Em 16 de julho de 1950, Jules Rimet estava na tribuna de honra do Maracanã. Brasil e Uruguai empatavam por um a um, resultado que daria o título mundial aos donos da casa. O presidente da Fifa deixou o local reservado a autoridades antes do fim da partida. Afinal, caberia a ele entregar a taça aos campeões do mundo. A caminho do gramado, a comitiva encontrou acessos trancados e o deslocamento demorou mais do que o previsto. Ao chegar ao campo, o dirigente francês avistou o placar que já indicava 2 a 1 para a Celeste Olímpica. O cartola ficou incrédulo, em meio ao silêncio nas arquibancadas. No segundo semestre do ano anterior, em uma entrevista ao Jornal dos Sports, Jules Rimet, que morreu há sete décadas, em outubro de 1956, declarou que o finalista que marcasse o primeiro gol da partida decisiva seria campeão mundial. O Brasil abriu o placar com Friaça, é verdade, mas os rivais balançaram as redes com Schiaffino e Ghiggia. Naquela tarde de inverno de julho de 1950, o presidente da Fifa não escondeu o abatimento durante a cerimônia de entrega da taça ao capitão Obdulio Varela. Jules Ernest Séraphin Valentin Rimet nasceu na região da Borgonha, ainda no século XIX. As publicações divergem sobre a data exata: 14 ou 24 de outubro de 1873. Aos onze anos, a família se mudou para Paris. Ao concluir a escola, ingressou na faculdade de direito. Ligado ao futebol, fundou o Red Star e, em 1904, participou da criação da Fifa. Em 1921, assumiu o comando da entidade e tirou do papel um velho sonho: organizar um campeonato mundial de seleções. A primeira Copa, em 1930, foi sediada e vencida pelo Uruguai. Em 1946, no mesmo congresso que praticamente selou o Brasil como sede da Copa de 1950 (inicialmente prevista para 1949), a taça dada aos campeões passou a se chamar Jules Rimet. Em 1954, o dirigente francês, já com idade avançada, deixou o comando da Federação. No Brasil, a notícia sobre a morte, em 16 de outubro de 1956, chegou aos jornais no dia seguinte. A Gazeta Esportiva registrou: “PARIS, 16 (AFP) — O sr. Jules Rimet, que acaba de falecer em Paris, nasceu em Theuley (Alto Saone) no dia 24 de outubro de 1873. Em 1897, foi um dos fundadores do Red Star Club. (…) A Associação Inglesa de Futebol anunciou hoje que os jogadores que amanhã participarão do encontro internacional entre Inglaterra e França, em Bristol, usarão faixas negras nos braços em memória de Jules Rimet, da França, que faleceu esta noite em Paris. Aquela Associação fez o seguinte elogio em memória de Rimet: ‘A Associação de Futebol, junto com os demais membros da Federação Internacional de Futebol ‘Association’ lamentam a morte de Rimet, que por espaço de 33 anos, de 1921 a 1954, presidiu os assuntos da Fifa, que se converteu na maior federação internacional desportiva durante sua gestão. Quando foi eleito presidente, havia 31 associações filiadas. Quando se retirou mais de 80 países pertenciam a esta organização internacional. Jules Rimet tinha 82 anos de idade. Seu nome estará sempre associado com a Taça do Mundo e aos ganhadores desse troféu que leva o nome do ilustre falecido’. (…).” Jules Rimet foi um visionário e um dos maiores dirigentes esportivos de todos os tempos.