A Brasil Bitcoin (CNPJ 29.519.837/0001-23) pediu a sua autorização ao Banco Central do Brasil (BCB) para funcionar como uma corretora de bitcoin e criptomoedas no país, em um pedido que sai pelo negócio ligado a corretora chamada Brasil 8 (CNPJ 41.043.469/0001-95). Houve apresentação para o regulador na quinta-feira (15).O caso acontece em meio a uma disputa entre os sócios da empresa, Erick Crus (dono de 40% do negócio), e Marco Castellari e Jorge de Almeida (donos dos 60% restantes). Como noticiado pelo Livecoins, a Brasil 8 nasceu no mesmo endereço da Brasil Bitcoin, mas com apenas Castellari e Almeida na sociedade.“A gente fez o protocolo hoje [15], via Brasil 8. É que não se tornou público ainda. Leva geralmente um, dois dias úteis para sair no site do Banco Central. E aí acredito que vai vir a dúvida que era o ponto do por que foi feito pela Brasil 8 e não pelo CNPJ da Brasil Bitcoin“, explicou para a reportagem o sócio Jorge de Almeida, atual CEO da Brasil Bitcoin e administrador.Ele destacou ainda que houve divergência entre os sócios, de um lado Erick, e do outro Jorge e Marco. Em conversa com a reportagem, o CEO indicou que a disputa gerou um impasse para concluir atos e protocolar o pedido de autorização junto ao BCB.Com o entrave, os administradores recorreram ao CNPJ da Brasil 8 para seguir com o pedido de aprovação regulatória e atender ao prazo final de 30 de outubro, dado pelo banco central. Além disso, Almeida indica que para os clientes não muda nada.“A nossa preocupação é preservar o trabalho e continuar desenvolvendo o negócio e prosperando nesse sentido. E aí, assim, para os usuários não vai impactar nada, a experiência é a mesma, a marca, a plataforma, o site, o que vai mudar ali são coisas mais de background, como os termos de uso com as adequações necessárias da regulação, informações bancárias ali para depósitos, saque, mas enfim, não impacta e não tem qualquer tipo de prejuízo ao usuário“, destacou.Por fim, Almeida declarou que a equipe da Brasil Bitcoin seguirá intacta no novo negócio, e que eles pretendem ampliar as inovações conseguidas nos últimos anos de operação.“A nossa ideia é resolver essas questões societárias o mais rápido possível e continuar trabalhando. Tem muita coisa legal que a gente vem construindo nesses últimos tempos, tanto de produto, de infraestrutura. E assim, nesses últimos um, dois anos, a gente lançou também muita coisa nova de produtos e serviços. Isso dá um orgulho muito grande de fazer, sendo uma operação 100% brasileira, uma equipe enxuta. Então, tem muita gente talentosa aqui dentro, que tem muito valor. E agora a gente dá esse passo importante de apresentar o pedido de autorização do Banco Central. Então a ideia é continuar crescendo, se desenvolvendo, trazendo mais soluções“, finalizou o CEO.Sócio de 40% chama Brasil 8 de corretora clandestina e diz que “ativos da Brasil Bitcoin foram transferidos sem o seu conhecimento”Também na quinta-feira (15), o sócio Erick Crus entrou com uma petição na justiça empresarial paulista contra os sócios e a Brasil Bitcoin. No pedido que não tramita em sigilo de justiça e consultado pela reportagem do Livecoins, ele aponta a Brasil 8 como uma “corretora clandestina dos administradores”.Ele chama atenção para o fato de que a Brasil Bitcoin que ele detém 40% será uma empresa sem clientes, sem autorização e dos quais os administradores querem calcular o valor dele no negócio.Assim, Crus indica que os ativos como domínio, clientes, plataforma, entre outros, foram transferidos da empresa na qual é sócio para outra, sem que houvesse uma comunicação a ele sobre o assunto.Na justiça, ele pede a devolução do domínio Brasil Bitcoin para a empresa que é sócio e acesso aos sistemas para seguir com o pedido da corretora junto ao banco central, com urgência. O caso aguarda uma análise pelo judiciário.Nova reunião poderá selar expulsão de sócio dos quadrosA reportagem também apurou que na quinta-feira (15) a administração da Brasil Bitcoin marcou uma nova reunião para o dia 23 de outubro, que deverá julgar a expulsão ou não de Crus da sociedade da Brasil Bitcoin.“Deliberar sobre a proposta dos Srs. Jorge de Almeida Alves e Marco Vinicius Castellari de exclusão por justa causa do Sr. Erick Carlos Castilho Crus (“Sr. Erick”), nos termos da Cláusula XI do Contrato Social e do art. 1.085 do Código Civil, em razão da prática de atos de inegável gravidade que colocam em risco a continuidade da Sociedade“, diz a ordem do dia do edital público.Na segunda-feira (12), uma reunião realizada havia julgado a retirada de Erick. Contudo, após decisão, Crus recorreu na justiça e a reunião do dia 12 foi arquivada por não seguir os prazos corretos para sua defesa.Além disso, o juiz definiu que a suspensão do encontro do dia 12 não atrapalharia futuras reuniões, agora marcada para o dia 20.Os demais pedidos urgentes solicitados por Erick foram negados, incluindo afastar os administradores, nomear um administrador provisório e impor alterações de cadastros ou bloqueios de infraestrutura. Sobre o domínio, também foi negada a ordem de devolução ou bloqueio neste momento, sob o risco das medidas prejudicarem a continuidade da operação perto dos prazos regulatórios.Decisão de juiz na quarta-feira 14 de outubro sobre disputa societária da Brasil Bitcoin (Foto/Reprodução)Nota da defesa de Erick Crus sobre nova reunião na junta comercial“Se confirmada a notícia de uma nova convocação para excluir Erick da Brasil Bitcoin, ela causa espanto. Em 14 de outubro, a Justiça suspendeu a exclusão deliberada dois dias antes. Um dia depois, os administradores informaram que a Brasil Bitcoin não fará no prazo o pedido de autorização ao Banco Central, do qual depende para continuar funcionando, e que o pedido será feito pela Brasil 8, a corretora clandestina dos próprios administradores, montada sem o conhecimento do sócio, na sala e com o domínio da Brasil Bitcoin.A quinze dias do prazo, os esforços que deveriam estar no pedido de autorização da Brasil Bitcoin estão voltados para excluir um sócio fundador, que sempre contribuiu com a sociedade e que pediu à Justiça, em caráter de urgência, para fazer ele mesmo esse pedido. Os fatos estão nos autos públicos da tutela cautelar nº 4198375-59.2026.8.26.0100, da 2ª Vara Empresarial de São Paulo, em que o pedido de sigilo foi negado.“Fonte: Brasil Bitcoin pede autorização ao Bacen com CNPJ da corretora Brasil 8, em meio a tensa disputa de sóciosVeja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.