A gestão adequada de resíduos sólidos urbanos no Estado do Rio de Janeiro possui um impacto de até R$ 1,65 bilhão por ano em efeitos econômicos e sociais, segundo estudo elaborado feito pela Pezco Economics, que analisou que a operação da Regenera Rio.A análise considerou impactos sobre atividade econômica, saúde pública, meio ambiente e território em oito municípios: Itaguaí, Mangaratiba, Miguel Pereira, Paty do Alferes, Piraí, Seropédica e a capital fluminense, que, juntas, somam mais de 7 milhões de habitantes.Além do impacto direto, o estudo também considerou influências indireta mais amplas relacionada aos vínculos ambientais, econômicos e territoriais da operação.De acordo com Pezco Economics, são estimados R$ 926,7 milhões de incremento potencial no PIB regional, além de cerca de 1.791 empregos formais adicionais. Leia Mais Governo prepara monitoramento de saturação dos portos até 2030 Copel defende relicitação de hidrelétricas e critica renovação por “Excel” Estados do Sul contratam estudo alternativo para concessão da Malha Sul A comparação utilizou como referência o desembolso anual da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana), principal contratante da operação.Para Maurício Batista, diretor-presidente da Regenera Rio, há uma série de custos ocultos associados à gestão inadequada dos resíduos, que acabam sendo absorvidos pelo sistema de saúde, pelo meio ambiente, pela economia e pela própria população.“O estudo ajuda a tornar visível parte dessa conta e mostra que a infraestrutura atual já evita perdas relevantes. Com a incorporação de novas soluções de triagem, reciclagem e valorização dos resíduos, esses benefícios podem ser ainda maiores”, afirmou.Saúde públicaOs efeitos da gestão de resíduos também alcançam a saúde pública. Ao considerar os municípios contemplados pela operação, a estimativa é de que a gestão adequada dos resíduos está associada à prevenção de 28 mil a 44 mil casos anuais de doenças.Já em despesas hospitalares diretas do SUS (Sistema Único de Saúde), o estudo estima economia de R$ 4,2 milhões a R$ 34,1 milhões por ano.Redução em emissõesEm relação à questão ambiental, houve uma redução de aproximadamente 227 mil toneladas de CO₂ equivalente nas emissões relacionadas ao tratamento de resíduos nos municípios atendidos.“A gestão adequada dos resíduos é também uma agenda ambiental e climática. Na Regenera Rio, ela envolve o captação e a valorização do biogás, que pode ser utilizado na geração de energia ou convertido em biometano”, disse o diretor-presidente.“Esse combustível renovável já abastece parte da frota de transporte pesado da companhia. O estudo ajuda a traduzir esse trabalho em benefícios para o meio ambiente e para a qualidade de vida nas cidades”, acrescentou.Além disso, a destinação adequada dos resíduos está associada a R$ 466 milhões a R$ 690 milhões por ano em custos sociais e ambientais evitados.O cálculo levou em consideração a diferença entre os custos associados à disposição em lixões e em aterro sanitário das 3,39 milhões de toneladas tratadas no ano passado.Para Gabriel Fiuza, CEO da Pezco, a gestão de resíduos deve ser entendida como infraestrutura urbana, cujo valor vai além do serviço diretamente contratado.“Muito do que ela gera para a população não aparece no preço do serviço. Medir esses efeitos, mesmo em ordens de grandeza, ajuda a orientar as decisões do setor no Brasil”, afirmou.