A lista de empresas de criptomoedas que solicitaram autorização ao Banco Central continua crescendo às vésperas do fim do prazo regulatório. Nos últimos dias, a exchange internacional OKX, a corretora brasileira Brasil Bitcoin e a fintech de stablecoins UnblockPay anunciaram que protocolaram seus pedidos para atuar como Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs).As solicitações acontecem a menos de duas semanas do prazo de 30 de outubro, data-limite para que empresas que já operavam no Brasil antes da entrada em vigor da regulamentação apresentem a documentação da primeira fase do processo de autorização.Com os novos anúncios, já são 11 pedidos de autorização em andamento ou anunciados publicamente, além de uma solicitação que foi indeferida pelo BC. Parte desses processos já aparece nos registros públicos do Banco Central, enquanto outros foram confirmados diretamente pelas empresas.O pedido de autorização não significa que as companhias já tenham recebido a licença para atuar no mercado regulado. Todas ainda precisam passar pelas etapas de análise do Banco Central, que avaliará aspectos como capital mínimo, governança, controles internos e prevenção à lavagem de dinheiro.A maior novidade entre as exchanges internacionais é a OKX, que anunciou ter protocolado seu pedido na sexta-feira (16), segundo informações divulgadas inicialmente pela Exame.Leia também: Regulação cripto: veja a situação de cada exchange no processo de autorização do Banco CentralA corretora, que iniciou suas operações no Brasil em 2023, solicitou autorização na modalidade de corretora de ativos virtuais, que reúne as atividades de intermediação e custódia de criptomoedas. Além disso, a empresa pretende obter autorização para atuar no mercado de câmbio, ampliando a possibilidade de oferecer serviços financeiros relacionados a ativos digitais.“Protocolar esse pedido é a materialização de anos de investimento em infraestrutura, time e governança no Brasil. O que estamos entregando ao BC hoje não é um formulário, é uma empresa que operacionalmente, financeiramente e institucionalmente está pronta para o novo arcabouço”, afirmou Guilherme Sacamone, CEO da OKX Brasil, à Exame.A OKX já possui autorizações ou licenças para atuar em outros mercados, incluindo União Europeia, Singapura, Emirados Árabes Unidos, Austrália e parte dos Estados Unidos.Brasil Bitcoin pede licença em meio a disputa entre sóciosOutra empresa que anunciou a apresentação de seu pedido foi a Brasil Bitcoin. Entretanto, a corretora brasileira enfrenta uma situação societária mais complexa.Segundo reportagem do Livecoins, a solicitação foi protocolada em 15 de outubro utilizando o CNPJ da Brasil 8 Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais, empresa ligada a dois dos sócios da Brasil Bitcoin.A mudança está relacionada a uma disputa entre os proprietários da exchange. De um lado estão Jorge de Almeida Alves e Marco Vinicius Castellari, que detêm conjuntamente 60% da empresa. Do outro está Erick Carlos Castilho Crus, sócio com participação de 40%.Ao Livecoins, Jorge de Almeida, CEO da Brasil Bitcoin, explicou que as divergências societárias dificultaram a apresentação da documentação necessária para solicitar autorização ao Banco Central. Por isso, os administradores decidiram utilizar a estrutura da Brasil 8, que possui o mesmo endereço comercial da corretora original.“A gente fez o protocolo hoje [15], via Brasil 8. É que não se tornou público ainda. Leva geralmente um, dois dias úteis para sair no site do Banco Central”, afirmou Almeida.O executivo também declarou que os clientes não deverão sofrer alterações significativas na utilização da plataforma, embora documentos contratuais e informações bancárias possam ser modificados.A decisão, porém, é contestada por Erick Crus, que ingressou com uma ação na Justiça de São Paulo. Segundo o Livecoins, o sócio minoritário afirma que ativos ligados à Brasil Bitcoin, incluindo o domínio, a plataforma e a base de clientes, teriam sido transferidos para outra empresa sem seu consentimento.Crus solicitou judicialmente medidas para impedir ou reverter a transferência dos ativos. Parte dos pedidos