Milhares de pessoas marcharam pelo centro de Lisboa neste sábado (17) para protestar contra a disparada do custo de vida e o agravamento da crise habitacional, aumentando a pressão sobre o governo em relação à acessibilidade à moradia.O protesto ocorreu após dias de crescente agitação na cidade do Porto, no norte do país, onde ativistas haviam montado um acampamento, que foi desmantelado pela polícia em uma operação realizada na madrugada de segunda-feira (12). O movimento reflete ações semelhantes ocorridas na vizinha Espanha.Os manifestantes afirmaram que os baixos salários não estão acompanhando a alta dos custos de moradia e do custo de vida, deixando muitas pessoas com dificuldades para arcar com as despesas básicas.Leia Mais: Papa deve se recuperar em 10 dias e viagem à América do Sul será mantida Ninguém vai impor agenda política por meio da violência, diz premiê francês Manifestante perde a mão em protesto perto de Lyon, na França Pedro Penilo, de 62 anos, professor, disse que o governo está desconectado da realidade da população comum.“Preciso ver como ficará o meu crédito habitação nos próximos meses, quando ele for reajustado. Estou muito preocupado. Acima de tudo, sinto que existe um clima geral de grande abuso — um grande abuso contra a vida das pessoas”, afirmou.O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, declarou na sexta-feira (16) que o “governo não cederá aos gritos das ruas”, acrescentando que medidas concretas para abordar essas preocupações já estavam sendo implementadas.A inflação em Portugal atingiu 3,6% em setembro, impulsionada pela alta nos preços de alimentos e combustíveis — estes últimos com um aumento de 15% em relação ao ano anterior, em meio às tensões no Oriente Médio.Os preços dos imóveis mais do que dobraram desde 2017, enquanto os valores dos novos contratos de aluguel também quase dobraram, alimentando uma das piores crises de acessibilidade à moradia na Europa.A situação é mais crítica nas grandes cidades, incluindo Lisboa, onde a disparada dos custos de habitação está tornando o mercado inacessível para os mais jovens.Carolina Cruz, de 26 anos, doutoranda e pesquisadora na área de biologia — que recebe cerca de 1.300 euros mensais por meio de uma bolsa de estudos —, corre o risco de perder sua moradia, uma vez que seu contrato de aluguel está próximo do vencimento.Ela e seu companheiro pagam 716 euros por mês por um apartamento na região de Lisboa, mas a renovação do contrato pode elevar o aluguel para mais de 1.200 euros — um valor muito acima de suas possibilidades financeiras.“Mesmo com todo o estudo que fiz… ainda não consigo dar conta. No momento, a questão da habitação em Lisboa é o problema. É possível notar que grandes edifícios estão sendo vendidos exclusivamente para serem transformados em hotéis e acomodações de curta temporada”, disse Cruz.