O Bitcoin começou junho da pior forma possível, caindo 10% em apenas três dias e chegando a perder o nível de US$ 66 mil, no seu menor preço desde o fim de março. A maior criptomoeda do mundo chegou a recuar mais de 5% na terça (2) e acumula perda de cerca de 15% em sete dias, em um movimento que não parece ter chegado ao fim ainda.A queda não foi provocada por um único fator, mas por uma combinação de eventos negativos que atingiram o mercado ao mesmo tempo. Entre eles estão o aumento das tensões geopolíticas envolvendo Irã e Estados Unidos, a sequência de saídas dos ETFs de Bitcoin à vista, a venda de BTC pela Strategy e a movimentação de mais de 10 mil bitcoins ligados à antiga corretora Mt. Gox.A perda da faixa de US$ 70 mil também teve impacto técnico. Esse nível era observado por traders como uma região importante de suporte e, ao ser rompido, ajudou a acionar ordens automáticas de venda e liquidações de posições compradas. Segundo dados de mercado, mais de US$ 1 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas em apenas 24 horas na terça, aumentando a velocidade da queda.As altcoins acompanharam o movimento. Nesta quarta, o Ethereum cai cerca de 5%, assim como a Solana e a BNB. Entre as poucas exceções, Hyperliquid e Zcash estão subindo forte desde maio.Peso geopolíticoO principal pano de fundo da queda é a piora do apetite global por risco. O Irã chegou a anunciar o encerramento das negociações diplomáticas com os Estados Unidos e voltou a ameaçar o fechamento do Estreito de Ormuz e do Estreito de Bab el-Mandeb, duas rotas fundamentais para o comércio global de energia. Ainda assim, o presidente Donald Trump diz que ainda há negociação, mantendo o clima de incerteza.A ameaça elevou os preços do petróleo e reacendeu temores de inflação. Quando o petróleo sobe com força, investidores passam a precificar um ambiente mais difícil para cortes de juros, já que energia mais cara pressiona custos em toda a economia. Para ativos de risco, como ações de tecnologia e criptomoedas, esse cenário tende a ser negativo.Leia também: 10 criptomoedas que podem disparar em junho, segundo analistasO impacto também foi reforçado por dados do mercado de trabalho americano. O relatório JOLTS mostrou 7,62 milhões de vagas abertas nos Estados Unidos em abril, acima das expectativas do mercado. O número sugere uma economia ainda resiliente e reduz a urgência para que o Federal Reserve corte juros no curto prazo.Com isso, o Bitcoin ficou preso entre dois vetores negativos: de um lado, a tensão geopolítica aumenta a busca por proteção e liquidez; de outro, dados econômicos fortes nos EUA mantêm juros elevados por mais tempo, reduzindo o apelo de ativos mais voláteis.Saídas de ETFsOutro fator importante foi a saída de dinheiro dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Na segunda-feira, esses produtos registraram resgate líquido de US$ 483,8 milhões, com mais US$ 519,2 milhões de saídas na terça, ampliando a sequência negativa dos ETFs para 12 dias.Nas últimas três semanas, os ETFs acumularam cerca de US$ 3,7 bilhões em saídas, o pior período desde novembro de 2025. A leitura é relevante porque esses fundos vinham funcionando como uma das principais portas de entrada institucional para o Bitcoin desde sua aprovação.Quando há fluxo positivo, os ETFs ajudam a absorver oferta e criam uma demanda recorrente pelo ativo. Quando os resgates se acumulam, o efeito se inverte: gestores precisam vender ou ajustar posições, reforçando a pressão vendedora no mercado à vista.Os ETFs de Bitcoin tiveram em maio a pior saída mensal de 2026, com US$ 2,43 bilhões retirados dos produtos. Esse movimento apagou, de uma vez, boa parte do efeito positivo visto em abril, quando os fundos haviam registrado entradas líquidas relevantes.Venda da StrategyA venda de 32 bitcoins pela Strategy, empresa de Michael Saylor, foi o gatilho que faltava para os preços realmente afundarem. A operação movimentou cerca de US$ 2,5 milhões e representa uma fração mínima da tesouraria de mais de 843 mil BTC da companhia, mas seu impacto foi gigantesco no sentimento do mercado.A Strategy construiu sua imagem como a maior compradora corporativa de Bitcoin do mundo e como uma empresa orientada à acumulação permanente do ativo. Quando essa companhia vende, mesmo uma fatia irrisória, o mercado passa a questionar se o BTC em tesouraria pode ser usado com mais frequência para cumprir obrigações financeiras.Leia também: O que está por trás da venda de Bitcoin da Strategy e por que ela afetou tanto o mercadoSegundo a empresa, os recursos da venda devem ser usados para financiar distribuições de ações preferenciais. Para Saylor, esse tipo de estrutura faz parte da gestão de capital da companhia e pode ajudar a financiar obrigações corporativas e futuras captações para comprar mais bitcoins.Ainda assim, o movimento reacendeu discussões sobre a complexidade da Strategy. A empresa deixou de ser apenas uma companhia com Bitcoin no balanço e se tornou uma estrutura financeira com ações ordinárias, dívida conversível e ações preferenciais. Isso torna o mercado mais sensível a qualquer sinal de que a reserva de BTC possa ser usada como fonte de liquidez.Ao mesmo tempo, houve contrapontos positivos no segmento de tesourarias corporativas. A Strive aproveitou a queda para comprar 2.500 bitcoins, investindo cerca de US$ 185,2 milhões a um preço médio próximo de US$ 74 mil. Com isso, passou a deter cerca de 19 mil BTC e se consolidou entre as maiores tesourarias corporativas de Bitcoin.O que esperar agoraDo ponto de vista técnico, o Bitcoin passa a testar uma região decisiva entre US$ 65.800 e US$ 67 mil, conforme aponta o Decrypt. Essa faixa é vista como primeiro suporte relevante após a perda dos US$ 70 mil. Se conseguir se estabilizar nesse intervalo, o ativo pode tentar um repique técnico, especialmente porque alguns indicadores já mostram sinais de sobrevenda.O Índice de Força Relativa (RSI) diário do Bitcoin chegou a 22,7, nível considerado bastante sobrevendido. Em tese, leituras tão baixas podem abrir espaço para recuperações de curto prazo. O problema é que outros indicadores ainda mostram uma tendência de baixa forte, o que significa que a sobrevenda, sozinha, não garante uma reversão imediata.Para melhorar o cenário de curto prazo, analistas apontam que o Bitcoin precisaria recuperar a região de US$ 70 mil e transformar novamente esse nível em suporte. Depois disso, a zona de US$ 76 mil aparece como resistência importante, por ter sido uma área de tentativa de recuperação em movimentos anteriores.Se a faixa atual for perdida, o próximo suporte mais relevante aparece entre US$ 60 mil e US$ 62 mil, região próxima de médias móveis acompanhadas por traders de longo prazo. Abaixo disso, aumenta o risco de o mercado começar a discutir alvos mais pessimistas, como US$ 55 mil.A direção do preço, portanto, deve depender de três sinais principais nos próximos dias: estabilização ou reversão dos fluxos dos ETFs, alívio nas tensões geopolíticas e capacidade do Bitcoin de recuperar rapidamente os US$ 70 mil. Sem esses elementos, o mercado pode continuar vulnerável a novas liquidações e a uma busca por suportes mais baixos.A porta de entrada para o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, está no MB. É simples, seguro e transparente. Deixe de adiar um investimento com potencial gigantesco. Invista em poucos cliques!O post Por que o Bitcoin caiu para US$ 66 mil e o que esperar agora apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.