Dólar abaixo de R$ 5: Goldman Sachs corta projeções e vê real mais forte com eventual mudança de governo

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O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais levou o Goldman Sachs a revisar para baixo as projeções para a taxa de câmbio e a adotar uma visão mais otimista para o real, abandonando as estimativas de dólar acima de R$ 5 no curto prazo. O banco cortou as projeções para o dólar de R$ 5,20 para R$ 4,70 em três meses; de R$ 5,10 para R$ 4,75 em seis meses; e de R$ 5,00 para R$ 4,80 em 12 meses.Em relatório recente, os estrategistas afirmaram que a forte reação do câmbio na segunda-feira (5), após o primeiro turno, é “compatível” com a mudança das expectativas em direção a uma política econômica mais favorável ao mercado quanto com ciclos eleitorais anteriores, nos quais os os resultados do primeiro turno forneceram informações relevantes aos participantes do mercado.No dia seguinte ao primeiro turno, o dólar à vista bateu R$ 4,9540 (-5,03%), no menor nível desde meados de abril e fechou a R$ 5,0018 (-4,12%), com Flávio Bolsonaro (PL) surpreendendo o mercado ao superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma vantagem de 2,2 milhões de votos frente ao incumbente.“O senador Flávio Bolsonaro teve um desempenho superior ao esperado e agora é amplamente considerado favorito para vencer o segundo turno, em 25 de outubro, com as pesquisas realizadas após o primeiro turno apontando na mesma direção”, destacam os estrategistas do Goldman Sachs. Eles ainda citam que, em 2018, o dólar à vista chegou a cair 10% frente à moeda brasileira após o primeiro turno e, por isso, esperam que o real tenha uma valorização adicional nas próximas semanas. “Ainda assim, como a eleição de 2018 também demonstrou — quando o real atingiu seus níveis mais fortes na sexta-feira anterior ao segundo turno —, o foco do mercado pode rapidamente se voltar para a implementação efetiva das políticas”, destacaram os analistas. O banco também reafirmou que a taxa de câmbio na faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 é “plausível”, diante de de um resultado eleitoral percebido como favorável ao mercado e propício a uma postura fiscal mais rigorosa. “Em particular, o USD/BRL a R$ 4,80 seria compatível tanto com a eliminação completa do prêmio fiscal residual decorrente do episódio de depreciação do real em 2024 quanto com as avaliações cambiais de longo prazo”, diz. “O real poderia se valorizar além desses níveis caso os esforços de consolidação fiscal justifiquem um prêmio fiscal positivo e o cenário externo também seja favorável à moeda brasileira”, acrescenta. LEIA TAMBÉM: O que precisa acontecer para o dólar cair a R$ 4,50 — ou subir a R$ 5,80, segundo o Goldman Sachs