urgentes não foi acolhida naquele momento, e a disputa continua em andamento.Uma nova reunião de sócios está prevista para 23 de outubro, com a possibilidade de exclusão de Crus da sociedade entre os assuntos da pauta. Apesar do conflito, a Brasil Bitcoin afirma que pretende manter suas operações e continuar atendendo os clientes normalmente.Unblock também entra na lista de empresas que pediram autorizaçãoAlém das duas exchanges, a UnblockPay anunciou nesta segunda-feira (19) que também apresentou seu pedido ao Banco Central. A informação foi confirmada ao BitNotícias por Nicole Meneghetti, responsável pelas áreas jurídica e de compliance da fintech.A solicitação foi feita pela Unblock Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais Ltda., na modalidade de corretora, incluindo autorização para participar do mercado de câmbio.Diferentemente das exchanges tradicionais, a UnblockPay atua principalmente com infraestrutura de pagamentos internacionais utilizando stablecoins, criptomoedas que acompanham o valor de moedas como o dólar.A empresa oferece serviços para outras companhias, permitindo operações de conversão de moedas, transferências internacionais e movimentação de recursos entre sistemas bancários e blockchains.O pedido acontece poucos dias depois de outra empresa ligada ao mercado de stablecoins, a Crown, anunciar que também entrou com sua solicitação.Leia também: Quanto custa ter uma empresa cripto no Brasil com a nova regulação do Banco CentralEmissora da BRLV, stablecoin vinculada ao real, a Crown pediu autorização para atuar como corretora de ativos virtuais, realizar operações de câmbio, oferecer contas de pagamento pré-pagas e participar do Pix.A presença dessas empresas entre as primeiras solicitantes mostra que a nova regulamentação não afeta apenas exchanges voltadas à compra e venda de Bitcoin e outras criptomoedas, mas também companhias que utilizam ativos digitais em pagamentos e operações financeiras.Quais empresas já pediram autorização ao Banco Central?Além dos pedidos anunciados recentemente por OKX, Brasil Bitcoin, UnblockPay e Crown, outras sete empresas já possuem processos identificados nas consultas públicas do Banco Central.São elas: Transfero, Mazzera, PFPay, Masterpay, W Brasil Comércio, Onda Finance e Wynx Exchange.Com isso, o levantamento reúne 11 solicitações em andamento ou anunciadas publicamente. O número não representa necessariamente o total de empresas que já protocolaram seus pedidos, uma vez que nem todas as solicitações aparecem imediatamente nas consultas públicas.O Banco Central também já indeferiu um pedido de autorização, apresentado pela Higherway Tech Soluções, conhecida como Higher Global Payments.A aproximação do prazo de 30 de outubro também tem provocado saídas do mercado.Empresas como Coinext, NovaDAX, Digitra.com e Bitnuvem anunciaram o encerramento de suas operações no Brasil, em meio ao aumento das exigências regulatórias e aos custos necessários para continuar atuando no setor.As regras do Banco Central, publicadas em novembro de 2025 e em vigor desde fevereiro deste ano, estabelecem requisitos de capital mínimo, segurança cibernética, segregação de recursos dos clientes, governança e prevenção à lavagem de dinheiro.O regulador criou três modalidades de SPSAVs: intermediárias, custodiantes e corretoras de ativos virtuais. As exigências variam conforme as atividades desenvolvidas por cada instituição.Para as empresas que já estavam em funcionamento quando as regras entraram em vigor, o processo de autorização ocorre em duas fases. A primeira precisa ser iniciada até 30 de outubro.A apresentação do pedido dentro do prazo permite que as companhias abrangidas pelo regime de transição avancem no processo regulatório, mas não garante a concessão da licença.Com menos de duas semanas até o encerramento do prazo, a expectativa é de que outras exchanges e empresas de ativos digitais anunciem seus pedidos nos próximos dias, ampliando a lista de participantes que pretendem continuar no mercado brasileiro sob supervisão do Banco Central.Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. 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