Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) na mira? Diretor da Eurasia vê baixa probabilidade de privatização de estatais; entenda

Wait 5 sec.

Embora parte do mercado tenha apostado em uma onda de privatizações após o avanço eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a avaliação da Eurasia Group é de que um eventual governo do PL deve adotar uma estratégia mais gradual para as empresas estatais.Segundo Silvio Cascione, o diretor para Brasil da consultoria, a Eurasia não trabalha com a hipótese de grandes privatizações nos primeiros quatro anos de mandato. A exceção parcial seria os Correios, cuja discussão estaria mais relacionada à redução de prejuízos do que à geração de receitas para os cofres públicos.Leia mais: Nomes para eventual Ministério da Fazenda de Flávio já circulam, mas principal é perfil da equipe, avalia diretor da Eurasia GroupNo caso de gigantes como Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3), a expectativa é de uma gestão voltada para aumentar eficiência operacional, reduzir a interferência política e elevar o valor de mercado das companhias, vendendo áreas deficitárias para aumentar o valor delas. A lógica seria priorizar a geração de valor para os acionistas antes de qualquer debate sobre venda de controle.Essa leitura ajuda a explicar, segundo Cascione, o forte desempenho recente das ações dessas estatais na Bolsa brasileira. No caso do Banco do Brasil, além da perspectiva de uma gestão mais focada em rentabilidade, os investidores também embutem expectativas de queda dos juros e melhora do ambiente econômico no médio prazo.“O banco está sofrendo muito com a inadimplência elevada, ainda tem um tempo para poder filtrar tudo isso, mas depois poderá ter um horizonte para o acionista com um retorno maior”, explica Cascione.Resistência para privatizarA Eurasia avalia ainda que eventuais privatizações de Petrobras ou Banco do Brasil enfrentariam obstáculos políticos significativos. Além da resistência social que um debate dessa magnitude costuma provocar, haveria uma complexa disputa sobre o destino dos recursos obtidos em uma eventual venda, explica Cascione.No caso da Petrobras, uma discussão mais ampla poderia surgir apenas no longo prazo, associada ao futuro da indústria de petróleo e à possibilidade de monetizar antecipadamente receitas geradas pela companhia. Em vez de privatizações em larga escala, a consultoria acredita que o governo poderia buscar receitas por meio de securitização de ativos e venda de participações específicas, além de operações pontuais como spin-offs de determinadas áreas de negócio.“A ideia não seria vender as empresas, mas fazê-las valer mais”, resume a leitura da Eurasia. Nesse cenário, Petrobras, Banco do Brasil e outras estatais passariam a operar com maior foco em eficiência e retorno ao acionista, o que tende a ser bem recebido pelo mercado financeiro.