Raízen (RAIZ4): sem decisão ainda, assembleias de credores devem ser retomadas na segunda-feira (8)

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As assembleias de debenturistas da Raízen (RAIZ4) aprovaram, nesta quarta-feira (3), a suspensão das reuniões para serem retomadas em 8 de junho, na próxima segunda, segundo atas publicadas pela companhia de açúcar e etanol. As assembleias envolveram a segunda, terceira e quarta emissões de debêntures da Raízen.A companhia havia divulgado anteriormente uma minuta do seu plano de recuperação extrajudicial (RE) levado para deliberação dos credores, buscando uma reestruturação de dívidas no valor aproximado de R$65 bilhões, o maior para esse tipo de negociação na história do Brasil.A proposta inclui injeções de capital, reestruturação da dívida, mudanças na governança e uma reorganização societária na joint venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell.Os termos gerais do plano incluem um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell, a R$ 0,25 no fechamento da operação, além de um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto.A Raízen propõe três opções na minuta. A chamada “Opção A” converte parte da dívida em ações (45%) e o restante (55%) em novos títulos com prazos mais longos. Nesse caso, o investidor vira acionista e continua credor da empresa.Já a segunda proposta prevê que o investidor aceite um desconto de 80% sobre o valor da dívida, recebendo apenas 20% do total, em um único pagamento no futuro previsto para março de 2047.Por fim, o terceiro plano é voltado para pequenos investidores. Ele oferece pagamento mais rápido em dinheiro, equivalente a 75% da dívida, limitado a R$ 9.750. No entanto, existe um limite global de recursos para esse plano, o que pode levar a rateios caso a demanda seja maior do que o montante disponível.A reestruturação abrange ainda uma segregação da empresa em Raízen Energia, com foco nas operações de açúcar e etanol, e Raízen Combustíveis, com a separação prevista para 2027.O conselho de administração passará a ter sete membros, sendo quatro deles, incluindo o presidente, nomeados pelos credores apoiadores e três pelos acionistas contribuintes. A Shell poderá manter ao menos um representante no conselho durante a vigência do contrato de licenciamento da marca.O caso RaízenA Raízen estreou na bolsa em meio ao boom de IPOs de 2021, avaliada em R$ 76 bilhões e com a promessa de liderar uma revolução dos combustíveis verdes, impulsionada pelo etanol de segunda geração (E2G).Na prática, porém, a tese encontrou obstáculos relevantes: o arrefecimento do apetite global por investimentos ESG, o avanço do etanol de milho — alternativa mais barata e escalável — e um cenário de preços pressionados para açúcar e etanol.Quase cinco anos após o IPO, realizado em 5 de agosto de 2021, a joint venture entre Cosan e Shell perdeu valor de mercado e se transformou em uma penny stock, quando uma ação negocia na casas dos centavos. Ao mesmo tempo, a companhia acumulou uma dívida bilionária após um ciclo agressivo de aquisições e expansão de ativos.Na tentativa de reverter essa trajetória, a Raízen iniciou, no fim de 2024, um processo de reestruturação focado na redução da alavancagem. O movimento incluiu uma ampla troca no comando executivo, com a chegada de Nelson Gomes ao cargo de CEO, após passagens por ExxonMobil, Cosan, Compass, Comgás e Moove.Até fevereiro de 2026, a companhia já havia levantado cerca de US$ 5 bilhões com iniciativas de desinvestimento, incluindo a venda de usinas e outros ativos.No terceiro trimestre da safra 2025/2026, porém, veio outra pancada: a companhia reportou prejuízo de R$ 15,65 bilhões. A dívida líquida saltou de R$ 38,6 bilhões no 3T25 para R$ 55,3 bilhões no 3T26, enquanto a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda passou de 3 vezes para 5,3 vezes no mesmo intervalo.O cenário desencadeou rumores, negociações e promessas de aporte por parte de Cosan e Shell, em discussões que se arrastaram por semanas. Até que, em 11 de março, a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para suspender, por 90 dias, o pagamento de dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões.O movimento levou à exclusão da companhia do Ibovespa e outros índices da bolsa brasileira.* Com informações da Reuters