História da Nextel: conheça a ascensão e o fim da operadora

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O mercado de telefonia móvel é bastante disputado, com relativamente pouco espaço para operadoras de pequeno porte ou ideias fora do comum. Por vários anos, porém, a Nextel conseguiu navegar entre as gigantes e até conquistar um espaço considerável no mercado — com destaque especial para o Brasil.A tecnologia de comunicação via rádio instantâneo marcou época e até o barulho emitido por esses aparelhos virou algo de conhecimento geral da população. A empresa encontrou dificuldades para sobreviver a longo prazo, mas revisitar o período de sucesso é fazer uma viagem no tempo para uma época importante dos celulares no país. Como surgiu a Nextel?A Nextel é uma empresa mais antiga do que muita gente imagina e, apesar da fama por aqui, não começou no Brasil. Em 1987, ela foi fundada sob o nome FleetCall por Brian McAuley e Morgan O'Brien na cidade estadunidense de Reston, na Virginia.Três anos depois, o empresário Craig McCaw assume a diretoria da FleetCall e faz expansões importantes. Em uma delas, de 1993, ela muda de nome e se torna Nextel Communications.O nome não tem muito segredo no significado: vem da mistura de "next", que é próximo em inglês, combinado com o prefixo de telefone ou telefonia. No mesmo ano, ela faz uma fusão com uma empresa chamada Onecomm e expande para o Canadá.Chegada da Nextel ao BrasilFoi em 1997 que a Nextel chegou ao Brasil pela NII Holdings, a unidade internacional do grupo. São Paulo e Rio de Janeiro foram as primeiras regiões e, mais tarde, ela expande até para mais países da América Latina. Na chegada, ela adquire empresas de menor porte que atuavam na área.A Nextel era focada no mercado de trabalho, como pessoas que precisavam se comunicar com outros membros da equipe ou empresas com prestadores de serviço nas ruas. No Brasil, foram vários setores do mercado e da indústria que adotaram a tecnologia para esse tipo de contato direto.A cor laranja virou a identidade da empresa no Brasil. (Imagem: Divulgação/Nextel)Aqui, ela também ficou famosa por propagandas criativas e até polêmicas. Em um período da disputa por mercado, ela recorreu bastante ao uso de celebridades para contar histórias de superação, como Junior Lima e Daniela Cicarelli, ou esportistas, como Cacá Bueno da Stock Car e Neymar. Outra lembrança comum é a propaganda com o ator João Côrtes, antes conhecido como 'o ruivo da Vivo':  o anúncio cutucava as rivais e chegou a ser proibida pelo Conselho Nacional de Propaganda (Conar).Como funcionava o "rádio" da NextelA empresa trabalhava por comunicação por rádio móvel especializado (SMR, na sigla em inglês). Esse era um protocolo de chamada criado pela Motorola e que permitia ao usuário falar com outras pessoas em tempo real no sistema push-to-talk – ou "pressione para falar", em tradução livre.Essa tecnologia fazia um telefone móvel funcionar mais ou menos como um walkie-talkie, rápido pra estabelecer uma ligação direta com um modelo parecido. Só em 1996 ela consegue os direitos de uso de outro padrão, o Integrated Digital Enhanced Network (iDEN). Esse é outro protocolo da Motorola, paralelo ao celular e mais avançado, servindo tanto pra comunicação pessoal quanto corporativa.Ele é instantâneo e sem fio, com um estilo de comunicação via rádio. Com o plano da operadora, o cliente poderia fazer chamadas gratuitamente para outro aparelho com o iDEN da Nextel.Os aparelhos mais popularesAo longo da história, a Nextel foi oferecida em diversos celulares e smartphones que ganharam popularidade no mercado, inclusive no Brasil. Não é coincidência que a maioria deles era oferecido pela já parceira Motorola, que também nessa época já era bem forte por aqui.Um dos primeiros e mais difundidos aparelhos da operadora foi o Nextel I600, de 1998;Dois anos depois saiu o Motorola i550 Plus, que era grande e pesado, mas aguentava mais pancadas;Já o Motorola i930 foi o primeiro smartphone iDEN do mercado brasileiro, com Windows Mobile e lançamento em 2006;De 2008, o BlackBerry Curve podia ser um Nextel e era oferecido para quem gostava do modelo mais corporativo;O i465 foi um Nextel icônico. (Imagem: Divulgação/Motorola)Outros modelos da Motorola que saíram depois foram o Motorola i465 de 2009, com teclado analógico e poucas especificações de ponta, o Motorola i1 (2010) já com Android como sistema operacional e o Motorola i867 (2012), que