Já nos instantes iniciais de Descalços no Parque, adaptação da clássica comédia de Neil Simon (1927-2018), Larissa Manoela se empenha para deixar para trás a figura de estrela mirim da TV. Em cena com o marido, André Luiz Frambach, a atriz se expõe ao improviso e desconstrói a imagem de perfeição que o público se habituou a ver.A reportagem acompanhou a sessão para convidados do espetáculo, realizada na noite de segunda-feira (12) no Teatro Clara Nunes, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. A produção é dirigida por Guilherme Weber, de Da Cor do Pecado (2004) e Volta por Cima (2024).Um dos pontos altos é, sem dúvida, a adaptação do texto de Simon para o contexto brasileiro dos anos 1960. Nova York dá lugar para o Catete, também na zona sul da capital fluminense, com direito até uma participação especial de Quintino Bocaiúva –o bairro, não o jornalista que dá nome à região.Larissa interpreta Lara, uma jovem que vê o casamento com o metódico Edu –papel de Frambach– enfrentar a sua primeira crise após apenas seis dias juntos. A eles, se juntam Flávia Reis como Verônica, mãe da protagonista, Claudio Mendes e Diego de Abreu.Não só é interessante ver Larissa se jogar no humor –especialmente após um papel tão sofrido na TV como a Estela de Êta Mundo Melhor! (2025)–, mas também vê-la se colocar num lugar de vulnerabilidade (especialmente difícil para quem está ainda na casa dos 20 anos).A TV oferece a chance de refazer, regravar, ajustar os erros na montagem. O teatro, não. Por isso mesmo, confere humanidade: do público que também precisa se “aquecer” com os atores junto ao palco, que vai amadurecendo com eles, se soltando ao longo da peça.Curiosamente, um dos pontos de virada é quando Lara faz uma piada adulta, sobre sexo, diante do marido mais interessado em trabalhar do que continuar a lua de mel. O gancho dá certo e, daí, o próprio público também se solta.Por isso mesmo, Descalços no Parque se mostra um texto bastante profícuo não só para Larissa, mas também para Frambach, que também começou como ator mirim. Não à toa, ele foi enfático na breve conversa com o público no final da peça, em que lembrou: a peça, além de tudo, também coloca o próprio relacionamento deles em jogo.“Essa peça para a gente é muito mais do que simplesmente fazer o que a gente ama. É mostrar para todo mundo que, lá atrás, quando a gente começou, duvidou do nosso amor, da nossa capacidade como artista, daqueles atores mirins que poderiam crescer e serem respeitados, como um casal, que se fortalece juntos e que juntos são mais fortes, mas também são respeitados individualmente”, disse o galã.Larissa admite que a peça tem servido como “terapia de casal” para eles, juntos há pouco mais de três anos. A emoção transbordou no encerramento, quando ela foi às lágrimas sob aplausos efusivos –a típica catarse teatral, em que imperfeições e acertos se dissolvem na memória do público.“Obrigada pela presença de todos vocês aqui, a gente teve uma semana linda de estreia, eu estava muito nervosa, quando a gente idealizou esse projeto, achei que não seria capaz de fazer. Mas acho que deu”, disse ela, diante da plateia com nomes como Rainer Cadete, Vera Holtz e Rosamaria Murtinho.Larissa ainda fez uma defesa da Lei Rouanet, que ajudou na captação de recursos para viabilizar a montagem, e pela valorização da classe artística.ServiçoOnde? Teatro Clara Nunes (Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro);Temporada: De 8 de outubro a 28 de novembro de 2026Horários:• Quinta e sexta: às 20h• Sábado: às 16h e às 20hDuração: 120 minutosClassificação etária: 12 anosElenco: Larissa Manoela, André Luiz Frambach, Flávia Reis, Claudio Mendes e Diego de AbreuO post Fora da TV, Larissa Manoela chora, se expõe e faz ‘terapia de casal’ no teatro apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.