundo a qual algumas vidas valem mais que as outras mesmo. Isso é apenas a consequência natural da destruição moral promovida pelo neocomunismo, e sua conquista de hegemonia nas mais diversas instituições do Ocidente.Conteúdo editado por: Jocelaine SantosGustavo MaultaschGustavo Maultasch é diplomata e autor do livro "Contra toda Censura: Pequeno Tratado sobre a Liberdade de Expressão", lançado pela Avis Rara. É formado em direito pela UERJ, mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco e doutor em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago. Foi Network Fellow do Centro de Ética de Harvard (2013-2014). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.Encontrou algo errado na matéria?Comunique errosUse este espaço apenas para a comunicação de errosPrincipais ManchetesEsquerda aciona STF contra Flávio e repete estratégia usada contra Jair BolsonaroLula pode virar “novo Maduro”; acompanhe o Sem RodeiosRepublicanos estabelece distância de Flávio Bolsonaro e quer testar Cleitinho para o PlanaltoFlávio Bolsonaro reage a Lula e exibe cartaz com os dizeres “o PIX é do Brasil e do Bolsonaro”Tudo sobre:ComunismoRacismoViolênciaWHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.Gazeta do PovoNotíciasOpiniãoInformações