Vida Veg expande atuação nacional e consolida portfólio plant-based

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Fundada em 2016, em Lavras, no sul de Minas Gerais, a Vida Veg entrou em uma nova etapa de expansão. Com faturamento de R$ 100 milhões em 2025, presença em todas as capitais brasileiras e um portfólio de quase 60 produtos, a empresa se consolidou como uma das principais fabricantes nacionais de alimentos plant-based. Agora aposta na ampliação de algumas categorias para acelerar o crescimento nos próximos anos.Desde o início, a estratégia da companhia foi diferente da adotada por boa parte das empresas do setor. Em vez de concentrar esforços apenas em bebidas vegetais, a marca investiu na verticalização da operação, construindo uma indústria própria e desenvolvendo um amplo portfólio de produtos. Leia Mais Jabuticaba, açaí e guaraná: brasileiras entre as melhores frutas do mundo Pará terá programa para impulsionar produção de açaí Polpanorte projeta R$ 600 milhões e aposta em novos produtos Hoje, a Vida Veg produz bebidas vegetais, iogurtes, queijos, requeijões, sobremesas, cremes, spreads e homus à base de ingredientes como castanha de caju, coco, aveia e grão-de-bico.“Nós não queríamos ser apenas uma marca de bebida vegetal. A proposta era participar da rotina do consumidor ao longo do dia”, afirmou o fundador e diretor-presidente da empresa, Álvaro Gazoll, em entrevista à CNN Agro.O resultado dessa estratégia aparece na distribuição das vendas. O produto individual mais vendido da companhia atualmente é a muçarela fatiada produzida à base de castanha de caju. Ainda assim, o item representa apenas 4% do faturamento total da empresa, reflexo da diversificação do portfólio.Capacidade para crescerA principal matéria-prima utilizada pela empresa é a castanha de caju, adquirida principalmente nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará. Segundo a companhia, mais de 100 toneladas são compradas anualmente.Perspectiva de avanço no plantio da soja para 10 anos é muito boa, diz Fava Neves | MONEY NEWSAlém da castanha, a empresa utiliza coco produzido no Nordeste e aveia nacional certificada sem glúten. A única matéria-prima ainda importada é a amêndoa, atualmente adquirida da Califórnia, nos Estados Unidos, e do Chile.Gazoll avalia, porém, que existe potencial para o desenvolvimento da cultura no Brasil.“Eu acredito que no futuro teremos produção nacional também”, afirmou.Toda a produção está concentrada na unidade industrial de Lavras. A fábrica possui capacidade instalada para produzir mil toneladas de alimentos por mês, mas atualmente opera entre 30% e 40% desse volume.Segundo o executivo, a estrutura foi planejada justamente para suportar uma forte expansão nos próximos anos.“A fábrica foi preparada para crescer. Primeiro você investe na estrutura industrial, porque ela demora mais para ser construída. Agora temos espaço para acelerar”, afirmou.A localização da unidade em Minas Gerais foi definida estrategicamente pela proximidade com os principais centros consumidores do país. Atualmente, cerca de 60% das vendas estão concentradas na região Sudeste, embora os produtos já estejam presentes em supermercados de todas as capitais brasileiras.Crescimento acelerado após a pandemiaO crescimento da Vida Veg ganhou força principalmente após a pandemia. Entre 2020 e 2024, a empresa registrou taxas anuais de expansão superiores a 60%, chegando a ultrapassar 100% em alguns períodos.Para 2026, a expectativa é de um avanço mais moderado, mas ainda expressivo, de cerca de 25%.Segundo Gazoll, o mercado global de produtos plant-based passou por um período de forte entusiasmo, especialmente em torno das chamadas carnes vegetais que buscavam reproduzir características sensoriais dos produtos de origem animal.Com o passar dos anos, porém, parte dessas iniciativas perdeu força diante das críticas relacionadas ao elevado grau de processamento de alguns produtos.“O consumidor quer produtos mais naturais, com ingredientes que ele conhece”, afirmou.Aquisição amplia presença em proteínas vegetaisSeguindo essa tendência, a Vida Veg decidiu reforçar sua atuação em categorias consideradas mais naturais e funcionais.No início de 2026, a companhia anunciou a aquisição da Plant Choice, marca especializada em embutidos vegetais produzidos com ingredientes como proteína de ervilha, proteína de trigo, cogumelos e azeite de oliva.O portfólio inclui linguiça vegetal à base de cogumelos, além de produtos inspirados em pastrami, presunto tipo parma e peito de peru vegetal.“A Plant Choice está muito alinhada ao que acreditamos: produtos com lista de ingredientes limpa e fácil de entender”, disse Gazoll.Segundo ele, o próximo passo será ampliar a distribuição da marca utilizando a estrutura comercial já consolidada da Vida Veg em todo o território nacional.Tributação ainda é desafio para o setorApesar do avanço do mercado de alimentos vegetais, Gazoll avalia que ainda existem obstáculos importantes para a expansão do consumo no Brasil.Entre eles está a carga tributária incidente sobre produtos plant-based. Segundo o executivo, bebidas vegetais podem chegar ao consumidor com preços até quatro vezes superiores aos do leite convencional, em grande parte devido à tributação.“Isso limita o acesso e reduz a velocidade de crescimento do mercado”, afirmou.Mesmo diante dos desafios, o empresário mantém uma visão otimista sobre o futuro do setor.Para ele, o avanço dos alimentos vegetais não representa uma substituição completa das proteínas animais, mas uma mudança gradual nos hábitos alimentares dos consumidores.“Não acredito no fim do consumo de proteína animal. O que vejo é um movimento de equilíbrio, com as pessoas incorporando mais opções vegetais na rotina”, concluiu.