A Câmara dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (3) uma resolução para limitar os poderes do presidente Donald Trump sobre a guerra no Irã.Os democratas têm forçado votações sobre o assunto tanto na Câmara quanto no Senado – uma campanha que gradualmente ganhou mais apoio republicano nas últimas semanas.Foram 215 votos a favor e 208 contrários, com os representantes republicanos Thomas Massie, Brian Fitzpatrick, Tom Barrett e Warren Davidson votando contra seus partidos para apoiar a resolução. Leia Mais Senado dos EUA barra pela 7ª vez medida que limitava ação de Trump no Irã Por que Trump estendeu o cessar-fogo com o Irã? Entenda os detalhes Trump diz que EUA estão nos "estágios finais" com o Irã A resolução foi apresentada pelo deputado democrata Gregory Meeks, de Nova York, integrante de maior hierarquia da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.A votação estava originalmente marcada para 21 de maio, mas foi abruptamente cancelada pelos líderes republicanos justamente quando o partido estava prestes a perder devido a ausências.Na ocasião, Meeks disse a repórteres que acreditava que o presidente da Câmara, Mike Johnson, estava protelando a votação da medida.“Muitos dos meus colegas republicanos estão sentindo a pressão em seus estados ao verem o preço dos alimentos e da gasolina”, disse ele anteriormente à CNN, destacando impactos do conflito no Oriente Médio.“(Johnson) está sob pressão. Ele está tentando acobertar o presidente… Mas acho que o tempo em que ele consegue acobertar o presidente está se esgotando rapidamente”, adicionou Meeks.Presidente da Câmara defende ação de TrumpAntes da votação desta quarta, Johnson alertou que a medida poderia ter um impacto “muito negativo” nas negociações.“Acho que é uma perspectiva muito perigosa tirar da administração e do comandante-em-chefe, neste momento, a capacidade de negociar. É isso que acontece. Isso nos enfraquece, enfraquece nossa posição e nossa influência nas negociações de paz nessa situação. A ‘Operação Fúria Épica’ está concluída”, disse ele à CNN.Johnson afirmou que todos os objetivos dos EUA no Irã estavam “bem definidos” e “alcançados”, apesar de alguns parlamentares, incluindo republicanos, terem manifestado interesse em receber mais informações do governo.“O presidente está agora em processo de conclusão de um acordo de paz, e temos que lhe dar a liberdade necessária para isso. Penso que uma resolução sobre os poderes de guerra neste momento é muito inoportuna e extremamente negativa e perigosa para o país”, alegou.Inspetores começam revisão sobre guerra contra IrãOs inspetores-gerais do Pentágono, do Departamento de Estado e da USAID iniciaram uma revisão conjunta da guerra dos EUA com o Irã, anunciando em um comunicado à imprensa na quarta-feira que são legalmente obrigados a investigar operações militares no exterior que excedam 60 dias.O anúncio é significativo porque indica que os órgãos de fiscalização acreditam que, legalmente, a guerra já dura mais de 60 dias desde o seu início, em 28 de fevereiro.De acordo com a Lei dos Poderes de Guerra, o presidente está proibido de manter tropas americanas em hostilidades ativas por mais de 60 dias sem a aprovação do Congresso.O governo nunca buscou tal aprovação para a Operação Fúria Épica, nome dado pelos EUA à sua campanha militar contra o Irã.O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse no mês passado que, segundo seu entendimento, o prazo de 60 dias para o fim da guerra “reiniciou” quando o presidente Donald Trump anunciou o cessar-fogo em abril.*Ellis Kim e Natasha Bertrand, da CNN, contribuíram para esta reportagemEntenda como tensão em Ormuz afeta cessar-fogo entre EUA e Irã