Fundos de pensão esperam rentabilidade de 14% e patrimônio de R$ 1,51 tri para 2026

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Os fundos de pensão – também conhecidos como Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) – podem alcançar um patrimônio acumulado de R$ 1,51 trilhão até o fim de 2026. O montante representa um salto de 82% em dez anos, segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Em junho de 2026, a reserva total do setor já somava R$ 1,438 trilhão, o equivalente a 11% de toda a riqueza produzida no país (PIB). A trajetória de crescimento foi contínua nos últimos anos: R$ 1,049 trilhão em 2020, R$ 1,176 trilhão em 2022, R$ 1,275 trilhão em 2024 e R$ 1,374 trilhão em 2025.Segundo Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp, os dados comprovam a evolução desse mercado no país. “Se analisarmos o nosso crescimento nos últimos 10 anos, saímos de um patrimônio de R$ 790 bilhões em 2016 para R$ 1,438 trilhão agora, em junho de 2026”, disse em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (14).Para 2026, a estimativa é de um saldo positivo de R$ 33 bilhões no setor. O valor é justificado através dos ganhos com investimentos (superávit de R$ 52 bilhões), que devem superar com folga os planos que registram rentabilidade abaixo do esperado (déficit de R$ 19 bilhões). Leia mais: INSS não garantirá estabilidade financeira a 92% dos brasileiros, diz pesquisaAlocação concentrada em renda fixaA projeção de R$ 33 bilhões no azul considera um rendimento médio de 14% ao ano. O ganho supera a chamada meta atuarial, estipulada em 12%, conforme o presidente. Essa meta é o rendimento mínimo necessário para garantir o pagamento das aposentadorias futuras. A Abrapp trabalha ainda com cenários alternativos de rendimento para o ano: 11,70% (com sobra de R$ 28 bilhões) e 14,77% (com sobra de R$ 37 bilhões).Do total de R$ 1,362 trilhão investido pelo setor no primeiro semestre, 86,1% estavam em renda fixa (R$ 1,173 trilhão), modalidade mais segura e previsível que inclui R$ 264,1 bilhões em títulos públicos do governo e R$ 900,7 bilhões em fundos de investimento. O presidente da Abrapp ressalta que houve um crescimento significativo na fatia em renda fixa desde 2021, quando era de 75,7%. Em contrapartida, as aplicações em renda variável caíram de 15,8% em 2021 para apenas 6,7% (R$ 91,3 bilhões, dos quais R$ 55,7 bilhões aplicados diretamente em ações).Leia também: Previdência privada: aportes caem 5,8% e somam R$ 105 bilhões até agostoDevanir explicou que a alta na taxa de juros do país torna os investimentos conservadores muito atraentes. “Nós nunca tivemos uma alocação tão baixa em renda variável: hoje não bate nem 7%. Parte é por essa conjuntura que nos leva a essa situação. Quando o mercado está lhe oferecendo uma rentabilidade real acima da sua necessidade atuarial, tomar risco nesse ambiente não é o desejável”, afirmou.Além disso, ele ressaltou o foco na meta de rentabilidade estabelecida para cada plano. “Nós temos uma necessidade média de 12% ao ano e vamos chegar a 14%. Nós vamos ampliar o nosso patrimônio, que era de R$ 1,438 trilhão em junho, para bater R$ 1,5 trilhão”, disse Devanir. Ele acrescentou: “O nosso termômetro e o nosso farol são a meta atuarial e a taxa de juros padrão”.Solvência do setorOutro dado que indica a saúde financeira do setor é o índice de solvência dos planos de Benefício Definido (BD), que são aqueles em que o valor do benefício futuro é fixado previamente. Os planos alcançaram 102% de solvência em junho, o que significa que o sistema possui mais que os recursos necessários para quitar todos os compromissos assumidos com os poupadores no longo prazo.De acordo com Devanir, o indicador coloca o setor brasileiro em posição de destaque global. “A previdência complementar fechada no nosso país está no padrão internacional dos solventes. Nós temos 102% de solvência, de modo que os compromissos estão todos precificados e vão ser entregues nessa condição”, declarou. O sistema atende 8,4 milhões de pessoas: 3,27 milhões de trabalhadores ativos (que ainda contribuem), 4,21 milhões de dependentes e 873 mil assistidos (que já recebem o benefício). Do grupo ativo, 63,56% são homens e 36,44% são mulheres, com maioria (57,15%) na faixa etária de 35 a 54 anos.Em 2025, o setor pagou R$ 82 bilhões em benefícios, registrando atualmente uma folha anual de pagamentos de R$ 120 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões por mês).Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!The post Fundos de pensão esperam rentabilidade de 14% e patrimônio de R$ 1,51 tri para 2026 appeared first on InfoMoney.