StartupiO mundo está em crise, mas o mercado não páraNão é surpresa para ninguém que o panorama internacional está caracterizado por tensões geopolíticas, crises energéticas, pressão climática e incertezas econômicas. Mesmo assim, os mercados de capital seguem robustos: o S&P 500 chegou a máximas históricas em 2026 e o capital de risco continua fluindo para startups, especialmente nas áreas de inteligência artificial, infraestrutura digital e eficiência operacional. E se a crise não parou o ciclo de inovação, ela ao menos mudou quais soluções recebem foco e investimento.E mesmo com o cenário global incerto, o ecossistema de startups no Brasil, assim como o internacional, também indica um certo dinamismo, embora em um cenário mais seletivo. No segundo trimestre de 2026, segundo dados apurados pela equipe Startupi, foram investidos US$ 1,71 bilhão em startups brasileiras, o que representa um aumento de 98% em relação ao trimestre anterior e de 83% em comparação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o relatório Q2 2026 – Ecossistema de Inovação Aberta & CVC no Brasil, elaborado pela Sling Hub em colaboração com a EY.Contudo, é preciso ter cuidado com os dados: foram realizadas 78 operações, menos do que o número registrado no ano anterior. Isso significa, numa análise mais detalhada, que o capital está se concentrando em empresas que já estão mais maduras, com tração e capacidade de mostrar retorno. Para os fundadores, a mensagem é inequívoca: o mercado não está fechado, mas agora valoriza os unit economics, a execução e a compreensão do problema que estão resolvendo.E a captação em larga escala também retornou ao centro do ecossistema. Um grande exemplo foi a CloudWalk, que captou R$ 5,5 bilhões por meio de um FIDC, a maior operação dessa categoria já realizada no Brasil, num movimento que aponta para uma diversificação nas fontes de financiamento, com estruturas de crédito, corporate venture capital e investidores institucionais se tornando cada vez mais relevantes, juntamente com os tradicionais fundos de venture capital.Grande, mas concentradoOs números apontam para um capital global persistente em sua movimentação, embora com uma concentração setorial marcante. De acordo com informações da Crunchbase, o financiamento para startups em todo o mundo alcançou US$ 159 bilhões no terceiro trimestre de 2026, com investimentos em quase 6 mil empresas. Dessas, as startups de IA arrecadaram US$ 102 bilhões, o que representa 64% do capital de risco global levantado no período.E quando falamos em concentração em IA, não estamos insinuando que as oportunidades são exclusivas para empresas que criam modelos de linguagem ou que fornecem a infraestrutura de computação necessária. A reconfiguração de setores como energia, manufatura, logística, saúde, segurança cibernética e serviços financeiros gera a necessidade de aplicações verticais: software que diminui custos, automatiza processos, aprimora a tomada de decisões e fortalece a resiliência das cadeias produtivas. Numa estimativa da OCDE, se calcula que, em 2025, o investimento de venture capital em empresas de IA deverá chegar a US$ 258,7 bilhões, o que representa 61% do total investido no setor.Oportunidades no BrasilNo Brasil, uma análise mais atente mostra que a vantagem competitiva pode surgir da junção de tecnologia com ativos físicos. O país abriga cerca de 200 data centers, o que representa quase a metade da capacidade instalada da América Latina, além de 86,8% de sua matriz elétrica ser formada por fontes renováveis. Nesse contexto, onde a IA exige uma fonte de energia limpa e abundante, surge uma oportunidade para startups focadas em eficiência energética, refrigeração, redes inteligentes, data centers, automação industrial e infraestrutura digital.E para quem tem dúvida se esse potencial enfrentará barreiras por conta do cenário nacional e global nebuloso em diversas frentes, a GZM publicou a matéria “Mercados seguem em alta mesmo diante de crises globais sobrepostas”, um texto que ajuda a explicar esse movimento que aponta que os mercados não estão em alta porque não existem riscos, mas porque empresas, investidores e setores produtivos são capazes de se adaptar a eles. Assim, para os empreendedores, a chance de crescimento reside menos em antecipar o colapso ou o próximo ciclo de alta e mais em reconhecer os verdadeiros gargalos gerados pela transição tecnológica, energética e geopolítica. E, de preferência, convertê-los em negócios escaláveis. Se quiser saber mais sobre a resiliência dos mercados em meio às crises em curso, acesse no box a seguir a matéria da GZM.O post O mundo está em crise, mas o mercado não pára aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Almir JuccaO post O mundo está em crise, mas o mercado não pára apareceu primeiro em Startupi.