Até o fim da semana passada, a visita de Flávio Bolsonaro a Donald Trump foi vista como uma ótima estratégia política para tirar o foco dos áudios vazados entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro.O encontro saiu melhor do que o esperado, pois, dias depois, Trump classificou o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Flávio Bolsonaro explorou bem o tema politicamente, vendendo a ideia de que ele teve interferência na decisão do presidente americano que foi apoiada majoritariamente pela população brasileira. Na percepção popular, os EUA poderão trazer algum benefício na segurança pública brasileira.Tudo ia muito bem para o senador até começar esta semana. Na segunda-feira (01), Trump anuncia tarifas protecionistas de 25% contra o Brasil. É claro que Flávio Bolsonaro não teve nada a ver com isso, mas o tempo (timing) de sua visita não ajudou.Da mesma forma que ele foi associado positivamente à medida de classificar as organizações criminosas como terroristas, agora, a esquerda relaciona o senador ao novo tarifaço de Trump.Se o passado é um bom guia, Flávio Bolsonaro deve rechaçar veemente a decisão norte-americana para que Lula não explore politicamente o discurso da interferência da soberania como fez no ano passado e lhe rendeu subida nas pesquisas eleitorais.Nessas horas, é importante o senador se espelhar em Tarcísio que de cara se afastou da questão, aprendendo com o erro do passado.