Preços das casas sobem 3,4% nos anúncios. Vender um apartamento demora 132 dias

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Os proprietários pedem mais pelas casas, mas os compradores estão a demorar mais tempo a fechar negócio. Entre julho e setembro, o preço médio anunciado de venda da habitação em Portugal aumentou 3,4% face ao trimestre anterior, para 3666 euros por metro quadrado, enquanto o tempo médio de venda dos apartamentos cresceu 25%, atingindo os 132 dias.Os dados constam da análise trimestral do Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças, divulgada a 14 de outubro. A subida sucede à descida registada entre abril e junho e abrange a maioria do território. No arrendamento, os valores anunciados mantiveram-se praticamente estáveis.A evolução dos anúncios exige, contudo, uma distinção: os preços pedidos pelos proprietários não correspondem necessariamente aos valores finais das transações.«O preço pedido por um proprietário nem sempre corresponde ao valor pelo qual o imóvel é vendido e as diferenças entre regiões e tipos de habitação continuam a ser significativas», explica Bruno Coelho, administrador do Imobiliário do Doutor Finanças.Leia também: Crédito à habitação: taxa mista já pesa quase 86% nos novos contratos Lisboa e Bragança são os únicos distritos com descidasViseu registou o maior aumento trimestral dos preços anunciados de venda, com uma subida de 12,5%, seguido de Castelo Branco, com 9,9%, e Viana do Castelo, com 9%. Em sentido contrário, Lisboa e Bragança foram os únicos distritos onde os valores recuaram: 1,4% e 0,8%, respetivamente.Apesar da descida, Lisboa mantém o preço médio anunciado mais elevado, de 5582 euros por metro quadrado. Seguem-se Faro, com 4928 euros, e a Região Autónoma da Madeira, com 4478 euros. A evolução também varia entre segmentos de preço. O primeiro quartil — o valor abaixo do qual se encontram 25% dos imóveis anunciados — subiu 2%, para 265 mil euros. A mediana aumentou 1,3%, para 395 mil euros, enquanto o terceiro quartil avançou 0,8%, para 650 mil euros.Ou seja, entre estes indicadores, foi o limite do segmento de preços mais baixos que registou o maior aumento percentual. Apartamentos demoram mais 25% de tempo a venderA subida dos preços pedidos não se traduziu numa maior rapidez de venda. O tempo médio necessário para vender um apartamento chegou aos 132 dias, mais 25% do que no trimestre anterior. A taxa de absorção na venda, que o Observatório define como a percentagem de imóveis anunciados que resultam num negócio fechado no mesmo período, recuou ligeiramente para 1,3%.Para Nuno Leal, co-CEO do Doutor Finanças, estes indicadores refletem maior ponderação nas decisões de compra, num contexto de preços elevados e limitações financeiras das famílias. «Mais do que uma correção dos preços, estamos a assistir a uma correção da velocidade do mercado, que exige expectativas mais realistas por parte dos vendedores e decisões cada vez mais informadas por parte dos compradores», afirma. Prestação de um T2 pesa quase metade no rendimento de um casalO acesso à habitação registou uma ligeira melhoria, mas continua a exigir uma parcela significativa do orçamento familiar. Em setembro, o Índice de Acessibilidade Habitacional para a compra de um apartamento T2 aumentou 1,8% face a julho, para 2,04, refletindo uma redução de 21 euros na prestação média estimada.Ainda assim, segundo os cálculos do Observatório, a prestação de um T2 representa 49% do rendimento líquido de um casal com salário médio. Na Madeira, esse esforço chega aos 70% e, em Faro, aos 65%.Os valores traduzem o cenário de referência utilizado na análise, e não a situação de todos os agregados com crédito à habitação. Rendas quase estáveis, mas com diferenças regionaisNo mercado de arrendamento, o preço médio anunciado recuou 0,1%, para 15,48 euros por metro quadrado. A estabilidade nacional esconde, porém, movimentos expressivos em algumas regiões. As maiores subidas verificaram-se em Bragança, com 19,7%, Vila Real, com 18,8%, e Viseu, com 9,9%. Beja registou a descida mais acentuada, de 14,8%.Lisboa continua a apresentar o valor mais elevado para arrendar casa, de 19,11 euros por metro quadrado, apesar de uma redução trimestral de 5,4%. Mais imóveis identificados, com uma ressalva metodológicaO número médio de imóveis disponíveis para venda aumentou 6,9%, para 111 911 casas, das quais 69 979 eram apartamentos e 41 932 moradias. Este crescimento deve ser interpretado tendo em conta o alargamento das fontes de recolha do Observatório nos últimos dois trimestres. A cobertura mais abrangente do mercado influencia o número de imóveis identificados, pelo que a variação não deve ser atribuída integralmente a um aumento da oferta.O retrato do terceiro trimestre combina, assim, preços anunciados mais elevados, vendas de apartamentos mais demoradas e uma ligeira melhoria da acessibilidade. Para um casal com salário médio, porém, a prestação estimada de um T2 continua próxima de metade do rendimento líquido.O conteúdo Preços das casas sobem 3,4% nos anúncios. Vender um apartamento demora 132 dias aparece primeiro em Revista Líder.