Mobilidade feminina e segurança urbana aparecem como fatores centrais na rotina de mulheres do Sul do Brasil, segundo a pesquisa inédita “O Direito de Ir, Vir e Viver”, realizada pela Indique, em parceria com Think Eva e 99. O estudo mostra que 80% das entrevistadas preferem se deslocar acompanhadas à noite ou depois de escurecer, enquanto 33% já evitaram algum meio de transporte por se sentirem inseguras.Insegurança altera deslocamentos e escolhas de transporteA pesquisa combinou uma etapa quantitativa com 564 mulheres, grupos qualitativos com 49 entrevistadas e conversas com especialistas. No recorte regional, foram ouvidas mulheres de Curitiba, Porto Alegre, Pelotas e Florianópolis. Os dados indicam que a insegurança influencia horário, rota, companhia e até o tipo de transporte escolhido antes mesmo de sair de casa.Entre as mulheres do Sul que relataram ter sofrido assédio em seus deslocamentos, 80% apontaram episódios enquanto caminhavam pela rua e 67% dentro de ônibus. O resultado mostra que a sensação de risco não se limita a um único modal e interfere diretamente no planejamento cotidiano.“Os dados mostram que falar de mobilidade feminina é falar também sobre a possibilidade de circular e acessar a cidade, além de determinar as oportunidades de cada uma. Segurança não pode depender apenas das estratégias individuais das mulheres. Empresas, poder público e sociedade têm papéis complementares na construção de soluções que ampliem esse acesso”, afirma Rayane Lima, gerente sênior de Políticas de Segurança da 99.O estudo também aponta que tempo, custo, segurança e conforto entram na decisão de cada trajeto. Em depoimento citado no material, uma entrevistada de Porto Alegre resume esse cálculo: “Quando eu estou sozinha, eu abro mão da segurança e do conforto pra chegar mais rápido. O tempo e o custo são os que mais pesam.”Na prática, essa percepção leva muitas mulheres a deixar de usar determinado modal, alterar horários, buscar companhia ou optar por alternativas que reduzam a exposição em determinados trechos.Leia também:BlaBlaCar expande para 20 novos países e chega a 41 no total MPF recomenda melhorias no atendimento da Uber a idosos e PcD inDrive amplia portfólio premium no Brasil com Viagem Plus e expansão da Comfort Apps aceleram transição sustentável com 41,4% de viagens elétricas Empresária se surpreende com Uber com proteção nos vidros em SP Endividamento entre motoristas de app expõe falhas no acesso ao crédito99 leva transporte público ao app e testa parcelamento de pedidosUber é processada em R$ 321 milhões por taxa a motoristas99 oferece corridas gratuitas a mulheres vítimas de violência em Porto AlegreNo Rio Grande do Sul, a 99 e o governo estadual implementaram uma iniciativa que conecta mobilidade e rede de proteção. Desde julho, mulheres em situação de violência atendidas pelas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) de Porto Alegre podem acessar corridas gratuitas da plataforma para deslocamentos necessários dentro da rede de atendimento.A ação resulta de uma parceria da 99 com as secretarias estaduais de Inovação, Ciência e Tecnologia, da Mulher e de Segurança Pública. Após avaliação das equipes da Polícia Civil, os vouchers podem ser acionados para deslocamentos relacionados ao atendimento, como exame de corpo de delito, Defensoria Pública, Programa de Monitoramento, Conselho Tutelar e Fórum.Segundo informações divulgadas no lançamento, mais de 100 mil casos de violência doméstica foram registrados no Rio Grande do Sul em 2025, sendo cerca de 9 mil em Porto Alegre. O projeto começou como piloto na capital e pode ser ampliado para outros municípios gaúchos.A 99 afirma que a iniciativa busca reduzir uma barreira prática em um momento de maior vulnerabilidade: o deslocamento até os serviços necessários para dar continuidade ao atendimento.O post Mobilidade feminina no Sul: 8 em cada 10 mulheres preferem não circular sozinhas à noite apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.