MRV (MRVE3) bate recorde e Cury (CURY3) gera milhões em caixa: quais construtoras agradaram aos analistas?

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MRV (MRVE3) bate recorde e Cury (CURY3) gera milhões em caixa: quais construtoras agradaram aos analistas?Entre vender um apartamento e receber o dinheiro, há um caminho que passa pelo financiamento e pode esbarrar em cancelamentos. As prévias das construtoras no terceiro trimestre de 2026 mostram essas diferenças: a MRV (MRVE3) bateu recorde de vendas, a Cury (CURY3) manteve geração de caixa forte e a Cyrela (CYRE3) perdeu ritmo nos lançamentos e nas vendas.Os relatórios da XP, assinados por Ygor Altero e João Rodrigues, avaliam cinco companhias. Análises recentes do Safra e da Empiricus também apontam os efeitos das condições de crédito e da greve da Caixa sobre parte do setor. As prévias antecipam indicadores operacionais, mas ainda não são os balanços completos.MRV: vendas recordes, mas repasses menoresA operação brasileira de incorporação da MRV (MRVE3) registrou vendas líquidas de R$ 3,04 bilhões, alta de 29,6% em um ano e 13,3% acima da estimativa da XP.O ponto de atenção foram os repasses, que caíram para 7,4 mil unidades, recuo trimestral de 24,2%. O repasse ocorre quando o financiamento do comprador é formalizado e o banco transfere os recursos à construtora.Segundo a XP, a greve da Caixa pressionou essa etapa. O grupo MRV&Co gerou R$ 456 milhões em caixa, impulsionado por vendas de ativos da Resia e da Luggo. Já o caixa livre ajustado da MRV Inc. ficou em R$ 19 milhões, ante R$ 149 milhões no trimestre anterior. A casa manteve recomendação de compra.Cury: caixa forte apesar dos distratosA Cury (CURY3) gerou R$ 253,6 milhões em caixa, seu 30º trimestre consecutivo com resultado positivo nesse indicador. As vendas líquidas chegaram a R$ 1,8 bilhão, avanço anual de 10,7%, segundo a XP.Os distratos, que são cancelamentos de contratos, aumentaram 59,3%, para R$ 358,2 milhões. Eles corresponderam a 15% das vendas brutas. A XP manteve a companhia como sua principal escolha no segmento de baixa renda.As expectativas das casas eram diferentes: as vendas ficaram 16% abaixo da projeção da XP, mas 6% acima da estimativa do Safra. O banco também destacou a geração de caixa e reiterou compra para a ação.Quer acompanhar empresas e resultados com mais conhecimento? Venha conhecer as ofertas da Black Friday da Suno e os conteúdos que podem ajudar você a dar o próximo passo nos investimentos. Confira a campanha aqui.Cyrela: média renda ameniza trimestre mais fracoNa Cyrela (CYRE3), os lançamentos na participação da companhia, excluindo permutas, somaram R$ 2,9 bilhões, queda anual de 16,1%. As vendas líquidas recuaram 13,9%, para R$ 2,1 bilhões.Segundo a XP, a alta renda foi a principal decepção. A média renda teve desempenho mais favorável, com vendas de R$ 674 milhões, avanço anual de 93,7%. A casa manteve compra e preço-alvo de R$ 42.Em análise publicada nesta quarta-feira (14), Caio Araújo, da Empiricus, também destacou a desaceleração, mas manteve Cyrela entre suas recomendações. O analista apontou restrições de crédito no segmento econômico e sensibilidade da ação à trajetória dos juros.Tenda: cancelamentos pesam nas vendasA Tenda (TEND3) apresentou vendas líquidas consolidadas de R$ 1,3 bilhão, incluindo a Alea. O valor cresceu 4,4% em um ano, mas caiu 8,2% frente ao trimestre anterior.Os distratos somaram R$ 312,3 milhões, equivalentes a 19,5% das vendas brutas. A XP atribuiu a pressão à greve da Caixa e às condições de crédito mais restritivas, mantendo compra para a ação.O Safra também viu vendas abaixo de suas estimativas, em 9%, e destacou o aumento dos cancelamentos.Moura Dubeux: lançamentos no fim do trimestreA Moura Dubeux (MDNE3) lançou R$ 1,55 bilhão na participação da companhia, alta anual de 15,5%. Entretanto, 40% desse volume ficou concentrado nas duas últimas semanas do trimestre.Para a XP, isso limitou o tempo disponível para converter os lançamentos em vendas. As vendas e adesões líquidas somaram R$ 841 milhões, queda anual de 21,5%.A empresa consumiu R$ 170 milhões em caixa, desconsiderando dividendos e recompras. Desse total, R$ 97 milhões foram destinados à aquisição de um terreno em Salvador.Em sua avaliação sobre construtoras, Caio Araújo, da Empiricus, manteve Moura Dubeux entre as recomendações e escreveu: “A companhia segue bem posicionada no Nordeste, com novas avenidas de crescimento e valuation atrativo.”