Quer crescer na carreira? Sair do país pode ajudar mais do que você imagina

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Experiências internacionais podem ser transformadoras na vida pessoal e profissional porque muitas vezes geram situações em que as pessoas são colocadas em situações nas quais muitos de seus pontos de referência habituais desaparecem.Esse processo desenvolve autonomia e confiança ao passo que ajuda o indivíduo a descobrir que é capaz de lidar com a incerteza. Para os profissionais, a experiência fora do país, mesmo que de curta duração, consegue alavancar habilidades que as empresas procuram para além do conhecimento técnico. O idioma pode ser diferente. As normas culturais podem ser diferentes. Transporte, alimentação, etiqueta empresarial, estilos de comunicação e até a maneira como as pessoas lidam com tempo, relacionamentos ou tomada de decisões podem ser desconhecidos.Para que um intercâmbio profissional seja realmente proveitoso para a carreira, Jen Traxler, doutora em Desenvolvimento e Mudança Organizacional e diretora-executiva do Robert D. Walter Center for Strategic Leadership, da Ohio University, explica, em entrevista ao InfoMoney, que é necessário ser curioso. LEIA MAIS: Estudar no exterior: o que você aprende em uma experiência executiva internacional?“Em vez de presumir que a maneira que você conhece é a certa ou a única possível, experiências internacionais incentivam você a fazer perguntas, observar, ouvir e buscar entender por que as pessoas podem abordar as situações de maneiras diferentes”, comenta.Segundo ela, a curiosidade ajuda a transformar situações desconhecidas de obstáculos em oportunidades de aprendizado, o que também aumenta o autoconhecimento. A professora ainda ressalta que a confiança não vem de fazer tudo dar certo, mas de perceber: “Algo inesperado aconteceu, tive curiosidade suficiente para aprender com isso e fui capaz de lidar com a situação.”Experiências no exterior fortalecem liderançaTraxler afirma que alguns dos desafios mais valiosos são, na verdade, os pequenos: navegar por uma cidade desconhecida, comunicar-se quando existe uma barreira linguística, interpretar errado uma norma cultural, adaptar-se quando os planos mudam ou trabalhar com alguém cuja abordagem para um problema é muito diferente da sua.“Essas experiências desenvolvem adaptabilidade, paciência, capacidade de resolver problemas, inteligência cultural, comunicação e humildade. Elas também exigem que você se torne mais intencional em relação à maneira como se posiciona”, lista a profissional.De acordo com ela, experiências internacionais ensinam uma importante lição de liderança: ser diferente não significa estar errado. É o caso da bolsa para o curso de gestão e liderança de curta duração na Ohio University. Viver experiências internacionais pode alavancar a carreira e ajudar a desenvolver as habilidades que um verdadeiro líder precisa.“Aquilo que parece óbvio ou “normal” para nós muitas vezes é simplesmente aquilo que fomos condicionados a esperar. Reconhecer isso é extremamente importante para qualquer pessoa que pretenda liderar em uma organização global”, avalia.Além disso, o contato com diferentes culturas torna os profissionais mais preparados para liderar equipes diversas quando eles encaram a experiência com curiosidade, e não com julgamento.A especialista em liderança afirma que um líder precisa compreender quem é e, ao mesmo tempo, entender o contexto e as pessoas ao seu redor. Liderança eficaz não significa abandonar seus valores ou tornar-se uma pessoa diferente dependendo da situação. Significa ser autêntico, mas adaptável.LEIA MAIS: Quer ser líder? A habilidade mais valorizada hoje não é a que você imagina“Essa capacidade de suspender julgamentos, permanecer curioso e adaptar sua comunicação é valiosa muito além dos negócios internacionais. As mesmas habilidades ajudam líderes a trabalhar entre diferentes gerações, áreas, origens, disciplinas e perspectivas. Grandes líderes não esperam que todos os outros se adaptem a eles. Eles aprendem a se adaptar enquanto permanecem autênticos em relação a quem são“, reitera.Empresas sabem valorizar essas experiênciasA experiência internacional em si é menos importante do que aquilo que a pessoa consegue demonstrar que aprendeu com ela, na avaliação de Traxler.Ainda que uma experiência internacional curta no currículo possa chamar atenção, simplesmente viajar para o exterior não necessariamente torna alguém um candidato mais forte para uma posição de liderança. Segundo a professora da Ohio University, o valor está em conseguir explicar como a experiência mudou a maneira como o profissional resolve problemas, se comunica, colabora, lida com ambiguidades ou trabalha entre diferentes culturas.Para uma promoção interna, a experiência se torna particularmente valiosa quando o funcionário traz essas capacidades de volta para a organização e as aplica. Ao mudar de empresa, ela pode se tornar um diferencial, especialmente em organizações com clientes, fornecedores, funcionários ou operações globais.As perguntas que a especialista propõe que o profissional faça são: “Como essa experiência mudou você?”, “O que você aprendeu sobre si mesmo?”, “Quais suposições foram desafiadas?”, “Como você se posiciona de maneira diferente por causa dessa experiência?”.Na hora de descrever a experiência internacional em um processo seletivo ou promoção, também é válido responder sobre o que você encontrou que desafiou suas suposições, o que aprendeu sobre si mesmo, o que consegue fazer agora que não conseguia fazer antes, como aplicaria o que aprendeu ao seu trabalho e à organização.The post Quer crescer na carreira? Sair do país pode ajudar mais do que você imagina appeared first on InfoMoney.