Primeira edição brasileira do Hack4Freedom, hackathon internacional de Bitcoin exclusivo para mulheres, terminou no sábado, 25 de julho, após duas semanas de formação técnica e desenvolvimento de projetos em São Paulo.A iniciativa reuniu 26 participantes do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, que criaram nove soluções utilizando tecnologias como Bitcoin Core, Lightning Network, Nostr e Breez SDK.Realizado na Casa21, sede da Vinteum, organização sem fins lucrativos dedicada à formação e ao financiamento de desenvolvedores de Bitcoin na América Latina, o programa distribuiu mais de US$ 5 mil em prêmios.A edição brasileira integra uma série global de hackathons organizada pela Evento, e foi realizada após a primeira experiência na Nigéria.O Hack4Freedom é exclusivo para mulheres por causa da baixa participação feminina nas áreas técnicas e de desenvolvimento do ecossistema Bitcoin.Durante as duas semanas, as participantes tiveram acesso a workshops, mentorias e acompanhamento para transformar problemas observados em suas realidades locais em protótipos funcionais. “O Hack4Freedom reforçou algo em que sempre acreditei: quando oferecemos um ambiente acolhedor, mentoria de qualidade e desafios reais, mulheres respondem construindo tecnologia de altíssimo nível. Foi emocionante ver participantes que chegaram sem conhecer umas às outras terminarem o evento apresentando projetos sólidos, aprendendo rapidamente e enxergando novas possibilidades de carreira. Espero que este seja apenas o começo de uma comunidade cada vez mais forte de mulheres construindo o futuro do Bitcoin e das tecnologias de liberdade no Brasil“, afirma Brianna Honkawa, fundadora da Evento e idealizadora do Hack4Freedom.Projetos PremiadosPrimeiro lugar — Satra: US$ 2.000; – Satra é uma carteira Lightning (bitcoin) completa disfarçada de calculadora, criada para mulheres em situação de violência doméstica guardarem uma reserva financeira sem deixar rastro visível.Time: Ingrid Gama, Back-end, Trícia Linewberg, UX Designer; e Giovanna Gardinali, Front Developer;Segundo lugar — Lightning Receivables Protocol: US$ 1.000; – Protocolo de antecipação de recebíveis já confirmados para pequenos empreendedores que precisam de liquidez.Time: Larissa Barros, Back-end e Zambia Firmo, Product Designer.Terceiro lugar — Iris: US$ 500; – Plataforma comunitária com foco em promover liquidez para compra de remédios de pessoas trans com Bitcoin.Time: Luna Ribeiro, BackEnd; Lydia Amorim, Product Design; e Kássia Nunes, Front End.Prêmio Nostr — Arakne: US$ 1.000; – App de aprendizado de crochê/tecelagem que, sob a superfície, é uma rede de microcrédito peer-to-peer via Lightning Network para mulheres sem acesso bancário por controle financeiro coercitivo. O crochê é a superfície visível; as funcionalidades financeiras são reveladas por gestos ocultos.Time: Jhulia Carvalho, Backend e Dilaine Oliveira, Frontend.Prêmio Breez SDK — Satra: US$ 500;Menção honrosa — SatsMeter: US$ 200. – SatsMeter é uma infraestrutura de energia comunitária que cobra o consumo automaticamente em Bitcoin (Lightning), por meio de microliquidações — sem banco e sem intermediário.Time: Camila, Bianca e BárbaraExperiência das participantesPara Ingrid Gama, a participação no evento superou as expectativas dela e da equipe:“Foi bem diferente de outros projetos dos quais participei. Este foi muito mais intenso: tivemos diversas trilhas educacionais e acesso a pessoas de vários países. A experiência bilíngue também foi excelente para desenvolver habilidades que vão além da programação. As duas semanas dentro da Casa21 nos deram acesso aos mentores quase 24 horas por dia, e isso fez toda a diferença. Foi um lugar onde fiz amigas, ajudei e fui ajudada. O resultado que conquistamos mostra que deu muito certo.“Para muitas participantes, o Hack4Freedom São Paulo foi a primeira experiência em um hackathon.Foi o caso de Lunna Ribeiro, estudante da escola de engenharia de software 42 Rio, que conquistou o terceiro lugar junto à sua equipe.