A SpaceX divulgará, após o fechamento do mercado em 4 de agosto, seu primeiro balanço financeiro desde a abertura de capital, em um momento de maior cautela dos investidores em relação às empresas ligadas à inteligência artificial. O desempenho será acompanhado de perto por analistas e pelo mercado.A expectativa concentra-se principalmente nos resultados da Starlink, responsável pela geração de lucro da companhia, e nos números da divisão de inteligência artificial, cujos elevados investimentos têm despertado dúvidas sobre o retorno financeiro esperado.Além dos indicadores operacionais, investidores também devem observar a evolução dos gastos com infraestrutura, o ritmo de crescimento dos assinantes da Starlink e a capacidade da empresa de sustentar sua avaliação de mercado diante dos prejuízos acumulados.Starlink concentra expectativas enquanto IA segue sob escrutínioIlustração artística da constelação de satélites de internet Starlink – Imagem gerada por IA/ChatGPTA estreia da SpaceX na bolsa foi marcada por forte interesse dos investidores, mas o entusiasmo inicial perdeu força nas semanas seguintes. Depois de abrir capital com ações precificadas a US$ 135 e alcançar quase US$ 200 nos primeiros dias de negociação, os papéis passaram a registrar queda, chegando ao fechamento de US$ 112,55, movimento que refletiu parte da perda de confiança observada em empresas ligadas ao setor de inteligência artificial.Segundo a análise apresentada pela Morningstar, a principal fonte de geração de resultados da companhia continua sendo a Starlink. A operação de internet via satélite registrou lucro próximo de US$ 1,2 bilhão, mesmo com a empresa permanecendo no vermelho de forma consolidada. Em 2025, a SpaceX acumulou prejuízo de quase US$ 5 bilhões sobre uma receita de US$ 18,7 bilhões. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as perdas somaram aproximadamente US$ 4,28 bilhões.O analista Nicolas Owens, responsável pela cobertura da empresa na Morningstar, afirma que os dados da Starlink serão determinantes para avaliar a trajetória operacional da companhia. “A Starlink é atualmente o principal motor de geração de lucros da empresa e pode financiar parcialmente os planos de expansão da área de inteligência artificial. No segundo trimestre, estamos observando qual é a tendência de crescimento da base de assinantes que a companhia está registrando“, explicou Owens.Outro ponto observado será a receita obtida pela divisão de inteligência artificial. A expectativa é que o segmento contabilize pagamentos relacionados ao aluguel de infraestrutura para empresas como Anthropic, Google e, possivelmente, Reflection. Embora esses contratos possam fortalecer o faturamento, a avaliação apresentada pelo analista indica que a operação ainda deverá permanecer distante da lucratividade.Ao comentar esse segmento, Owens avalia que parte das receitas pode superar as expectativas do mercado. “A receita da divisão de inteligência artificial no segundo trimestre incluirá pagamentos significativos pelo aluguel de infraestrutura feitos pela Anthropic, pelo Google e, possivelmente, pela Reflection. Esses contratos podem surpreender positivamente parte dos investidores.“SpaceX – Imagem: gerada por IA/GeminiOs investimentos em infraestrutura também permanecem entre os principais fatores de atenção. Conforme a análise da Morningstar, os desembolsos destinados ao desenvolvimento da área de inteligência artificial cresceram mais que o dobro entre 2024 e 2025, enquanto a projeção aponta para nova aceleração ao longo de 2026.Sobre esse cenário, Owens ressalta que a estratégia continua exigindo elevados aportes financeiros. “Os gastos com inteligência artificial e os investimentos em bens de capital (capex) continuam crescendo rapidamente, e não esperamos que essa área se torne lucrativa tão cedo.”Embora a inteligência artificial concentre boa parte das atenções, a divisão espacial continua sendo considerada peça central da estratégia da empresa. A expectativa envolve a ampliação da capacidade de lançamentos com a Starship, projeto desenvolvido para transportar cargas significativamente maiores do que as atualmente levadas pelo Falcon 9, além da perspectiva futura de missões voltadas ao envio de centros de dados para o espaço.Owens considera que esse avanço poderá ampliar a vantagem competitiva da companhia no setor de lançamentos espaciais. “A Starship ampliará a ampla vantagem da SpaceX sobre o restante da indústria em frequência de lançamentos e capacidade de transporte. A nave foi projetada para colocar em órbita uma carga útil até dez vezes maior do que a transportada por um lançamento típico do Falcon 9.”Outro aspecto observado pelo mercado será a diferença entre a avaliação das ações e os fundamentos financeiros da companhia. Dados citados no levantamento mostram que, enquanto o consenso de mercado aponta preço-alvo médio de US$ 236,72 por ação, Owens estima valor justo de US$ 63, sustentando que as incertezas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial justificam uma visão mais conservadora.O post SpaceX encara teste decisivo com primeiro balanço após abertura de capital apareceu primeiro em Olhar Digital.