PicPay (PICS) reporta lucro acima do esperado, mas ações despencam mais de 15% após balanço; o que desagradou o mercado?

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Negociadas na Nasdaq, as ações da brasileira PicPay (PICS) despencam nesta quarta-feira (3) em reação aos números do primeiro trimestre (1T26).Por volta de 11h40 (horário de Brasília), PICS caía 15,50%, a US$ 9,44. Na mínima intradia, os papéis chegaram a ser cotados em US$ 9,05. Ontem (2), depois do fechamento dos mercado, a companhia da J&F, holding dos irmãos Batista, reportou lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões no primeiro trimestre do ano, alta de 92% em relação ao mesmo período de 2025, acima da projeção (guidance) da fintech e do consenso de mercado. Essa foi a primeira divulgação de balanço desde que a empresa listou suas ações na norte-americana Nasdaq em janeiro.A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) ajustada ficou em 15,5% no período antes 24,4% quarto trimestre (4T25).CONFIRA OS NÚMEROS EM DETALHES: PicPay tem lucro de R$ 169 milhões no 1º trimestre, com ROE de 15,5%Na avaliação do BTG Pactual, o PicPay teve um desempenho acima do esperado, impulsionado principalmente pelo crescimento mais acelerado da carteira de crédito, margem financeira (NIM) ligeiramente superior ao previsto e uma alíquota de impostos melhor que a esperada.O principal destaque positivo na visão do banco foi o crescimento das receitas com crédito garantido, impulsionado principalmente pela expansão da carteira de crédito consignado privado.Além disso, as projeções da fintech para o segundo trimestre (2T26) também vieram acima do consenso. O PicPay projeta receitas gerenciais de aproximadamente R$ 3,6 bilhões, 4% acima do consenso, e margen financeira (NII, na sigla em inglês) de cerca de R$ 1,9 bilhão, 3% superior ao esperado pelo mercado, impulsionado pela continuidade do crescimento do crédito, expansão dos produtos garantidos e amadurecimento das coortes de cartões.A previsão para o resultado final é de o lucro líquido IFRS de R$ 235 milhões, 17% acima do consenso, enquanto o lucro líquido ajustado projetado de R$ 245 milhões, 9% maior que as estimativas do mercado.A administração reiterou que sua projeção de lucro para o ano permanece inalterada, apesar da deterioração de alguns indicadores de crédito do mercado. Segundo a companhia, isso é sustentado por uma carteira considerada mais resiliente — cerca de 55% garantida — e por uma política disciplinada de retorno ajustado ao risco.O que desagradou o mercado e derruba as ações?Apesar da leitura positiva do balanço, com resultados classificados como “sólidos” peo BTG Pactual, os analistas do banco consideraram que o balanço pode ser interpretado de “forma mista” pelos investidores, diante das preocupações em relação à qualidade dos ativos. Em relatório, Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale chamaram a atenção para inadimplência mais elevada no trimestre. “Embora o PicPay continue apresentando desempenho superior em termos de retorno ajustado ao risco — aspecto novamente destacado pela administração durante a teleconferência como foco central da política de concessão de crédito — os investidores seguem bastante preocupados com o risco de inadimplência”, afirmaram. Entre janeiro e março, o índice de inadimplência acima de 90 dias alcançou 8,9%, alta de 169 pontos-base no período. A cobertura caiu 26 pontos percentuais no trimestre a trimestre, para 156%, ficando 10 pontos percentuais abaixo da projeção do BTG Pactual. Os atrasos iniciais também aumentaram 80 pontos-base, para 8,4%, pressionados principalmente por efeitos sazonais. A formação de inadimplência acima de 90 dias subiu 60 pontos-base na base trimestral para 3,9%, acima das expectativas.“Ainda assim, é importante destacar que o índice de inadimplência do PicPay sofre um efeito mecânico decorrente da rápida expansão da carteira e das mudanças em sua composição e prazo médio, o que deve continuar exercendo pressão de alta sobre o indicador”, escreveram os analistas em relatório. O trio ainda destacou que a administração do PicPay já afirmou que a inadimplência deve continuar subindo antes de se estabilizar em níveis de baixa dezena (“low teens”) até o final do ano, à medida que o crescimento da carteira desacelera em relação aos níveis excepcionalmente elevados observados nos últimos anos. “Dessa forma, apesar de a companhia ter reiterado que o custo de risco e a formação do estágio 3 devem permanecer relativamente estáveis, em torno de 4%, acreditamos que será difícil observar uma reprecificação relevante das ações no curto prazo até que haja maior visibilidade sobre a estabilização da inadimplência”, consideraram os analistas. O BTG Pactual mantém a recomendação de compra para PICS com preço-alvo de US$ 20, o que implica em um potencial de valorização de 79,1% sobre o preço de fechamento anterior. Para os analistas, o valuation da fintech segue “atrativo”.