O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) deverá enfrentar um dilema caso seja eleito: conter o avanço da deterioração das contas públicas sem cortar gastos sociais.Nos últimos dias, circularam informações de que Flávio acabaria com a política de valorização do salário mínimo, desvincularia os reajustes das aposentadorias e extinguiria os pisos constitucionais de saúde e educação como parte de um ajuste fiscal estimado em R$ 200 bilhões.Nesta sexta-feira, porém, o senador afirmou, em entrevista à TV Globo, que pretende promover um ajuste fiscal sem mexer em benefícios sociais, aposentadorias ou nos pisos constitucionais de saúde e educação. O parlamentar disse ainda que não fará economia “com as pessoas que mais precisam do governo”.De ante mão, disse um sonoro ‘não’ para todas as três perguntas sobre o reajuste fiscal. “Eu não vou fazer economia com as pessoas que mais precisam do governo”, afirmou.A questão é como fazer isso. Segundo o candidato, o equilíbrio das contas públicas viria de uma combinação de corte de despesas, combate à corrupção e geração de novas receitas. Entre as medidas citadas estão a redução de pelo menos 10 ministérios, algo que ele próprio admitiu ter impacto limitado sobre as contas públicas, a diminuição de cargos comissionados e uma gestão mais eficiente das empresas estatais.Flávio também defendeu o aproveitamento econômico do patrimônio imobiliário da União. De acordo com ele, o governo federal possui mais de 30 mil imóveis, muitos deles sem utilização, que poderiam ser transferidos para fundos e securitizados, gerando recursos para os cofres públicos.Outra aposta do senador é a recuperação de créditos devidos à União, estimados por ele em cerca de R$ 3 trilhões, além do avanço da exploração de petróleo na Margem Equatorial, projeto que, segundo o candidato, poderia ampliar a arrecadação federal.Ao justificar seu plano fiscal, Flávio voltou a criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o “maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula”, relacionando o atual patamar dos juros ao cenário fiscal do país.Apesar dos questionamentos sobre a viabilidade das propostas, o candidato insistiu que há espaço para reorganizar as contas públicas sem reduzir direitos sociais ou afetar a parcela mais vulnerável da população.Resta saber se o mercado e os agentes econômicos comprarão essa tese. A julgar pelas dúvidas levantadas durante a entrevista, a conta ainda está longe de fechar.