Negócios na SIAL Paris já consideram retomada das vendas de frango à UE

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As negociações comerciais realizadas por empresas brasileiras na SIAL (Salão Internacional da Alimentação) Paris 2026 já consideram a possibilidade de retomada das exportações de carne de frango para a UE (União Europeia).Segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), os compradores europeus demonstram interesse em voltar a receber o produto brasileiro, enquanto o setor aguarda a conclusão do processo regulatório que pode recolocar o Brasil na lista de países autorizados a abastecer o bloco.“Os importadores estão vindo a nós e perguntando quando vamos conseguir voltar logo”, afirmou Santin em entrevista à CNN Brasil durante a feira, realizada em Paris.De acordo com o presidente da ABPA, as empresas já discutem prazos de entrega para o caso de a autorização ser concedida. “As empresas estão fazendo negócios. Olha, se voltar, eu te entrego em X dias, porque eu tenho a produção já feita, pode contar comigo”, disse.A expectativa do setor é que a retomada seja autorizada após uma nova etapa de avaliação pelas autoridades europeias.Nesta terça-feira (20) e na quarta-feira (21), o SCoPAFF (Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações) da Comissão Europeia tem reunião prevista em Bruxelas para analisar o relatório da auditoria realizada no Brasil sobre os controles sanitários das cadeias de carne de aves e mel.A reunião, porém, não deve resultar na decisão definitiva. A expectativa do governo brasileiro e do setor produtivo é que a votação sobre a reinclusão do país na lista de fornecedores autorizados ocorra em novembro, após a apresentação do relatório aos representantes dos Estados-membros e o cumprimento das etapas administrativas.A previsão é que a retomada das exportações possa ocorrer em dezembro, caso o processo seja concluído dentro do cronograma esperado.O relatório da auditoria europeia realizada no fim de agosto no Brasil foi favorável aos controles brasileiros e não apontou impedimentos técnicos relacionados ao cumprimento das regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos.A decisão final, no entanto, depende da conclusão do procedimento regulatório europeu. Leia Mais Próximos dois meses serão decisivos para avicultura retomar mercado na UE Sem frango brasileiro, Europa pode sentir pressão sobre os preços, diz ABPA Paraná vê retomada das exportações de frango para UE após auditoria Produção segue adaptada às regras europeiasSantin afirma que o setor brasileiro manteve a produção adequada às exigências europeias mesmo durante a interrupção das vendas ao bloco.Segundo ele, as empresas não desmontaram os sistemas de segregação e controle necessários para atender às regras específicas do mercado europeu.“A partir do momento em que a Europa derrube o obstáculo de poder vender para a União Europeia, nós podemos vender imediatamente”, afirmou.Segundo Santin, as empresas já completaram mais de um ciclo de produção sob o sistema de fiscalização adotado a partir de julho, conforme o modelo exigido pelas autoridades europeias.A suspensão das exportações de carne de aves e mel para a UE entrou em vigor em 3 de setembro, no contexto das exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos.Desde então, o Brasil trabalha para concluir as etapas necessárias à retomada das vendas.A auditoria realizada pela Comissão Europeia avaliou os controles oficiais brasileiros e reconheceu que o sistema nacional é capaz de oferecer as garantias exigidas pelas regras do bloco.O resultado favorável abriu caminho para a fase final do processo, mas não substitui a decisão formal de reinclusão do país na lista de fornecedores autorizados.SIAL reúne empresas e compradores internacionaisA expectativa de retomada das vendas à UE é um dos temas presentes nas conversas comerciais realizadas durante a SIAL Paris 2026. A ABPA participa da feira em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com espaços dedicados à divulgação das proteínas animais brasileiras e à aproximação entre empresas e compradores internacionais.Ao todo, 25 agroindústrias dos setores de suínos e aves participam do espaço organizado pela associação, além de outras companhias com estandes próprios.A estrutura reúne empresas de avicultura e suinocultura e promove degustações de produtos brasileiros para visitantes de diferentes mercados.Esta segunda-feira (19) é um dos dias mais aguardados pois é quando os europeus apareceram em massa na feira.Santin afirma que a feira permite manter contato com importadores europeus e de outras regiões, ao mesmo tempo que as empresas ampliam as oportunidades de negócios em mercados já atendidos pelo Brasil.