O Ministério Público Federal denunciou o chileno Germán Andres Naranjo Maldini após ter proferido falas racistas, homofóbicas e xenofóbicas a tripulantes e funcionários brasileiros em São Paulo entre os dias 11 e 15 de maio. Além disso, segundo o órgão, o passageiro colocou em risco a segurança de outros cidadãos e dos funcionários da companhia ao tentar abrir a porta da aeronave.Germán está preso preventivamente desde o dia 15 de maio e, além de injúria racial, responde por ameaças dirigidas aos agentes da PF (Polícia Federal), desacato e resistência à prisão. Leia Mais Chileno preso por racismo no Brasil já respondeu por ameaça de bomba Chileno preso por racismo: indisciplina em aviões sobe quase 20% no Brasil Empresa demite executivo chileno preso por racismo em voo da Latam Além do caso ocorrido em um voo com destino ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, o chileno também é denunciado por ofensas racistas destinadas a copeiras e uma auxiliar de limpeza que trabalhavam na sala VIP de uma companhia aérea a qual Gérman era atendido. Momentos depois, o homem foi preso no local após a Justiça Federal acatar a denúncia do MPF sobre o primeiro episódio.No inquérito policial obtido pela reportagem, a decisão da 1ª Vara Federal de Guarulhos considerou:“A gravidade concreta das condutas imputadas ao investigado, consistentes, em tese, na prática de injúria racial e homofóbica, bem como atentado contra a segurança de transporte aéreo, praticados no interior de aeronave em voo internacional, inclusive com tentativa de abertura da porta da aeronave, circunstância capaz de colocar em risco a integridade física e a vida de múltiplas pessoas.”Assim como entendeu que o inconformismo do acusado e o histórico psíquico defendido pela defesa não alteram os crimes cometidos.Relembre o casoO caso do chileno ficou em evidência após um vídeo gravado por um dos tripulantes que o denunciou mostrar os gestos preconceituosos adotados pelo passageiro. Nas imagens que a CNN Brasil teve acesso, é possível ver o homem imitando um macaco em direção ao funcionário. Além disso, o chileno é flagrado dizendo “Ele é gay, eu não sou gay. Para mim é um problema ser gay”.Após ser questionado sobre as falas, Gérman insiste em dizer que possuía problema com “o cheiro de preto” e “o cheiro de brasileiro”.Veja o vídeo cedido à CNN Brasil pelo portal @livresiguaisbr:https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/05/WhatsApp-Video-2026-05-16-at-09.43.09.mp4Ao ser notificada, a PF do próprio aeroporto, instaurou uma investigação que decretou a prisão preventiva do homem. O indivíduo foi localizado e preso ao retornar de Frankfurt, em conexão no Brasil.De acordo com o MPF, os agentes foram desacatados e precisaram usar algemas por causa da resistência do, à época, investigado. Além disso, Gérman teria feito ameaças de morte aos policiais.Afastado do trabalhoApós a repercussão, o chileno, que era executivo comercial há mais de 10 anos de uma empresa de fabricação de pescados chamada Landes, foi afastado do cargo. A companhia disse, em comunicado no dia 15, que foi notificada sobre o caso pela imprensa e tomou as medidas cabíveis. Ela repudiou as atitudes vindas do homem e ressaltou que não existe justificativa para esse tipo de ação.Advogado defende avaliação psicológicaA defesa de Germán Andrés Naranjo Maldini informou que pediu à Justiça Federal uma avaliação da condição clínica e do estado mental do estrangeiro.Segundo o advogado criminalista Carlos Kauffmann, representante do homem, Germán relatou não ter clareza sobre os acontecimentos registrados durante o voo e disse que está abalado, envergonhado e arrependido.Veja nota na íntegra:“Estivemos com o Germán hoje, e ele fez uma declaração na qual ele reconhece que, por força de tratamento psiquiátrico, o qual ele é submetido há mais de 13 anos, já tendo sido internado por essas questões, remédios que está tomando, ele não sabe o que aconteceu. Não tem noção do que houve.Está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante Bruno, que se sentiu ofendido, dizendo que essa conduta é incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional.Neste sentido, o que o Herman precisa é de tratamento. Ele toma medicamento, medicamento controlado, e certamente ele busca tratamento para que ele possa se recompor. Peticionamos hoje à Justiça Federal para trazer dados e fatos até então desconhecidos, no sentido de que Herman precisa de tratamento médico, que já foi internado, toma medicação de uso controlado e é indispensável que seja avaliada a sua condição, o seu estado mental, ainda que esteja preso.”*Sob supervisão de Manuella Dal Mas