Congresso promulga PEC que acaba com a escala 6×1 nesta sexta-feira (15)

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O Congresso Nacional promulga, nesta sexta-feira (16), a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala de trabalho 6×1 no Brasil. A sessão solene deve começar às 9h e ocorre dois dias após a aprovação definitiva do texto pelos senadores, em meio a uma disputa política entre o governo e a oposição sobre a medida.Considerado um trunfo político para o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou o fim da escala 6×1 como uma conquista histórica dos trabalhadores. O chefe do Executivo, inclusive, irá participar da cerimônia. O petista tem a redução da jornada de trabalho como uma de suas principais bandeiras para a disputa eleitoral e quer explorar a “foto” da consolidação da medida no Legislativo.Na noite de quarta-feira (14), o Senado aprovou da PEC em dois turnos em uma votação com enorme apoio, sendo que 75 parlamentares foram favoráveis e apenas um contrário. O texto já havia sido aceito pela Câmara dos deputados em maio deste ano. A aprovação ocorreu depois de uma mudança por parte da oposição, que chegou a negociar um possível adiamento da análise após o segundo turno das eleições presidenciais.Leia Mais: STF aprova plano que prevê reforçar confiança pública na Corte até 2031 Vorcaro nega à PF fraude em operações Master-BRB e pede revogação da prisão PEC da Segurança não tinha consenso e caiu após “malabarismos”, diz relator Pouco antes da votação no Senado, parlamentares da direita decidiram apoiar o fim da escala 6×1. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, anunciou ainda na terça-feira (13) que votaria a favor da proposta, mas manifestou preocupação com os custos da mudança para as empresas.O senador participou da análise da PEC remotamente, enquanto cumpria agenda eleitoral em Porto Alegre, e votou favoravelmente ao fim da escala de trabalho da 6×1. No entanto, para a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), a mudança de posição da oposição se tratou de um cálculo eleitoral.Como o Senado manteve o texto aprovado pela Câmara anteriormente, a proposta não precisou retornar à análise dos deputados. Por se tratar de uma emenda constitucional, a medida não depende de sanção presidencial. Depois disso, o texto é publicado no Diário Oficial da União, e passam a contar os prazos de transição.O que diz a PEC da 6×1O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de repouso semanal remunerado e impede a redução de salários. A garantia vale para os contratos já existentes e alcança também os pisos salariais das categorias.A mudança não será imediata. A PEC prevê uma transição de 14 meses, contados a partir da publicação da emenda, em duas etapas:dois meses após a publicação, a jornada cai para 42 horas semanais e os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de descanso, sendo um deles preferencialmente aos domingos;após mais 12 meses, a jornada chega às 40 horas semanais.O limite de oito horas diárias é mantido, e o texto permite mecanismos de compensação de horários. As duas folgas não precisam ser consecutivas. Acordos ou convenções coletivas podem estabelecer regimes excepcionais, desde que garantam média de dois dias de descanso por semana ao longo do mês e ao menos uma folga a cada sete dias.Cláusulas coletivas incompatíveis com as novas regras deixam de valer dois meses após a publicação.Quem fica de fora da redução de jornadaA proposta prevê regras específicas para alguns grupos:Salários mais altos: empregados com diploma de nível superior e remuneração a partir de duas vezes e meia o teto do RGPS (cerca de R$ 21 mil) ficam fora das regras de duração e controle de jornada, mas mantêm o direito ao repouso semanal. Esse ponto pode ser questionado no Supremo Tribunal Federal (STF), por criar distinção com base no diploma.MEIs, micro e pequenas empresas: lei complementar poderá criar regras de transição mais brandas, condicionadas à manutenção dos empregos. Enquanto ela não existir, valem as mesmas regras para todos.Contratos com o poder público: empresas que prestam serviços com mão de obra à Administração Pública terão até um ano para firmar aditivos de reequilíbrio econômico-financeiro.Bancários: funções com seis horas diárias, que somam 30 horas semanais, não devem ser afetadas pela redução para 40 horas.PEC dos agentes de saúdePara esta sexta-feira, Davi Alcolumbre anunciou que também será promulgada, na mesma data, a PEC que garante a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde.O texto garante a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. A proposta preocupava o governo por ser uma pauta que pode ter impacto de R$ 28 bilhões aos cofres públicos.A PEC determina regras de transição para a aposentadoria de duas categorias: agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. O texto também estabelece a forma de contratação desses agentes, financiamento pela União e amplia as regras aos agentes indígenas de saneamento e agentes indígenas de saúde.Com essa nova regra, esses agentes terão direito à aposentadoria com idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, desde que comprovem 25 anos de contribuição e de efetivo exercício.A proposta também garante que sejam contados para a aposentadoria os períodos de afastamento para ocupar cargos de representação sindical.Alcolumbre retira PEC da Segurança Pública da pauta do Senado | HORA H