“Foi ótimo. Foi um lugar de transformação e me mostrou algo que, depois que você vê, não consegue mais deixar de enxergar. Se você, assim como eu, pensa que não se encaixa nesse ambiente, acredito que a melhor coisa a fazer é aparecer e tirar as próprias conclusões. Eu achava que o Bitcoin era um espaço exclusivo para homens“, afirma Ribeiro.Além das premiações, os projetos são incentivados a continuar sendo desenvolvidos após o hackathon.A proposta é que as equipes utilizem parte do prêmio para avançar na construção dos protótipos, buscar grants e transformar as soluções em ferramentas efetivamente utilizadas pelo ecossistema Bitcoin.Formação e desenvolvimento abertoAo longo das duas semanas, a programação contou com mais de 20 atividades workshops, palestras e mentorias, sobre desenvolvimento em Bitcoin e suas aplicações, privacidade e liberdade financeira, produtos de IA, soft e hard skills, além das habilidades necessárias para se fazer um bom projeto open-source.Entre os mentores internacionais estiveram Queen Marcel, da Bitcoin Dada e Dada Devs; Sabina Gitau, co-founder Tando; Isabella Rugna, da Bitrefill; Mogashni Naidoo, Grantee da Spiral; Kanika Singh; D++, Bitcoin Engineer; Claire Parkinson, COS da ZBD; Amit Uttarwar, Dulce; Anaise Kanimba, do African Bitcoin Institute; Emilia Roitman, da Despegar; e Lucca Godoy, além dos brasileiros Renata Rodrigues, do FEDI; Thiago Orikassa, da BIPA; e Lucas da Vinteum.A proposta da programação intensiva é trazer a formação e as ferramentas necessárias para atender da participante mais iniciante a mais avançada, além de conectar oportunidades profissionais, grants e comunidades internacionais de desenvolvimento.O hackathon contou com o apoio da Soapbox, Breez, Vinteum e BTrust. Com o encerramento da edição brasileira, a expectativa dos organizadores é manter as participantes conectadas à comunidade e realizar a próxima edição. “O Hack4Freedom cria um ambiente no qual as mulheres podem aprender, testar ideias e se reconhecer como parte da construção do Bitcoin. Quanto mais experiências e realidades estiverem presentes nesse desenvolvimento, maior será a capacidade da tecnologia de responder a problemas que realmente precisam ser solucionados“, diz Thaiz Batista, Head de operações da Vinteum.Sobre o Hack4FreedomO Hack4Freedom é uma série internacional de hackathons voltada à formação de mulheres desenvolvedoras no ecossistema de tecnologias abertas e descentralizadas.O programa combina workshops, mentorias e desenvolvimento de projetos com foco em aplicações reais, conectando participantes a oportunidades no desenvolvimento open-source.Sobre o EventoA Evento é uma plataforma open-source focada na organização de eventos e na coordenação de comunidades, integrando ferramentas sociais e econômicas, incluindo pagamentos em Bitcoin com carteira própria.Além da plataforma, a Evento desenvolve iniciativas como o Hack4Freedom para apoiar a formação de novos desenvolvedores e fortalecer comunidades ao redor de tecnologias abertas.Sobre a VinteumA Vinteum é uma organização sem fins lucrativos dedicada a fortalecer o ecossistema Bitcoin por meio do financiamento, formação e apoio a desenvolvedores open-source.Seu trabalho abrange desde a concessão de grants e fellowships até a organização de programas educativos como o Bitcoin Dev Launchpad, os Mastering Seminars e os meetups BitDevs.Além disso, a Vinteum promove hackathons, eventos técnicos presenciais e atividades de comunidade que estimulam a pesquisa, o aprendizado e a contribuição ativa para o protocolo.Com foco no Brasil e na América Latina, a Vinteum atua para construir uma base técnica sólida e descentralizada para o futuro do Bitcoin.Fonte: Hack4Freedom mostra Bitcoin resolvendo problemas reais com soluções criadas por mulheres brasileirasVeja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.