Paris (Reuters) – Confrontos eclodiram entre a polícia e manifestantes em cidades por toda a França neste sábado, quando dezenas de milhares de pessoas, indignadas com o aumento dos custos de vida e a deterioração dos serviços públicos, saíram às ruas em alguns dos protestos mais violentos do país nos últimos anos.O Ministério do Interior francês informou que 272 pessoas haviam sido detidas até o meio da tarde, após incidentes violentos envolvendo indivíduos encapuzados, inclusive em Paris, Marselha, no sul, Toulouse, no sudoeste, Angers, no oeste, e Lyon, na região centro-leste da França.Os manifestantes afirmaram que a maioria das pessoas protestava pacificamente e atribuíram grande parte da violência a desordeiros que tinham como objetivo causar danos e entrar em confronto com a polícia.Leia tambémManifestantes na França invadem prefeitura de Marselha e marcham em ParisEm Marselha, manifestantes violentos conseguiram invadir a prefeitura da cidade, de acordo com o francês France 24; em Paris, marcha convocada por redes sociais caminha por bairros nobre da capitalColetes Amarelos: o que foi o movimento de 2018 na França que pode ressurgir em 2026Movimento começou com reivindicações sobre as escolas, ganhou força nas redes sociais e tenta reunir insatisfação com o custo de vidaO ministério afirmou, no entanto, que a violência estava aumentando e que haviam ocorrido “confrontos com as forças de segurança, saques ou tentativas de saque a lojas, ataques e danos a prédios públicos”. O governo atribuiu os distúrbios ao que descreveu como a “extrema esquerda”.Em algumas partes de Paris, a polícia ocasionalmente disparou gás lacrimogêneo enquanto recuava diante de manifestantes, em sua maioria jovens, muitos dos quais vestidos de preto e usando moletons com capuz, máscaras e óculos de proteção contra o gás lacrimogêneo.Alguns turistas em uma loja de departamentos badalada perto da Ópera de Paris foram vistos tossindo ao serem atingidos por nuvens de gás lacrimogêneo, e as lojas nas proximidades foram fechadas às pressas. As vitrines de muitas lojas e restaurantes na capital foram quebradas, e carros e lixeiras foram incendiados.Em Lyon, manifestantes incendiaram o posto de turismo.Em Marselha, o prefeito afirmou que a prefeitura havia sido vandalizada e que reforços policiais estavam sendo enviados à cidade após negociações com o governo.Em protestos parcialmente inspirados nos da França, várias centenas de pessoas, em sua maioria jovens, também protestaram em Bruxelas no sábado, e algumas entraram em confronto com a polícia. Grupos de estudantes belgas afirmaram que estão protestando contra o aumento dos custos da educação e contra reformas que, temem, tornarão o ensino superior menos acessível.A Albânia também enfrentou mais protestos no sábado, com a polícia disparando o que pareciam ser balas de borracha contra os manifestantes durante o quinto dia de manifestações estudantis em massa exigindo a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.Resposta da polícia sob escrutínioOs protestos na França começaram no mês passado em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres do norte de Paris, onde a indignação com a falta de professores e as instalações precárias se transformou em um movimento mais amplo, focado na desigualdade, nos gastos públicos e nos padrões de vida.“Estamos lutando porque o custo de vida é muito alto, porque o preço do combustível está muito alto, porque alunos do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país apenas por tentarem protestar e pedir mais professores e condições decentes de aprendizagem”, disse Lola, uma manifestante de 19 anos em Paris.Uma grande força policial foi mobilizada no centro de Paris, especialmente perto de pontos turísticos como a Champs-Élysées e o Arco do Triunfo, que foram excluídos dos percursos de duas manifestações autorizadas.Manifestantes com coletes de alta visibilidade bloquearam ruas, relembrando o movimento dos Coletes Amarelos que marcou o mandato anterior do presidente Emmanuel Macron.Macron, que pediu calma na sexta-feira, está entrando na reta final de sua presidência, enfrentando um cenário político fragmentado e uma pressão crescente sobre a economia.Os esforços da França para reduzir a dívida pública não conseguiram tranquilizar os investidores, levando os custos dos empréstimos do governo aos níveis mais altos em mais de duas décadas.The post Manifestantes confrontam polícia na França e mais de 270 são presos appeared first on InfoMoney.