A fuga dos suspeitos de participar do atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), não teria terminado quando a motocicleta usada no crime desapareceu das imagens captadas por câmeras de monitoramento.A investigação aponta uma logística mais ampla, com divisão de tarefas, veículos de apoio, troca de automóveis e uso de carros de aplicativo para reduzir rastros e dispersar os envolvidos depois do ataque, ocorrido em 27 de junho, em São Caetano do Sul, no ABC.Pimentel aguardava a abertura de um semáforo na Avenida Goiás quando foi alcançado por dois homens em uma motocicleta. O garupa atirou à queima-roupa contra a cabeça do oficial, enquanto o piloto acelerou e deixou o local. O policial foi socorrido em estado grave.7 imagensFechar modal.1 de 7Reprodução/PM2 de 7Arte/Alfredo Henrique/Metrópoles3 de 7Reprodução/Instagram4 de 7Reprodução/Redes Sociais/PMSP5 de 7Arte/Metrópoles6 de 7Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia PimentelReprodução/ Instagram7 de 7Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel Polícia Militar/ReproduçãoVeículos com funções diferentesComo o Metrópoles já mostrou, a moto dos executores não circulava sozinha. Um Renault Logan acompanhou o veículo até o momento em que ele foi abandonado, já na capital paulista.A apuração também identificou um Fiat Palio e um Chevrolet Astra ligados a Marcos Vinícius Dias Machado e Carlos Roberto Ferreira, presos e apontados como participantes da movimentação coordenada dos veículos. Para a Justiça, há indícios de uma ação organizada, com divisão de tarefas e medidas destinadas a esconder provas.É nessa segunda etapa que surgem os carros de aplicativo. Depois de deixarem veículos em pontos distintos, suspeitos teriam recorrido a corridas chamadas por plataformas digitais para continuar os deslocamentos sem permanecer associados às placas usadas na operação.O recurso permitiu alternar rapidamente entre meios de transporte, entre eles motos para aproximação e execução, automóveis particulares para apoio e retirada e, por fim, veículos de aplicativo para diluir a fuga no fluxo cotidiano da cidade. Leia também São PauloPM diz não poder falar sobre celular desaparecido de tenente baleado São PauloApós 30 dias, suspeito de atirar em tenente da Rota continua foragido São PauloPolícia apura se armas de CACs foram usadas em atentado contra tenente São PauloEnteado de Golias monitorou tenente da Rota antes de atentado, diz PM Moto limpa e abandonadaA motocicleta usada no atentado havia sido roubada meses antes. Após o crime, o veículo foi abandonado, e Luiz Henrique de Oliveira Nascimento acabou preso sob suspeita de ter limpado as possíveis impressões digitais existentes no veículo.Segundo a investigação, Luis Altino da Silva, o Chuck, teria contratado o xará, Luiz Henrique, para fazer a moto desaparecer. O pagamento combinado seria de R$ 500, mas apenas R$ 100 teriam sido entregues. Chuck apresentou-se posteriormente ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e afirmou que temia ser morto.Rastros apagados e peças silenciadasA tentativa de apagar os caminhos percorridos pelo grupo não se restringiu aos veículos. Como revelou o Metrópoles, o celular de Pimentel não consta entre os objetos apresentados pela Polícia Militar à Polícia Civil após o atentado.Questionado sobre o paradeiro do aparelho, o Centro de Comunicação Social da PM proibiu o comando da Rota de responder à reportagem.Outra peça considerada central para esclarecer a dinâmica do crime também deixou de ser ouvida. Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado como piloto da moto usada no ataque, morreu em uma suposta troca de tiros com policiais da própria Rota.A Polícia Civil só foi informada horas depois. A morte do suspeito, segundo fontes da investigação, eliminou uma possível ligação entre os executores, os responsáveis pelo apoio logístico e quem teria ordenado o atentado.Questionada sobre a situação do celular do tenente, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não se manifestou. O espaço segue aberto.