A CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) afirma estar preparada para a ampliação do mercado livre de energia. Em entrevista ao Alta Voltagem, programa televisivo da CNN, A diretora de Operações de Mercado da CCEE, Gerusa Côrtes, disse que a entidade vem se antecipando ao processo de abertura do mercado e realizou investimentos para absorver o aumento do número de consumidores aptos a migrar para esse ambiente.O chamado mercado livre de energia é um ambiente de contratação em que consumidores escolhem seus fornecedores de energia e negociam contratos de preço, prazo e fonte. Hoje, ele representa cerca de 42% de toda a eletricidade consumida no Brasil.“Estamos preparados para a abertura do mercado livre de energia, pois nos antecipamos para receber todo esse novo contingente de consumidores no mercado livre”, disse.O Brasil tem cerca de 90 milhões de unidades consumidoras de energia. São residências, indústrias, imóveis comerciais. Mas apenas consumidores conectados à média e alta tensão podem estar no mercado livre. A previsão do governo é que a migração em massa possa acontecer já em 2028.Segundo cortes, para receber um volume grande de consumidores, os investimentos foram concentrados em três frentes principais: tecnologia, simplificação de processos e comunicação com os novos consumidores. Tecnologia visa garantir um maior volume de dados e estabilidade do sistema. A segunda frente é a simplificação dos processos, principalmente para a baixa tensão. A terceira frente é da comunicação para os novos consumidores”, disse.As declarações ocorrem em um momento sensível ao mercado livre. Nos últimos anos, uma série de comercializadoras passaram a enfrentar dificuldades financeiras sérias.Gerusa reconhece que o crescimento do mercado traz desafios, mas avalia que parte dos problemas está relacionada às transformações ocorridas na matriz elétrica brasileira nos últimos anos. Segundo ela, a expansão acelerada das fontes renováveis intermitentes, como a energia solar e eólica, alterou significativamente a dinâmica operacional e comercial do setor.“Nos últimos dez anos passamos por uma evolução significativa na matriz elétrica brasileira que trouxe desafios na operação e também de ordem comercial. Esses desafios e temas não são novos e vêm sendo trabalhados e discutidos ao longo dos anos”, afirmou.A executiva destacou que questões como metodologia de formação de preços, volatilidade, inadimplência e garantias financeiras já fazem parte da agenda regulatória do setor e vêm sendo debatidas há anos pelos agentes de mercado.“Nossa prioridade máxima hoje é avançar nas regras de monitoramento prudencial definitivo, avançar também nas discussões de regramento de sanções e penalidades e, futuramente, nas salvaguardas financeiras”, disse.A fala ocorre em meio às discussões sobre o fortalecimento dos mecanismos de supervisão e gestão de riscos do mercado livre. A implementação de regras permanentes de monitoramento prudencial, o aperfeiçoamento das penalidades para agentes inadimplentes e a criação de novas salvaguardas financeiras são apontados por especialistas como medidas importantes para reduzir os riscos sistêmicos e evitar novos efeitos em cadeia provocados pela insolvência de participantes do mercado.