teve até edição especial da Ferrari;Em 2014l até os iPhones 5C e 5S passam a ser compatíveis com a comunicação da Nextel.O sucesso da Nextel brasileira e o clássico "bipe"O sucesso no Brasil foi grande, a ponto do "bipe" que os celulares compatíveis faziam nas mensagens virar um som clássico, que muitos brasileiros ouviam ao longo do dia e sabiam que havia um Nextel por perto.Já em 2005, a empresa de telecomunicação Sprint comprou a Nextel por US$ 35 bilhões, formando a SPRINT NEXTEL nos Estados Unidos. Isso durou até junho de 2013, quando a Sprint acaba com a marca NEXTEL por lá, absorvendo todos os clientes. A divisão da América Latina já era independente, bem sucedida e não foi afetada pela mudança.A expansão da Nextel e concorrência no mercado brasileiroA segunda metade da década de 2010 tem boas notícias. Em 2006, o push-to-talk via computador é liberado entre usuários da Nextel. Um ano depois, ela comemora a marca de 1 milhão de clientes.Além disso, em 2010 ela consegue a autorização para ofertar telefonia móvel depois de comprar concessões da última faixa de frequência de 3G no Brasil. Só que essa operação começou dois anos depois, já atrasada e usando a rede da Vivo, que era alugada por um valor bem alto.Leia também: Que fim levou o Cadê, o 'Google brasileiro' dos anos 2000?A marca como um todo também ganha uma nova identidade visual, com nova logomarca que troca o vermelho pela laranja e a adoção do slogan "Seu mundo. Agora". Ela ainda evoluiu a cobertura para 4G, oferecido primeiro no Rio de Janeiro.Como a empresa entrou em criseO problema é que, entre as boas notícias, a dona da Nextel da América Latina estava com problemas financeiros graves, quase declarando falência e com ações em baixa. A NII Holdings seguia em operação, mas com um teto para futuros investimentos.A partir de 2015, a Nextel até começa a dar prejuízo. Por isso, ela desativa estruturas comerciais em locais considerados não rentáveis e vende as subsidiárias na América Latina para sanar dívidas, mantendo a brasileira funcionando. Nesse período, ela tinha 4 milhões de clientes, a maioria já nas redes 3G ou 4G e vários vindos de portabilidade de outras operadoras.Já em 2017, o executivo Roberto Rittes é contratado como o quarto CEO em quatro anos e busca a reestruturação para equilibrar as contas. Outra mudança corporativa é a aquisição de 30% da Nextel por outra empresa, a AINMT Brasil, controlada pelo Grupo Access.A Nextel estava se transformando, tentando acompanhar o mercado, e chega ao ponto de descontinuar em 2018 a tecnologia de comunicação via rádio instantâneo iDEN. Segundo ela, isso aconteceu pela "perda de atratividade do serviço junto aos usuários" e foi o fim de uma era para a companhia.Quem tinha saudades do formato podia usar o aplicativo PRIP, desenvolvido pela operadora para transformar qualquer smartphone em um Nextel. O mensageiro foi muito criticado pelas limitações e a concorrência era cada vez maior, com serviços como WhatsApp, Skype, FaceTime da Apple, Hangouts do Google e outros formatos.O que levou ao fim da NextelEm 2018, a Nextel foi a operadora que mais cresceu em base de assinantes em relação ao ano anterior, um ganho de 14%. Porém, isso ainda não era o suficiente para a sobrevivência da marca: em 18 de março de 2019, o grupo mexicano América Móvil compra a Nextel por R$ 3,47 bilhões na época. Eles já eram os mesmos donos da operadora Claro no Brasil.Na compra, a Claro estava atrás principalmente das faixas de 1,8 GHz e 2,1 GHz, fora a base pós-paga de clientes de São Paulo e Rio de Janeiro. A Nextel tinha 3 milhões e 300 mil linhas ativas no país, ou 1,4% do mercado brasileiro — e a Claro viraria a vice-líder do setor se absorvesse esses consumidores.O fim gradual até do uso do nome Nextel nos planos da nova dona. (Imagem: Divulgação/Claro)Em outubro de 2020, veio a absorção definitiva: a marca Nextel se transformou em Claro NXT e foi aos poucos sendo apagada. Os clientes passaram a utilizar a rede da Claro para se comunicar e o ponto final da trajetória foi a mudança de nome dos planos que existiam até hoje, agora mantendo somente o nome da nova dona.A Nextel encerrou a vida como quinta colocada no mercado, muito atrás de Vivo, Tim, Claro e Oi, em especial quando só passou a depender da telefonia tradicional. Ela oferecia planos a preços atrativos, mas o auge da comunicação com "bipes" havia passado e brigar contra as gigantes era ainda mais difícil.