Balanços à vista: Habitação popular deve ‘salvar’ incorporadoras no 2T26, segundo analistas; veja o que esperar

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A temporada de divulgação dos balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) está a todo vapor e, nesta semana, chegou a vez das incorporadoras reportarem seus resultados. Mais uma vez, a expectativa de analistas é que as companhias voltadas à baixa renda sejam o destaque do setor.A resiliência da demanda, o suporte contínuo do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e a desaceleração dos custos de construção devem favorecer as margens e o reconhecimento dos resultados das empresas, segundo relatórios da XP Investimentos e do Itaú BBA.A XP, por exemplo, espera um desempenho mais favorável entre as incorporadoras de habitação popular, mas diz que as construtoras de média e alta renda continuam enfrentando um ambiente pressionado pelos juros elevados.De acordo com a corretora, a demanda mais fraca nesse segmento de maior poder aquisitivo tem levado as companhias a adotarem uma “postura mais conservadora“.A prévia do 2T26 assustou?Apesar do cenário positivo para a baixa renda, a XP ressaltou que o ritmo de lançamentos das incorporadoras entre abril e junho, divulgado há poucas semanas nas prévias operacionais do 2T26, ficou abaixo das expectativas e indicou uma posição mais cautelosa.“A atividade de lançamentos ficou abaixo das nossas projeções tanto na habitação popular quanto na média e alta renda ao longo do segundo trimestre, sugerindo uma postura mais conservadora em relação à oferta de novos projetos”, disse a corretora.“Por outro lado, a desaceleração da inflação dos custos de construção deve proporcionar um cenário mais favorável para margens e reconhecimento de resultados. E, nesse contexto, esperamos números financeiros mais positivos”, acrescentou.Itaú BBA vê queda das ações como exageradaNa mesma linha, o Itaú BBA mantém uma visão positiva para as incorporadoras populares e avalia que a recente queda das ações do setor foi, inclusive, “exagerada”.Segundo o banco, após as prévias operacionais do segundo trimestre indicarem vendas líquidas entre 5% e 10% abaixo das projeções e diante de preocupações sobre uma possível redução do apetite da Caixa Econômica Federal na concessão de crédito imobiliário, os papéis das construtoras recuaram entre 10% e 15%.“As incorporadoras focadas na baixa renda apresentaram resultados operacionais sólidos [nas prévias], embora as vendas líquidas tenham ficado entre 5% e 10% abaixo das nossas estimativas, provocando uma queda de 10% a 15% nas ações à medida que os investidores questionavam a sustentabilidade do ritmo de comercialização”, apontou o BBA.“Interpretamos, porém, esse desempenho inferior ao esperado como reflexo de fatores pontuais específicos de cada empresa, como atrasos em lançamentos devido a questões de licenciamento, cancelamentos de projetos específicos e interrupções temporárias na aprovação de financiamentos imobiliários no final de junho”, prosseguiu.O que esperar dos balançosEntre as companhias específicas, a Tenda (TEND3) será a primeira do setor a divulgar os resultados financeiros do 2T26, após o fechamento do mercado desta terça-feira (4).Principal recomendação (top pick) do Itaú BBA no segmento, a empresa, segundo a casa, deve reportar receita líquida de R$ 1,2 bilhão entre abril e junho, alta de 24,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025.O banco espera, porém, um lucro líquido de R$ 163 milhões no período, queda de 20,2% na comparação anual, com margem líquida de 13,2%, versus 20,6% 12 meses antes.Cury, Direcional, MRV e Plano&PlanoPara Cury (CURY3) e Direcional Engenharia (DIRR3), que divulgam os balanços em 11 de agosto, o Itaú BBA estima receitas líquidas de R$ 1,6 bilhão e R$ 1,2 bilhão, respectivamente, com altas anuais de 21% e 18%.O banco projeta lucro líquido de R$ 269 milhões para a primeira e R$ 210 milhões para a segunda, avanços de 13,8% e 20% em um ano, na ordem. As margens líquidas esperadas são de 16,5% e 16,8%.Já a MRV (MRVE3) e a Plano & Plano (PLPL3), que reportam os resultados em 12 de agosto, devem apresentar receitas líquidas de R$ 2,9 bilhões e R$ 889 milhões, respectivamente.Pelas projeções da casa, enquanto a MRV deve registrar prejuízo líquido de R$ 211 milhões, a Plano&Plano deve reportar lucro de R$ 54 milhões. As margens líquidas esperadas são de 1,5% e 6,1%.Confira as estimativas do Itaú BBA para o 2T26:EmpresaReceita líquida esperadaVar. anualLucro líquido esperadoVar. anualMargem líquida esperadaVar. anualTenda (TEND3)R$ 1,2 bilhão+24,4%R$ 163 milhões-20,2%13,2%-7,4 p.p.Cury (CURY3)R$ 1,6 bilhão+21,3%R$ 269 milhões+13,8%16,5%-1,1 p.p.Direcional (DIRR3)R$ 1,2 bilhão+18,0%R$ 210 milhões+20,0%16,8%+0,3 p.p.MRV&Co (MRVE3)R$ 2,9 bilhões+8,0%-R$ 211 milhões-74.0%1,5%—Plano & Plano (PLPL3)R$ 889 milhões+13,5%R$ 54 milhões-35.5%6,1%-4,6 p.p.