BC se prepara para cortar Selic: veja os dados que pesam na decisão

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O Banco Central chega à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (5) com a expectativa de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. O fluxo de dados desde a última decisão tem sido, em geral, favorável, segundo economistas. A avaliação considera a inflação corrente mais benigna, moderação da atividade doméstica e um ambiente externo menos pressionado, com preços do petróleo um pouco mais baixos. Nesse cenário, a aposta predominante é por mais um corte, embora o BC possa evitar sinalizar claramente os próximos passos.Dito isso, releembre os principais indicadores que estarão no radar do Banco Central na próxima decisão.InflaçãoA prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,06% em julho, desacelerando em relação à alta de 0,41% registrada em junho. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 4,52%, ante 4,80% no mês anterior. O resultado veio abaixo das expectativas, que apontavam para alta de 0,21% no mês e de 4,67% em 12 meses. Apesar da melhora, a inflação segue acima do teto da meta do BC, de 4,5%, considerando o objetivo de 3% e a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.Mercado de trabalhoO Caged mostrou a criação de 145.161 vagas formais em junho, acima da mediana de 110 mil postos esperada pelo mercado. Apesar do resultado positivo, economistas destacam que o mercado de trabalho apresenta sinais de desaceleração quando analisado pela tendência dos indicadores.A leitura é de que a perda gradual de dinamismo da ocupação pode contribuir para reduzir pressões sobre salários e consumo, especialmente se esse movimento continuar nos próximos meses.DesempregoA taxa de desemprego caiu de 5,6% para 5,4% no trimestre encerrado em junho, atingindo o menor nível para o período desde o início da série histórica, em 2012. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.738, com alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025. O número de trabalhadores sem carteira também cresceu 2,2% no trimestre, para 13,6 milhões.Mesmo com a taxa de desemprego em nível historicamente baixo, a avaliação de economistas é de que o conjunto dos dados deve ser observado pela trajetória de desaceleração, e não apenas pelo nível atual.Atividade econômicaO IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, avançou 0,1% em maio, acima da expectativa de queda de 0,2%. Apesar da surpresa positiva, o resultado mostrou desaceleração em relação à alta de 0,5% registrada em abril. Em 12 meses, o indicador acumula crescimento de 1,4%, ante 1,6% anteriormente. Na abertura, a indústria cresceu 0,4%, enquanto serviços e impostos avançaram 0,1% cada. A agropecuária recuou 1%.A leitura de economistas é que a atividade começa a mostrar sinais mais claros de moderação, embora o ritmo ainda seja positivo. Para parte do mercado, uma desaceleração mais acentuada ao longo dos próximos trimestres, combinada a novas surpresas baixistas na inflação, poderia levar o Copom a prolongar o ciclo de cortes.