Após a forte valorização dos ativos brasileiros nas últimas semanas, a XP Investimentos avalia que o mercado pode estar precificando uma mudança estrutural no cenário macroeconômico doméstico, abrindo espaço para uma nova rodada de ganhos na bolsa brasileira. Segundo a corretora, as ações ligadas à economia doméstica, as chamadas ações cíclicas, aparecem como as maiores beneficiárias desse movimento. Em relatório divulgado nesta semana, a XP afirma que a combinação de reformas estruturais, maior disciplina fiscal e queda dos juros pode levar a uma compressão adicional dos prêmios de risco, favorecendo especialmente empresas mais sensíveis ao ciclo econômico.No acumulado de 2026, o Ibovespa (IBOV) já sobe 29% em reais e 41% em dólares, enquanto o real se valorizou cerca de 9% frente à moeda norte-americana. Ainda assim, os estrategistas da corretora, liderados por Fernando Ferreira, avaliam que há espaço para novas revisões de preço no mercado acionário brasileiro. Fluxo de recursos ainda pode sustentar a bolsaSegundo a corretora, investidores estrangeiros e locais ainda estão subalocados em ações brasileiras. Os estrategistas estimam que o fluxo estrangeiro adicional pode variar entre R$ 60 bilhões e R$ 270 bilhões, enquanto uma normalização gradual da alocação local poderia gerar entre R$ 140 bilhões e R$ 268 bilhões em novos aportes no mercado acionário.Apesar do viés construtivo para os próximos meses, os estrategistas alertam para a possibilidade de alguma correção de curto prazo. O Índice de Sentimento XP retornou recentemente para níveis de “otimismo extremo”, patamar que historicamente antecedeu períodos de realização de lucros na bolsa. “Embora nosso cenário otimista aponte para um potencial de alta relevante para a Bolsa brasileira, reconhecemos o risco de uma correção no curto prazo”, afirmam. Cíclicas negociam com desconto e têm maior potencialA XP divide o mercado entre quatro grandes grupos: financeiras, commodities, defensivas e cíclicas domésticas. Entre eles, as ações cíclicas são vistas como as mais descontadas.Segundo o relatório, o segmento negocia atualmente a 12,9 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, bem abaixo da média histórica de 17,9 vezes. Caso os múltiplos retornem aos níveis médios dos últimos dez anos, a valorização potencial alcançaria 49%. Já no cenário base da corretora, que considera juros reais próximos aos níveis atuais e os preços-alvo dos analistas, as ações cíclicas apresentam potencial médio de alta de 33%, contra 15% para commodities e apenas 8% para defensivas. As financeiras, por sua vez, apareceriam ligeiramente acima do valor justo, segundo os cálculos da XP. Em uma hipótese mais otimista, marcada por queda dos juros reais para 6% e redução no custo de capital das empresas, o potencial de valorização das cíclicas chega a 77%, o maior entre todos os segmentos analisados. Queda dos juros pode impulsionar novo ciclo de valorizaçãoA corretora destaca que as empresas domésticas tendem a ser as maiores beneficiadas em cenários de redução dos juros, uma vez que possuem maior sensibilidade ao custo de capital e à retomada da atividade econômica. Nos testes realizados pela XP, uma redução de 1 ponto percentual no custo de capital adicionaria, em média, 16,3% ao valor das ações cíclicas, superando os impactos observados em financeiras, commodities e defensivas. Entre os setores mais favorecidos por esse cenário estão bens de capital, varejo e imobiliário, todos tradicionalmente ligados ao desempenho da economia doméstica. Por dentro dos mercadosReceba gratuitamente as newsletters do Money TimesOBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.