A destinação ambientalmente correta de defensivos agrícolas ilegais retirados de circulação no Brasil alcançou 230 toneladas em 2025.O volume foi incinerado após apreensões realizadas por órgãos de fiscalização e repressão em operações de combate ao comércio irregular desses produtos.Os dados fazem parte do balanço anual da CLB (CropLife Brasil), entidade que acompanha o processo de destruição dos insumos ilícitos apreendidos. Desde 2020, cerca de 1,6 mil toneladas de produtos ilegais já tiveram destinação final adequada no país, resultado de 49 ações de cooperação entre a associação e órgãos públicos. Leia Mais Baldan amplia portfólio e mira eficiência no campo Falhas na rastreabilidade podem comprometer vendas de carne para a UE Setor vê limites no uso do Pronara para retirar defensivos “ultraperigosos” Segundo a CropLife Brasil, a quantidade destruída neste ano é 30% menor que a registrada em 2024, quando 330 toneladas foram destinadas à incineração.De acordo com o gerente de Combate a Produtos Ilegais da entidade, Nilto Mendes, a redução acompanha a queda no volume de apreensões realizadas pelas autoridades no período.“A destinação ambientalmente correta de insumos ilegais, em especial de defensivos químicos, é um compromisso institucional da indústria de tecnologias agrícolas do país.A cooperação entre setor privado e órgãos de fiscalização é fundamental para retirar esses produtos do mercado e garantir sua destruição adequada”, afirma Mendes.O levantamento também revela diferenças regionais nos tipos de irregularidades. A região Sudeste lidera as apreensões de defensivos falsificados, com destaque para os estados de São Paulo e Minas Gerais.Já os casos de contrabando se concentram principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, especialmente em áreas de fronteira com o Paraguai e a Argentina.Além de prejudicar empresas que atuam dentro da legislação, os produtos ilegais representam riscos para a produção agrícola, o meio ambiente e a saúde humana.Como não passam pelos processos regulatórios exigidos no país, esses insumos não possuem eficiência agronômica comprovada e podem causar contaminações e perdas produtivas.A dimensão do problema é significativa. Estimativa do IDESF (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras) aponta que aproximadamente 25% do mercado brasileiro de defensivos agrícolas seja composto por produtos ilegais.Para garantir a destinação correta dos materiais apreendidos, os produtos passam por etapas de manuseio, reacondicionamento, armazenamento e transporte até unidades especializadas. A destruição ocorre em instalações licenciadas, por meio de incineração em temperaturas superiores a 900°C.O processo é realizado em conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos e em alinhamento com o Sistema Campo Limpo, coordenado pelo InpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias).Como parte das ações de enfrentamento ao mercado ilegal, a CropLife Brasil mantém um canal de denúncias para comunicação de irregularidades e promove programas de capacitação voltados a profissionais que atuam na fiscalização e investigação desses crimes. A entidade também coordena iniciativas de combate à comercialização de sementes ilegais, buscando fortalecer a segurança e a legalidade na cadeia produtiva agrícola.Expansão agressiva contribuiu para alto endividamento da Raízen