Juros americanos sobem e Treasury supera 5,3%: por que sua carteira no Brasil sente o impacto?O título é americano, mas o efeito pode chegar à sua carteira no Brasil. Os juros americanos voltaram a subir nesta quarta-feira (14), após a divulgação da inflação de setembro. Na reação inicial ao indicador, o rendimento do Treasury de dez anos, título da dívida pública dos Estados Unidos, avançou para 5,304% ao ano, segundo a Reuters.O movimento recolocou no radar a possibilidade de novas altas dos juros pelo Federal Reserve, o Fed, banco central americano. Entre os economistas ouvidos hoje, há avaliações diferentes sobre quando isso pode acontecer: outubro voltou à discussão, enquanto outras instituições continuam esperando uma elevação em dezembro.A Suno está liberando R$ 300 mil em bônus na Black Friday, com condições especiais e vagas limitadas. Não fique de fora: inscreva-se gratuitamente na live de abertura. Clique aqui e garanta seu bônus.Por que os juros americanos subiram?O índice de preços ao consumidor dos EUA, conhecido como CPI, aumentou 0,6% em setembro e 3,7% em 12 meses, conforme o órgão oficial de estatísticas do trabalho americano, o BLS.A alta mensal ficou em linha com a pesquisa Reuters. A surpresa apareceu na inflação anual, para a qual os economistas esperavam 3,6%, e no núcleo, que exclui alimentos e energia: ele subiu 0,3% no mês, acima da previsão de 0,2%.O núcleo ajuda a acompanhar a pressão dos preços além dos componentes mais voláteis. Nos dados oficiais, a gasolina encareceu 9,1% no mês, enquanto os custos de moradia avançaram 0,4%.Juros maiores significam títulos mais valorizados?Aqui está uma diferença importante: o rendimento e o preço do título caminham em direções opostas.Quando as taxas de mercado sobem, os títulos prefixados já em circulação tendem a perder valor. Isso permite que seu rendimento se ajuste às novas condições. Quando as taxas caem, ocorre o movimento contrário, conforme explica o portal de educação financeira da SEC, a reguladora do mercado de capitais americano.Por isso, uma remuneração mais elevada não elimina o risco de oscilação para quem precisa vender antes do vencimento. Títulos com prazos mais longos geralmente são mais sensíveis às mudanças nos juros.O que os especialistas disseram hoje?William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirmou em avaliação publicada pelo BP Money que o CPI pode antecipar a discussão sobre uma nova alta pelo Fed. “Agora, o resultado do CPI pode trazer de volta à mesa a discussão sobre a possibilidade de uma elevação já em outubro”, avaliou.Já Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, destacou a persistência da inflação nos serviços. Segundo sua avaliação repercutida pelo InfoMoney nesta quarta-feira, o banco continua esperando uma alta dos juros ainda neste ano, provavelmente em dezembro.Como isso chega ao investidor brasileiro?A reação já apareceu no mercado local. Na manhã desta quarta-feira, os juros futuros brasileiros subiram acompanhando os rendimentos dos Treasuries, segundo reportagem da Reuters. Esses contratos refletem as taxas negociadas para diferentes prazos, não uma decisão imediata sobre a Selic.Sobre os efeitos dos juros americanos, Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, destacou ao InfoMoney: “A combinação de juros americanos elevados, dólar fortalecido e maior aversão ao risco tende a pressionar moedas emergentes”.