Fim da escala 6 x1: um retrocesso à vista

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Ontem (14), o Senado aprovou a PEC do fim da escala 6 por 1. De maneira oportuna, Davi Alcolumbre, colocou em votação a matéria às vésperas do 2º turno para favorecer eleitoralmente o presidente Lula. O presidente do Senado quer que Lula ganhe as eleições, pois aumenta a sua chance de permanecer no comando da Casa Alta. Caso contrário, se Flávio Bolsonaro ganhar, a era do Czar do Amapá chegará ao fim no Senado Federal.É triste ver Davi Alcolumbre, Lula e senadores da oposição votarem a favor da matéria motivados apenas pelo cálculo político. Lula visa à reeleição; Alcolumbre, à permanência na presidência do Senado, e a oposição votou a favor com medo de perder votos para Flávio Bolsonaro. E assim foi chancelada a PEC que engessa o mercado de trabalho, limitando a carga horária a 40 horas semanais com dois dias de descanso. Como o custo da hora trabalhada vai aumentar – afinal trabalhe-se menos com o mesmo salário – evidentemente as empresas vão reagir. Uma provável reação será o corte de despesa, com demissões, o que elevará a taxa de desemprego. Outra consequência será o repasse do aumento do custo no preço final do serviço ou da mercadoria, trazendo impactos inflacionários. Elevação da informalidade e pejotização também são efeitos prováveis do fim da escala 6 por 1.É preocupante também como se dará a operação em alguns setores em que necessitam trabalhar na escala 6 por 1 (químico, transporte aéreo, entre outros). A redução traz um problema operacional para muitas empresas dessas áreas. O problema se torna maior com o fato de em alguns setores ter escassez de mão de obra.  Por fim, é um escândalo a aprovação dessa matéria num país de renda média, com baixa produtividade, e com 66 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho por opção. O país precisa crescer mais e colocar mais gente no mercado de trabalho para reduzir a pobreza. Flexibilizar o mercado de trabalho levaria o país para o caminho do desenvolvimento econômico, mas infelizmente, optamos pelo retrocesso.