O custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu o recorde de R$ 7,44 milhões em 2026. O valor representa uma alta de 3,5% em comparação com o período anterior, quando a marca ficou em R$ 7,19 milhões. Os dados fazem parte da edição anual do relatório Cost of a Data Breach, elaborado pelo Ponemon Institute e analisado pela International Business Machines (IBM).Compartilhado com exclusividade com o TecMundo/Estadão, o estudo avalia o impacto de incidentes cibernéticos em 602 empresas de todo o mundo, com uma amostra de 42 organizações brasileiras entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O levantamento indica que uma em cada quatro ações criminosas já conta com apoio de inteligência artificial (IA). No cenário internacional, os ataques gerados por essas ferramentas custam em média R$ 35 milhões, cerca de R$ 6 milhões superior à média das demais invasões.No mercado brasileiro, a área de saúde registra as maiores perdas financeiras por incidente, com média de R$ 12,55 milhões. Em seguida aparecem os setores de tecnologia, com custo médio de R$ 8,96 milhões, e serviços, que registrou prejuízo médio de R$ 8,63 milhões por vazamento. Custo de vazamento de dados bate recorde no Brasil e chega a R$ 7,4 milhões Foto: Reprodução/ChatGPT A adoção de tecnologias de defesa, no entanto, gera uma contenção relevante das despesas associadas aos incidentes. Empresas no Brasil que aplicam automação e IA na segurança registram um custo 30% menor nas ocorrências. Em companhias que abrem mão desses recursos, a despesa média subiu para R$ 8,69 milhões, o que cria uma distância superior a R$ 2,6 milhões entre os dois grupos.Apesar da vantagem operacional, apenas 33% das organizações no país planejam ampliar os aportes em segurança e governança para essas soluções, segundo a pesquisa. O líder em serviços de cibersegurança para a IBM Consulting na América Latina, Nicolas Mucci, pontua que a dinâmica dos ataques passou por transformações severas com a entrada de novos recursos técnicos nas mãos dos invasores.O especialista destaca que a velocidade de reação é o ponto determinante para equilibrar o confronto contra o crime digital:“Reduzir essa assimetria exige encurtar a distância entre identificar um risco e agir sobre ele. Isso passa por integrar segurança e remediação aos fluxos de desenvolvimento, fortalecer a proteção de identidades e acessos e usar automação para responder na mesma velocidade em que as ameaças evoluem. Combinar tecnologia, automação e inteligência apoia empresas a anteipar riscos, acelerar a resposta e tornar a segurança mais eficiente”, complementa.O estudo mapeia também os gargalos internos que inflam as perdas financeiras no país. A presença de sistemas complexos, formados por ferramentas desconectadas, adiciona em média R$ 645,2 mil ao valor de cada violação. Outro elemento de peso é o uso corporativo de programas e serviços sem autorização das equipes de tecnologia, prática que gera um acréscimo médio de R$ 720,3 mil às contas das companhias.Em relação à porta de entrada das invasões no país, duas modalidades lideram o índice com 16% dos registros cada uma. As mensagens falsas para roubo de dados, enviadas por canais como e-mail, ligações ou SMS, causam impacto médio de R$ 7,93 milhões. Em contrapartida, o comprometimento de parceiros e fornecedores provoca prejuízo médio de R$ 7,32 milhões por episódio. Custo de vazamento de dados bate recorde no Brasil e chega a R$ 7,4 milhões Foto: Reprodução/ChatGPT Na ponta oposta, medidas preventivas ajudam a blindar o orçamento corporativo. A realização de simulações de ataques para testar defesas gera uma economia média de R$ 579,4 mil por ocorrência em território nacional. O uso de criptografia poupa em média R$ 478,1 mil, enquanto o controle rigoroso sobre credenciais e permissões de usuários preserva R$ 454,7 mil por evento.No panorama global, os setores de infraestrutura crítica, a exemplo de energia e finanças, concentram 62% das investidas impulsionadas por inteligência artificial. O documento ainda revela que falhas estruturais continuam frequentes, pois apenas 37% das empresas vítimas de vazamento no mundo aplicam criptografia em dados sensíveis. Ao mesmo tempo, ataques de sequestro digital avançaram 5% e atingem 39% das ocorrências, com foco crescente na extorsão sobre a reputação pública das marcas atacadas.Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.