Dependência da Starlink preocupa governos e expõe poder de Elon Musk

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Criada para levar internet a regiões remotas, a Starlink, serviço da SpaceX, ganhou importância em guerras, crises humanitárias e protestos. Na Ucrânia e no Irã, a rede ajuda a manter comunicações mesmo quando a infraestrutura convencional é destruída ou bloqueada.Essa dependência amplia a influência de Elon Musk sobre comunicações essenciais e preocupa governos. Enquanto empresas e países desenvolvem alternativas, a capacidade de substituir a rede ainda é um desafio.Para acessar a rede, o usuário necessita apenas de uma antena receptora compacta que alinha seu sinal de forma automática. – Imagem: DenPhotos/ShutterstockComo funciona a Starlink?A Starlink conta com quase 10 mil satélites em órbita baixa, a cerca de 550 quilômetros da superfície terrestre. Os satélites tradicionais de comunicação ficam a aproximadamente 36 mil quilômetros de altitude. Como estão mais próximos, os equipamentos da SpaceX conseguem transmitir dados com menos atraso.Os satélites trocam informações entre si por feixes de laser. Para acessar o serviço, o usuário precisa de um terminal com antena que acompanha os equipamentos em órbita e de um roteador para distribuir a conexão.A tecnologia foi desenvolvida para atender regiões onde a instalação de cabos ou fibra óptica é inviável ou muito cara. Em zonas de conflito, essa característica permite manter a comunicação quando as redes locais deixam de funcionar.Da Ucrânia ao Irã, a rede ganha importância nos conflitosNa Ucrânia, a Starlink passou a ser uma ferramenta importante desde a invasão russa iniciada em fevereiro de 2022. Militares utilizam o serviço para coordenar tropas, operar drones e controlar veículos terrestres não tripulados. Hospitais, equipes de emergência, fornecedores de energia e a ferrovia ucraniana também recorrem à conexão.Há relatos de que forças russas obtiveram terminais por meio de contrabando. O Ministério da Defesa ucraniano afirma trabalhar com a SpaceX para restringir esse acesso.No Sudão, as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que combate o Exército nacional, usam os equipamentos para coordenar operações. Centenas de terminais teriam entrado ilegalmente no país, inclusive pelos Emirados Árabes Unidos, alimentando um mercado clandestino.No Irã, terminais contrabandeados permitiram que manifestantes mantivessem contato durante bloqueios da internet. Na Faixa de Gaza, desde julho de 2024, organizações humanitárias e um hospital de campanha utilizam o serviço para telemedicina e coordenação logística. O acesso amplo para civis, porém, continua limitado por preocupações de segurança de Israel.Na Venezuela, a tecnologia também foi usada para contornar restrições de informação. Após a intervenção dos Estados Unidos e a captura de Nicolás Maduro, Musk ofereceu temporariamente acesso gratuito à internet no país.A União Europeia investe no projeto IRIS para construir uma infraestrutura de satélites própria e independente até 2029. Imagem: CG Alex/ShutterstockDependência preocupa e concorrentes avançamA influência da SpaceX vai além da disponibilidade de internet. Musk já se recusou a ativar o serviço para a Ucrânia durante um ataque perto da Crimeia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também ameaçou interromper o acesso ucraniano para pressionar Kiev a fazer concessões nas negociações.A operação da rede levanta ainda questões ambientais. Os satélites têm vida útil de cerca de cinco anos, e um ou dois se desintegram diariamente na atmosfera, em média. O óxido de alumínio liberado nesse processo pode afetar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global. A luz refletida pelos equipamentos também pode prejudicar observações astronômicas e afetar a vida selvagem.A busca por alternativas envolve projetos com objetivos e prazos distintos:OneWeb: operada pela Eutelsat, tem mais de 600 satélites e atende principalmente empresas e aplicações marítimas.IRIS²: iniciativa da União Europeia para criar uma rede de comunicações seguras, com previsão de operação a partir de 2029.Amazon Leo: projeto da Amazon que prevê mais de 3 mil satélites e início da operação comercial em 2026, inclusive no Brasil, por meio de uma parceria com a Sky.Guowang e Qianfan: programas chineses que planejam, respectivamente, até 13 mil satélites com foco nacional e militar e cerca de 12 mil com orientação comercial.A concorrência deve ampliar as opções de conexão nos próximos anos, mas construir redes desse porte exige tempo e investimentos elevados. Até que os projetos alternativos atinjam capacidade suficiente, a Starlink continuará exercendo influência sobre comunicações que, em determinadas situações, são essenciais para operações militares, serviços de emergência e ajuda humanitária.O post Dependência da Starlink preocupa governos e expõe poder de Elon Musk apareceu primeiro em Olhar Digital.