Com Selic a 13,75%, prefixados voltam ao radar; entenda a mecânica da valorizaçãoCom a Selic em 13,75% ao ano e o mercado ainda avaliando o espaço para novos cortes, os prefixados voltam a ganhar atenção. Isso porque se os juros futuros continuarem cedendo, esses títulos podem se beneficiar não apenas da remuneração contratada, mas também da valorização dos papéis no mercado.Essa dinâmica está no centro da estratégia do NTNF11, ETF da Investo em cogestão com a V8 Capital que investe em NTN-Fs, títulos públicos prefixados com pagamento semestral de cupons. O fundo tem exposição a diferentes vencimentos e ajusta a composição da carteira de acordo com a dinâmica da curva de juros.O movimento, no entanto, não é automático. Para entender o potencial dos prefixados em um ciclo de queda da Selic, é preciso olhar para a relação entre taxas de juros, preço dos títulos e duração.Por que os prefixados podem ganhar valor quando os juros caem?Quando um investidor compra um título prefixado, a taxa nominal de remuneração é definida no momento da aplicação. No caso das NTN-Fs, o título também prevê o pagamento de cupons semestrais.A taxa contratada permanece a mesma, mas o preço do título pode variar no mercado secundário. Se as taxas exigidas pelos investidores para novos títulos caem, um papel antigo que oferece uma taxa mais elevada se torna mais atrativo. Para que sua rentabilidade se ajuste ao novo nível de juros, o preço do título sobe.Essa é a lógica da marcação a mercado. Um investidor que venda o papel antes do vencimento pode, portanto, capturar uma valorização decorrente da queda das taxas.O inverso também é verdadeiro: quando os juros de mercado sobem, o preço dos prefixados tende a cair. Por isso, embora a taxa contratada seja conhecida, o valor do investimento pode oscilar ao longo do caminho.Selic e juros futuros não são a mesma coisaUm ponto importante é que a queda da Selic não significa necessariamente que todos os títulos prefixados irão se valorizar. A taxa básica é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), enquanto as taxas negociadas no mercado refletem as expectativas para os juros futuros.Essas expectativas incorporam fatores como inflação, atividade econômica, política fiscal e cenário externo. Assim, mesmo que o Copom continue reduzindo a Selic, uma mudança na percepção dos investidores pode fazer as taxas futuras subirem e provocar uma desvalorização dos prefixados.Para o investidor, portanto, o ponto central não é apenas acompanhar o nível atual da Selic, mas observar como a curva de juros está se movimentando.Duration aumenta potencial e sensibilidadeÉ nesse momento que entra a duração dos títulos. De forma geral, quanto maior o prazo de um prefixado, maior tende a ser sua sensibilidade às mudanças nas taxas de juros.Em um cenário de queda dos juros futuros, os títulos mais longos podem apresentar uma valorização maior. Mas a mesma característica aumenta o risco de perdas caso a curva volte a abrir.O desafio é que não existe certeza sobre a extensão do ciclo de cortes. As projeções para o nível da Selic ao final do processo podem variar, e novas informações sobre inflação, atividade ou contas públicas podem mudar as expectativas do mercado.Isso cria uma escolha para quem investe diretamente em NTN-Fs: assumir uma posição mais curta, com menor sensibilidade aos juros, ou buscar vencimentos mais longos, que podem oferecer maior potencial de valorização em uma queda da curva, mas também maior volatilidade.Como funciona o NTNF11O NTNF11 busca lidar com essa escolha por meio de uma carteira com diferentes vencimentos de NTN-Fs. O ETF da Investo acompanha o Índice B3 Tesouro Prefixado Juros (IB3 TPRE-J) e realiza ajustes mensais na composição da carteira, de acordo com a dinâmica da curva de juros.Na prática, a estratégia permite que a exposição seja distribuída entre diferentes pontos da curva, sem que o investidor precise comprar individualmente cada título e fazer os rebalanceamentos por conta própria.Além da possibilidade de valorização dos títulos quando as taxas de mercado recuam, as NTN-Fs possuem pagamentos semestrais de cupons. No NTNF11, os valores recebidos dos papéis que compõem a carteira são repassados aos investidores.A gestão do ETF é feita pela Investo, em cogestão com a V8 Capital. A proposta é oferecer acesso, por meio de uma cota negociada em Bolsa, a uma carteira de títulos públicos prefixados com diferentes vencimentos.O que observar daqui para frenteO potencial dos prefixados em um ciclo de queda depende, em última análise, do comportamento da curva de juros. Se as taxas futuras recuarem, os títulos já emitidos a taxas mais elevadas podem se valorizar. Se as expectativas mudarem e a curva subir, ocorre o movimento contrário.Por isso, a duração é um dos principais pontos de atenção. Quanto mais longo o título, maior tende a ser sua sensibilidade às mudanças nos juros. Em uma carteira como a do NTNF11, a distribuição entre diferentes vencimentos permite acompanhar essa dinâmica de forma mais diversificada.