O mercado de petróleo vem vivendo o que pode ser descrito como um verdadeiro “annus horribilis”, marcado por interrupções nas exportações do Oriente Médio em meio aos conflitos na região. Nesse contexto, enquanto os Estados Unidos ampliam sua produção, a América do Sul vem se consolidando como uma nova fonte de oferta global de petróleo bruto.Segundo a Reuters, impulsionada principalmente por Brasil, Guiana e Venezuela, a região registra, até agora neste ano, o maior aumento nas exportações entre todos os blocos produtores, redesenhando fluxos comerciais e reforçando o papel da bacia do Atlântico no abastecimento global.O avanço ocorre em meio à forte queda nos embarques do Oriente Médio, tradicionalmente responsável por cerca de 43% das exportações marítimas globais de petróleo na última década. O fechamento quase total do Estreito de Ormuz desde final de fevereiro reduziu os envios da região em mais de 25% entre janeiro e maio, gerando um déficit estimado em cerca de 675 milhões de barris.Diante desse cenário, o mercado tem recorrido aos estoques e passado a dar maior relevância ao aumento da oferta em outras regiões. Os Estados Unidos lideram o ranking global de exportações, mas o crescimento sul-americano se destaca pela velocidade e pelo impacto estrutural. A região registrou um salto de aproximadamente 155 milhões de barris nas exportações em termos anuais, superando a expansão combinada de todas as demais regiões.Brasil, Guiana e Venezuela responderam pela maior parte do avanço regional, com aumento conjunto de cerca de 145 milhões de barris, número que ultrapassa 157 milhões quando incluída a Argentina.Apesar de recuos pontuais nas exportações de países como Colômbia, Equador e Peru, o volume total embarcado pela América do Sul atingiu um recorde de 787 milhões de barris entre janeiro e maio, alta de 84% em relação ao mesmo período de 2021.Brasil e Guiana lideram esse movimentoO Brasil mantém a posição de maior exportador da região desde 2019 e elevou seus embarques para mais de 361 milhões de barris em 2026, o que representa um avanço de 71% em cinco anos.Já a Guiana se destaca pelo ritmo acelerado de crescimento. O país, que iniciou suas exportações em 2020, multiplicou seus embarques, passando de cerca de 17 milhões de barris em 2021 para aproximadamente 137 milhões neste ano — um salto de 700%.A expectativa é de continuidade dessa expansão, especialmente com novos projetos em desenvolvimento, impulsionados por grandes investimentos internacionais. Sem capacidade própria de refino, praticamente toda a produção adicional guianense tende a ser destinada ao mercado externo.Há perspectivas de avanço também nas exportações da Venezuela.