O empresário francês Brivael Le Pogam, cofundador da empresa de inteligência artificial Argil, publicou no X um alerta aos americanos que pretendem votar no Partido Democrata. Em uma crítica à expansão do Estado, ele apresenta a França como exemplo de um país onde promessas de proteção social teriam resultado em endividamento, perda de oportunidades e serviços públicos deteriorados.“Sou francês. Quero falar com os americanos que estão prestes a votar nos democratas. Não para insultá-los. Para alertá-los. Eu venho do futuro de vocês”, escreveu, em tradução do inglês.Desenvolvedor autodidata, Le Pogam é cofundador e diretor de tecnologia da Argil, empresa sediada em Paris que utiliza inteligência artificial para produzir vídeos com avatares digitais. A companhia participou do programa da aceleradora americana Y Combinator em 2024. Ele também publica textos sobre economia, tecnologia e empreendedorismo.Na mensagem, o francês compara propostas de políticos progressistas americanos às políticas adotadas em seu país.“Na França, fizemos tudo o que os seus políticos progressistas prometem. Saúde gratuita, universidade gratuita, assistência social generosa, sindicatos fortes, regulamentação pesada, impostos altos sobre os ricos, um Estado que cuida de tudo”, afirmou. “No papel, é um sonho.”Para sustentar sua crítica, Le Pogam cita gastos públicos próximos de 57% do Produto Interno Bruto e uma dívida superior a 3,3 trilhões de euros. Segundo ele, a França não aprova um orçamento equilibrado desde 1974, e os juros da dívida estão se tornando uma das maiores despesas nacionais.O empresário argumenta que o aumento dos recursos não garantiu a qualidade dos serviços nem melhores condições de vida.“Nossos hospitais estão entrando em colapso, apesar do financiamento recorde. Nossas escolas caem nos rankings a cada ano. Jovens com diploma não conseguem pagar por um apartamento na cidade onde nasceram”, escreveu.Ele também relaciona o modelo francês à saída de profissionais qualificados e investidores.“Nossos melhores engenheiros vão para Londres, Zurique e São Francisco. E os ricos que vocês queriam taxar? Eles também foram embora e levaram os empregos.”A conclusão desse trecho resume o argumento da publicação: “A promessa era proteção. O resultado é estagnação.”Le Pogam sustenta que os problemas surgiram do acúmulo de decisões tomadas ao longo de décadas, e não de uma escolha explícita dos franceses pelo declínio.“Cada medida parecia generosa, compassiva, razoável. Mais um programa. Mais uma regulamentação. Mais um imposto para financiá-lo. Cada passo, isoladamente, faz sentido”, declarou.Na avaliação dele, a combinação dessas medidas comprometeu a capacidade do país de executar projetos e garantir segurança. O texto apresenta essas relações de causa e consequência como parte da interpretação política do empresário sobre a trajetória francesa.Ao falar dos Estados Unidos, Le Pogam adota um tom pessoal e defende a preservação das oportunidades para empreender.“Eu amo os Estados Unidos porque são o único lugar do mundo onde as pessoas ainda acreditam que podem construir alguma coisa do zero. Cheguei ao Vale do Silício como um jovem autodidata, e isso mudou a minha vida. Esse espírito é o que o país de vocês tem de mais precioso.”A publicação termina com uma pergunta aos eleitores: “Antes de votar, façam a si mesmos uma pergunta: o programa em que vocês estão votando está tornando os Estados Unidos mais parecidos com os Estados Unidos ou mais parecidos com a França?”E conclui: “Confiem em mim. Vocês não querem ser a França.”