Esta noite, a Lua atinge o apogeu, como é chamado o ponto mais distante da Terra alcançado pelo satélite natural a cada volta ao redor do planeta. Sobre o apogeu lunar:De acordo com o guia de observação InTheSky.org, a Lua chega ao apogeu nesta sexta-feira (16);Isso acontece às 19h55 (pelo horário de Brasília);A distância da Lua à Terra varia porque sua órbita não é perfeitamente circular – ela tem um formato ligeiramente oval, descrevendo uma trajetória chamada elipse;À medida que a Lua circunda a Terra a cada mês, a distância entre as duas varia em 14% – entre 356.500 km no perigeu (ponto de maior aproximação da Terra) e 406.700 km no apogeu (ponto de maior afastamento da Terra);O tamanho angular da Lua também varia pelo mesmo pequeno fator, e seu brilho também muda, embora isso seja difícil de perceber na prática, já que as fases da Lua mudam ao mesmo tempo;Desta vez, por exemplo, ela estará entre as fases nova e crescente, com 38% de sua face aparente.Imagem: Triff – Shutterstock (Terra/fundo) – Edição: Olhar DigitalTudo indica que a distância entre a Terra e a Lua tende a aumentar cada vez mais. Será que isso pode ser um problema?Segundo a NASA, o responsável por esse empurrão gradual é o próprio movimento dos mares da Terra. A gravidade da Lua atrai a água dos oceanos, formando as marés. Mas como o planeta gira muito mais rápido do que a Lua se desloca ao seu redor, o acúmulo de água fica posicionado um pouco à frente do satélite.Essa pequena diferença de posição faz com que a massa de água exerça uma atração gravitacional adicional sobre a Lua, transferindo energia e provocando seu afastamento progressivo. Como a distância entre os dois objetos é medidaA distância entre os dois corpos é calculada com precisão desde as missões Apollo, quando a NASA instalou refletores na superfície lunar. Cientistas disparam lasers contra esses espelhos para medir o tempo de reflexão da luz, comprovando que a Lua se afasta cerca de 3,8 centímetros por ano da Terra – o mesmo ritmo de crescimento de uma unha humana.Essa troca de forças funciona como um freio invisível para a Terra, afetando diretamente sua rotação. Como a Lua consome a energia do nosso planeta para se afastar, o giro terrestre vai ficando mais lento por causa das marés, fazendo com que os nossos dias fiquem cada vez mais longos.O efeito não é perceptível na nossa rotina diária, somando apenas cerca de 1,7 milissegundo a cada século. No entanto, em escalas de tempo geológicas, a diferença é gigantesca: quando a Lua se formou, há cerca de 4,5 bilhões de anos, um dia na Terra durava cerca de seis horas.Distância real entre Terra e Lua em uma foto da sonda OSIRIS-REX, da NASA. – Crêditos: NASA/GoddardAfastamento da Lua deve extinguir os eclipses solares totaisEm um futuro muito distante, o afastamento contínuo da Lua trará consequências visíveis para o céu terrestre. Os eclipses solares totais, por exemplo, estão com os dias contados. Com a Lua cada vez mais distante, seu tamanho aparente no céu diminui, tornando-a incapaz de cobrir totalmente o disco do Sol. Assim, daqui a cerca de 600 milhões de anos, a humanidade (ou quem estiver por aqui) só poderá testemunhar eclipses solares anulares, em que um anel de luz solar permanece visível ao redor do satélite.“Com a Lua se afastando da Terra, ela nunca mais vai ter o diâmetro aparente igual ou maior que o do Sol. Então, a partir de determinada época, a gente não vai mais ter eclipse total do Sol”, resume Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional (ON) há mais de 45 anos e gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP). Eclipse solar anular fotografado em Rub’ al-Khali, o maior deserto de areia contínuo do mundo, nos Emirados Árabes Unidos. Como a Lua está se distanciando cada vez mais da Terra, ela não conseguirá mais encobrir toda a luz do Sol, acabando com os eclipses totais. – Crédito: Maxime Daviron via APOD/NASAMas afinal, quando esse distanciamento pode se tornar uma ameaça? Para nosso alívio, a resposta é: em um futuro tão distante que não precisamos nos preocupar. Teoricamente, a expansão da órbita terminaria em um acoplamento de maré total, quando o dia terrestre duraria 47 dias atuais e a Lua ficaria fixa no céu de um único hemisfério.Mas a escala de tempo para isso é de bilhões de anos. Antes que o afastamento afete o clima ou o equilíbrio do planeta, o Sol esgotará seu combustível. Em cerca de 5 bilhões de anos, nossa estrela se transformará em uma gigante vermelha e engolirá a Terra e a Lua muito antes de qualquer separação definitiva entre elas.Portanto, embora a Lua esteja realmente se afastando um pouquinho a cada ano, ela continuará iluminando nossas noites e regendo o ciclo das marés por bilhões de anos. Não há motivo para alarde: o nosso satélite natural permanecerá iluminando o céu por muito tempo.O post A Lua está se afastando da Terra – quando isso vai virar um problema? apareceu primeiro em Olhar Digital.